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EUA avaliam se redes sociais podem ser responsabilizadas por conteúdos postados pelos usuários; entenda

Decisões, que só devem ser anunciadas em julho, podem mudar a lei de internet no país. Veja o que se sabe sobre o julgamento em 3 pontos

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM G1 23/02/2023
EUA avaliam se redes sociais podem ser responsabilizadas por conteúdos postados pelos usuários; entenda
Foto: REUTERS/Brendan McDermid

A Suprema Corte dos Estados Unidos vai analisar se as redes sociais podem ser responsabilizadas por conteúdos criminosos postados por seus usuários.

Atualmente, essas empresas se valem da chamada Seção 230, que faz parte da lei que rege as comunicações no país e isenta as plataformas de internet da responsabilidade sobre o que é publicado por terceiros.

Dois processos que pedem a responsabilização das redes sociais estão sendo analisados pela Corte, um envolvendo o Twitter e outro, o GoogleAs decisões devem sair somente em junho.

1) O que é a Seção 230, que protege as empresas

Aprovada nos Estados Unidos em 1996, quando as redes sociais ainda não existiam, a Seção 230 diz que provedores de serviços na internet não podem ser tratados como porta-vozes do que é publicado por terceiros. Ela faz parte da chamada Lei de Decência nas Comunicações (Communications Decency Act).

A Seção 230 também dá às plataformas alguma proteção legal para moderar o que é postado por usuários em alguns casos, como conteúdo pirateado, pornográfico ou que desrespeite uma lei federal. Isso porque a Constituição americana protege a liberdade de expressão.

Mas a abrangência da Seção 230 vem sendo questionada nos últimos anos, com a escalada dos discursos de ódio na internet, por exemplo.

Tanto o ex-presidente Donald Trump quanto o atual, Joe Biden, já se manifestaram pelo fim da Seção 230. Também há diversas leis propostas feitas por congressistas tanto do partido Republicano como do Democrata para reformá-la, mas nenhuma chegou a ser votada ainda.

As próprias donas das redes sociais dizem ter sugestões para reformar a lei. Os presidentes-executivos da Meta, do Google e do Twitter chegaram a ser ouvidos sobre o assunto no Congresso, em 2021. Eles se posicionaram contra a revogação, defendida por vários legisladores republicanos.

2) Quais são os casos analisados na Suprema Corte

Twitter e grupo terrorista: o processo "Twitter v. Taamneh" foi aberto por parentes norte-americanos de Nawras Alassaf, um jordaniano morto em um massacre em uma boate em Istambul, em 1º de janeiro de 2017.

Em documentos judiciais, o Twitter disse que encerrou mais de 1,7 milhão de contas por violação de regras contra "ameaças ou promoção de terrorismo".

Um tribunal de apelações não considerou se a Seção 230 poderia barrar o processo da família e o caso foi parar na Suprema Corte.

Segundo a "CNN americana", o Twitter disse que o fato de o Estado Islâmico ter usado sua plataforma não constitui a assistência "consciente" da empresa ao grupo.

A companhia de Elon Musk também disse que não deve ser responsabilizada pela Lei Antiterrorismo uma vez que o conteúdo publicado não tinha relação com o ataque que matou Nawras Alassaf.

Vídeos de terrorismo no YouTubeo caso chamado de "Gonzalez vs. Google", foi aberto por Reynaldo Gonzalez. Ele alega que o Google foi parcialmente responsável pela morte de sua filha, Nohemi Gonzalez, no ataque terrorista feito pelo Estado Islâmico em Paris, em novembro de 2015.

Isso porque o YouTube, assim como várias outras plataformas digitais, usa algoritmos para sugerir vídeos similares aos usuários, nas chamadas "recomendações dirigidas", que visam gerar maior engajamento dos usuários e mais receitas publicitárias.