Cotidiano
Na madrugada, mesmo com os faróis dos veículos ligados rompendo o escuro da noite, é possível ver lonas, pedaços de pau, sacolas e casas, mesmo de madeiras, construídas.
No local existe o sonho de 200 famílias de conquistar um lote de terra para trabalhar.
A área é a Gleba Boa Sorte, no Distrito do Machado, na zona rural de Cuiabá e têm 1.426.9564 mil hectares e perímetro de 16.436,26 mil metros.
E lá que residem há mais de 15 anos centenas de famílias, incluindo crianças, jovens, mulheres e idosos.
E lá também que depois de ameaças, vários anos de luta e duas ordens de despejos que foi arrecadado pelo Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat).
O órgão já está – inclusive - em processo de regularização dos terrenos para que as famílias tenham seus direitos de posse e o uso como comum, como assentados.
O que os trabalhadores não poderiam prever é que depois de vários anos na Gleba, divididos em lotes organizados, estruturados e altamente produtivos, o local seria novamente foco de conflito: a Indústria de Derivados de Mandioca Santa Cruz, CNPJ 33878513/0001-59 conseguiu na justiça de Mato Grosso uma liminar de reintegração de posse para despejar as 200 famílias que estão há mais de 15 anos no local e cuja posse, teve o reconhecimento do Governo de Mato Grosso, através da Intermat, que arrecadou a área.
Então por que utilizar a Polícia Militar para realizar o despejo que está programado para acontecer na próxima quarta feira, 16.
Nas últimas semanas os moradores foram surpreendidos com a ordem de despejo e prometem resistir. E o que afirma a presidente da Associação do Acampados da Gleba Boa Sorte, Aparecida de Souza, a dona Cida, que reside com o esposo, filhos e netos, no local.
Alguns netos nasceram, inclusive, na Gleba. “A indústria de farinha conseguiu a ordem de liminar em outra área, mas, mas nós fomos notificados para sair onde residimos”, afirmou a líder da associação que – afirma – existir erros grosseiros quanto à localização da área.
Outra questão é que a Procuradoria Geral do estado(PGE) acionou na justiça a Indústria de farinha, através de uma Ação Reivindicatória com pedido de Liminar em 2019 mas, a justiça ainda não julgou o mérito da ação.
No pedido, a PGE, reivindica que a justiça reconheça o estado de Mato Grosso como a única proprietária da área da Gleba Boa Sorte.
A indústria de Derivados da Mandioca Santa Cruz Ltda, está instalada na BR-20/242 do KM 849, Vila Rica, CEP 47.800-160, na cidade de Barreiras, no estado da Bahia. Então por que cargas d´aguas uma empresa da Bahia quer reivindica uma propriedade na zona rural de Cuiabá?
A indústria de mandioca tem como sócios Everli Ricardo da Cruz, e seus filhos Nelson Ricardo da Cruz e Gelson Ricardo da Cruz. Os três são proprietários das empresas Hospital Santa Cruz, CNPJ 00885467/0001-66 e da empresa Centro de Diagnostico Cardiovascular de Cuiabá, CNPJ 37505211/0001-96.
O estranho é que as duas empresas tem sede em Cuiabá e a indústria de Derivados da Mandioca Santa Cruz tem sede da Bahia. Por quê?
Os agricultores agora querem que a justiça democratize acesso a terra no local e que era Sesmaria, mediando os conflitos no campo, e decidindo quem realmente precisa plantar e viver da terra.
Veja as empresas dos empresários, proprietários da Indústria de Farinha
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