Economia e Negócios

Ibovespa fecha acima dos 181 mil pontos pela 1ª vez; dólar cai a R$ 5,20

Principal índice da bolsa renova recorde e moeda norte-americana vai ao menor valor desde maio de 2024

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 27/01/2026
Ibovespa fecha acima dos 181 mil pontos pela 1ª vez; dólar cai a R$ 5,20
O Ibovespa renova recorde e fecha acima dos 181 mil pontos pela primeira vez nesta terça-feira,27 | Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Ibovespa renova recorde e fecha acima dos 181 mil pontos pela primeira vez nesta terça-feira (27). A alta foi impulsionada pelo clima positivo que tomou os mercados locais após os dados da inflação abaixo do esperado e pelos ganhos das blue chips em meio a continuidade de fluxos de investidores estrangeiros para a bolsa brasileira.

O Ibovespa fechou com alta de 1,79%, aos 181.919,13 pontos - na máxima do dia chegou aos 183.359,56 pontos.

Os investidores se preparam para as decisões de juros do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve, que saem amanhã. A expectativa é de manutenção tanto da taxa Selic em 15% no Brasil quanto dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% nos Estados Unidos.

O mercado também monitora a temporada de balanços americana e os possíveis desdobramentos no cenário geopolítico.

Dólar em queda

dólar encerrou o dia em forte baixa no Brasil, novamente sob influência da queda da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior.

A moeda norte-americana fechou com recuo de 1,38% no dia, negociado a R$ 5,2074 na venda. O resultado marca o menor fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$ 5,1539.

Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira tem sido apontado como um dos motivos para a baixa do dólar ante o real.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, segurando as cotações do dólar em patamares mais baixos.

Dados de inflação

IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), prévia da inflação brasileira, subiu 0,20% em janeiro, abaixo do esperado pelo mercado e em desaceleração ante alta de 0,25% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (27).

Com o resultado, o índice passou a acumular alta de 4,50% nos últimos 12 meses – cravado no teto da meta oficial do Banco Central –, ante 4,41% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

A meta do Banco Central para a inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

A divulgação da prévia da inflação ocorre um dia antes da primeira decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) em 2026. O Banco Central deve decidir pela manutenção da taxa de juros na quarta-feira (28), com a expectativa pelo mercado de que a Selic seja reduzida em março.

"Esse dado surpreendeu positivamente o mercado e aumentou a confiança de que a política monetária restritiva começa a produzir efeitos mais consistentes sobre os preços. Com a inflação mostrando sinais de arrefecimento, cresce a expectativa por um corte de juros mais próximo, ou ao menos por um discurso mais brando por parte do Banco Central", disse em nota o analista João Abdouni, da Levante Inside Corp.

Mercado projeta queda dos juros em março

A cúpula do BC (Banco Central) realiza nesta semana a primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2026, com investidores já antecipando a decisão de juros estacionados no atual patamar de 15% — o mais elevado em quase 20 anos.

Termômetros do mercado e análises reforçam que o esperado movimento de afrouxamento da Selic deve ficar para março, diante de dados difusos da atividade doméstica e o acirramento das tensões globais.

O Sistema Expectativas de Mercado, apurado semanalmente pelo BC, mostra que a mediana dos agentes econômicos aposta em manutenção dos juros de 15% nesta quarta-feira (28).

As estimativas apontam que os juros fecham o ano em 12%, e não devem ficar abaixo de dois dígitos antes do final de 2027.