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Análise: mais uma ameaça nuclear que você pode ter perdido em discurso de Putin
Teste deste tipo de arsenal pode levar a escalada global de uma corrida armamentista
05/03/2023
Por que começar a testar novamente?
Em primeiro lugar, como um sinal de intenção de passar por cima de todos os acordos nucleares, demonstrando sua capacidade e determinação – nacional e internacionalmente – para usar armas nucleares. E em segundo lugar, porque a Rússia está desenvolvendo novas capacidades nucleares e não tem dados suficientes sem novos testes de ogivas. Nenhuma das razões é reconfortante. Um teste de armas nucleares russas destruiria várias décadas de acordos internacionais e qualquer sensação de certeza nos esforços de não proliferação. O CTBT sustenta o Tratado de Não-Proliferação (NPT) ao criar uma premissa crível de que os Estados reduzirão seus arsenais nucleares ao longo do tempo, em vez de continuar a expandí-los.Significado dos lançamentos
Isso fomentaria preocupações em outros países com armas nucleares de que a Rússia pode obter informações valiosas a partir de dados de teste que atualmente não possuem. Isso pode levar a mais Estados fazerem testes, à medida que modernizam seus arsenais. Nos EUA, algumas figuras políticas provavelmente pediriam isso, não querendo ser superados pela Rússia ou ficar para trás. Uma nova corrida armamentista nuclear surgiria com várias potências competindo, em meio a poucas restrições remanescentes do tratado. Ao abandonar o CTBT e expandir seus arsenais nucleares, a Rússia e quaisquer outros Estados que se juntassem a uma nova série de testes prejudicariam seriamente o Tratado de Não Proliferação.
O que poderia ser feito na iminência de um teste?
Um teste de armas nucleares russas não aconteceria do nada. Os serviços de inteligência seriam capazes de ver os preparativos com antecedência. Os EUA e o Reino Unido têm compartilhado atualizações regulares de inteligência de defesa desde antes da invasão da Ucrânia, para sinalizar à Rússia que seus motivos são transparentes e para ajudar os aliados a se coordenarem. Eles poderiam usar esse mesmo mecanismo para chamar a atenção para um próximo teste e tentar evitá-lo. Nesse caso, a comunidade internacional deve trabalhar em conjunto para impressionar a Rússia com sua seriedade e coerência contra um teste de armas nucleares. A resposta deve ser aumentar imediatamente as sanções até que a Rússia reverta qualquer preparação para o lançamento. A União Europeia deve agir mais rapidamente em relação às sanções do que antes. Conhecendo os riscos, outros Estados que até agora evitaram tomar posição podem mudar e se juntar à pressão transatlântica sobre a Rússia. A China e a Índia também têm um papel fundamental a desempenhar. Até agora, eles adotaram uma postura ambivalente em relação à Ucrânia, abstendo-se nos votos da ONU e recusando-se a condenar o governo russo externamente. No entanto, criticaram suas ameaças nucleares. A China tem mostrado que não está confortável com tamanha ousadia e também não quer ver a Rússia ou os EUA investindo na expansão e desenvolvimento de seus arsenais. Vendo tais preparativos de teste, a China poderia ameaçar retirar seu apoio político e econômico à Rússia, o que seria um duro golpe para as ambições militares de Putin.O que poderia acontecer caso o lançamento acontecesse?
Ao conduzir um teste de armas nucleares, Putin pode muito bem querer assustar os Estados ocidentais para que deixem de apoiar a Ucrânia. No entanto, é muito mais provável que os estados-membros da Otan, preocupados com a escalada, simplesmente dobrem seu apoio. Não há boas opções neste cenário: uma resposta convencional da Otan também pode ser uma escalada. Uma mudança nos níveis de alerta nuclear enviaria um forte sinal para a Rússia, mas também poderia provocar uma nova escalada. Uma nova corrida armamentista nuclear pareceria diferente daquela da Guerra Fria. Não seria mais uma corrida, em grande parte, entre a Rússia e os EUA, e certamente incluiria a China – e teria outras implicações na dinâmica nuclear regional. No caso de um teste nuclear russo, todos os outros países com armas do tipo (com exceção da Coreia do Norte, que provavelmente não aderiria) precisariam se unir contra isso e trabalhar para trazer a Rússia de volta à conformidade. A história tem vários exemplos em que o mundo esteve perto de uma guerra nuclear devastadora, sendo salvo pela boa sorte. Contar com a sorte não é uma boa estratégia, principalmente em uma situação tão complexa e tensa. Acrescentar a isso uma Rússia cada vez mais isolada, com um presidente que toma decisões sem a contribuição potencialmente moderada de outros altos funcionários, é um cenário para o desastre.Mais lidas
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