Ministério mantém recomendação para uso de cloroquina em casos leves de Covid-19, mas corrige texto


Nova versão do documento, divulgada nesta quarta-feira, tem mudança no título, apresenta assinaturas de técnicos do ministério e traz alterações nas referências


PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM G1

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Foto: Arquivo

Ministério da Saúde divulgou na tarde desta quinta-feira (21) uma nova versão do documento técnico no qual recomenda que médicos receitem a cloroquina e a hidroxicloroquina mesmo em casos leves de Covid-19.

 

O documento foi atualizado com alterações no título, teve 9 referências bibliográficas excluídas, mudou a forma como o parecer do CFM é citado e também incluiu a assinatura de funcionários da pasta (antes, nenhum responsável pelo documento foi apresentado).

 

 

Veja abaixo as principais alterações

  • Mudança no título: o Ministério optou por trocar a palavra “tratamento” por “manuseio” no título do documento

 

  • Recomendações do CFM: O documento anterior dizia que o Conselho Federal de Medicina autorizava o uso de cloroquina, a nova versão traz ressalvas à recomendação
  • Quantidade indicada: Houve uma mudança na recomendação da forma de cloroquina e em qual quantidade ela poderia ser administrada.

 

  • Referências: Após a revisão, o documento foi de 76 para 67 referências bibliográficas – uma reportagem do G1 que antes aparecia na lista foi retirada

 

  • Assinaturas: Sete funcionários do Ministério da Saúde passam a assinar as orientações.

 

  • Novo título para o documento

     

    Inicialmente, as orientações do Ministério da Saúde falavam em “tratamento medicamentoso precoce” para pacientes com a Covid-19. Nesta versão atualizada do documento, os técnicos da pasta substituíram a palavra tratamento pela palavra manuseio.

    Além disso, o documento publicado na terça (19) dizia que os estados já tinham protocolos próprios de “associação de fármacos”. A versão divulgada na quinta é mais direta e afirma que estados, municípios e hospitais particulares “já estabeleceram protocolos próprios de uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para tratamento da Covid-19”.

    Recomendação do CFM

     

    O documento anterior dizia que o Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizava o uso de cloroquina, a nova versão traz ressalvas à recomendação. A primeira versão era direta e dizia que o CFM “autorizou a prescrição médica da cloroquina”.

    Depois de uma versão revisada, o trecho foi reescrito e agora diz que o conselho “propôs a consideração da prescrição de cloroquina e hidroxicloroquina pelos médicos, em condições excepcionais, mediante o livre consentimento esclarecido do paciente”.

    Quantidade indicada

     

    No trecho em que estão as orientações de tratamento de acordo com a presença de sintomas, o documento anterior recomendava a administração de cloroquina 450 mg a cada 12 horas no primeiro dia e depois, a cada 24 horas até o quinto dia, associada a azitromicina 500mg uma vez ao dia.

    A versão atualizada prescreve o uso de diosfato de cloroquina de 500mg, com 300 mg de cloroquina na base. A aplicação segue o mesmo padrão da recomendação anterior. Ao final do documento, nas notas, os técnicos descrevem um limite de 25 mg de cloroquina por quilo.Há ainda uma ressalva da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A entidade recomenda a realização de eletrocardiogramas nos primeiro, terceiro e quinto dias em todos os pacientes que estejam em tratamento com a cloroquina.

    Alteração nas referências

     

    Após a revisão, o documento foi de 76 para 67 referências bibliográficas. A versão inicial apresentava referências duplicadas e fora do padrão que foram atualizadas no documento desta quinta.

    Foi retirada da lista, uma pesquisa chinesa com 30 pacientes que recomenda “estudo com amostra maior para investigar os efeitos da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19”. Uma notícia do G1, sobre a proposta de pesquisadores do Ceará para que profissionais de saúde usassem de forma profilática hidroxicloroquina, também foi retirada.

    Para a nova versão, foi acrescentado o estudo de um hospital particular de São Paulo que foi suspenso pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa.

    Se manteve na lista um estudo chinês que já passou pela revisão – mas aparece ainda como sua versão preliminar. Publicado no British Medical Journal (BMJ), ele não detectou benefício algum no uso da cloroquina em casos leves ou moderados da doença.

    Assinatura de secretários

     

    Agora aparecem as assinaturas de secretários no texto rebatizado como “Orientações do Ministério da Saúde para manuseio medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico da Covid-19”. Na primeira versão, o documento não apresentava os responsáveis pela recomendação. Agora, assinam o documento:

    • Mayra Isabel Correia Pinheiro (Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde)

     

    • Cleusa Rodrigues da Silveira Bernardo (Secretária de Atenção Especializada à Saúde, Substituta)

     

    • Robson Santos da Silva (Secretário Especial de Saúde Indígena)
    • Daniela de Carvalho Ribeiro (Secretária de Atenção Primária à Saúde, Substituta)

     

    • Vania Cristina Canuto Santos (Secretária de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Substituta)

     

    • Wanderson Kleber de Oliveira (Secretário de Vigilância em Saúde)
    • Antônio Elcio Franco Filho (Secretário-Executivo, Substituto)
    • Nota do Ministério

       

      “Sobre a assinatura do documento das “orientações para manuseio medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico da COVID-19”, o Ministério da Saúde informa que o tema vinha sendo discutido no âmbito do Ministério da Saúde por seu corpo técnico. Para deixar clara a participação e o envolvimento de todas as secretarias, os titulares das pastas assinaram o documento ainda na quarta-feira (20).”

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