Coronavírus: número de mortos no Brasil tem maior salto desde início da crise; vítimas chegam a 46 e 2.201 casos confirmados


O Ministério da Saúde divulgou, na terça-feira (24), que há 2.201 casos confirmados do novo coronavírus no Brasil, com 46 mortes — 40 delas em São Paulo e seis no Rio de Janeiro


PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM BBC BRASIL

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Foto: EPA

O Ministério da Saúde divulgou, nesta terça-feira (24/03), que há 2.201 casos confirmados do novo coronavírus no Brasil, com 46 mortes — 40 delas em São Paulo e seis no Rio de Janeiro. Há casos confirmados em todos os Estados do país.

 

O número de mortos no país passou de 34 para 46, o maior aumento desde a confirmação do primeiro óbito no dia 17 de março.

 

São Paulo (810), Rio de Janeiro (305), Ceará (182), Distrito Federal (160), Minas Gerais (130), Rio Grande do Sul (98), Santa Catarina (107), Bahia (76), Paraná (65), Pernambuco (42), Amazonas (47), Espírito Santo (33), Goiás (27), Mato Grosso do Sul (23), Acre (17), Rio Grande do Norte (13), Sergipe (15), Alagoas (7), Tocantins (7), Piauí (6), Pará (5), Rondônia (3), Roraima (2), Maranhão (8) e Amapá (1).

 

A região Sudeste concentra 58,1% dos casos confirmados no país. O Nordeste vem em seguida, com 16,1% dos casos. O Ceará pé o terceiro Estado com o maior número de pacientes confirmados.

 

Desde quinta-feira (19), o Ministério da Saúde deixou de divulgar a quantidade de casos suspeitos. Na sexta-feira, o órgão passou a considerar que há casos de transmissão comunitária do vírus em todo o país.

 

A transmissão comunitária ocorre quando há casos em que não é mais possível identificar a cadeia de infecção. Isso significa que o vírus está circulando livremente na população. A situação é diferente de quando há apenas casos importados ou de transmissão local, em que é possível identificar a origem da infecção.

 

De acordo com uma análise da Organização Mundial da Saúde (OMS) baseada no estudo de 56 mil pacientes, 80% dos infectados desenvolvem sintomas leves (febre, tosse e, em alguns casos, pneumonia), 14% sintomas severos (dificuldade em respirar e falta de ar) e 6% doença grave (insuficiência pulmonar, choque séptico, falência de órgãos e risco de morte).

 

Nos casos importados, os pacientes se infectaram em viagens ao exterior. Nos casos de transmissão local, os pacientes se infectaram pelo contato próximo com casos do novo coronavírus.

 

Respostas das autoridades

Na noite de 13 de março, foi publicada em edição extra do Diário Oficial uma Medida Provisória (MP) da presidência que abre crédito extraordinário de cerca de R$ 5 bilhões em favor dos ministérios da Saúde e Educação para o enfrentamento ao coronavírus. Sendo uma MP, a matéria entra em vigor no momento da publicação, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias — caso contrário, perde a validade.

 

Mais cedo, em coletiva de imprensa, o Ministério da Saúde anunciou uma série de recomendações gerais para municípios e Estados, e também propostas direcionadas para as cidades onde há casos de transmissão local e comunitária. A pasta afirmou que, sem a adoção destas medidas, o número de casos pode dobrar a cada três dias.

 

Entre as propostas para lugares com transmissão local e comunitária, está a redução do contatos social de idosos e doentes crônicos; cancelamento de eventos em locais fechados com mais de cem pessoas ou realização destes sem público; antecipação das férias nas instituições de ensino; e quarentena se a ocupação dos leitos de UTI destinados ao tratamento da covid-19 atingir 80%.

 

“Nos países que estão enfrentando este problema, a adoção destas medidas não farmacológicas reduziu a velocidade de transmissão e retardou o pico da epidemia, dando melhores condições para que os serviços de saúde impactados pelo aumento da demanda possam se recuperar”, disse Oliveira.

 

O secretário destacou ainda que os gestores de saúde locais devem avaliar se e como adotarão estas medidas, de acordo com a evolução do número de casos em suas cidades e Estados.

 

Estados anunciam medidas

Em todo o país, os estados adotaram medidas para atender as recomendações do ministério. Passaram a ser proibidos eventos de lazer, culturais e esportivos para evitar aglomerações.

 

Diversas universidades e escolas pelo país suspenderam suas atividades nas redes públicas e particulares. Elas devem ser retomadas a partir do momento em que a situação da pandemia melhorar.

 

Também foram suspensas as visitas a pacientes internados por causa do novo coronavírus em hospitais públicos e privados e a detentos de unidades prisionais, assim como o transporte de presos para a realização de audiências.

 

Ainda haverá uma redução do atendimento ao público nas repartições públicas.

 

Pandemia

Em 11 de março, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou uma pandemia de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, que já infectou 292 mil pessoas e causou 12,7 mil mortes (segundo dados de 22 de março da OMS) em todo o mundo.

 

A OMS estima que 3,4% dos pacientes morrem por causa da Covid-19, a doença causada por este vírus. Mas especialistas estimam que essa taxa de letalidade gire em torno de 2% ou menos.

 

O Ministério da Saúde informou que estudos apontam que 90% dos casos do novo coronavírus apresentam sintomas leves e podem ser tratados nos postos de saúde ou em casa.

 

Mas, entre aqueles que são hospitalizados, o tempo de internação gira em torno de três semanas, o que gera um impacto sobre os sistemas de saúde, de acordo com a pasta, já que os leitos de unidades de tratamento intensivo (UTI) ficam ocupados por um longo tempo. Por isso, o governo vai buscar ampliar o número de leitos de UTI disponíveis.

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