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China manda recado ao EUA para mudar postura ou sofrerão consequências catastróficas
Qin Gang adotou tom mais combativo em sua primeira aparição como ministro das Relações Exteriores chinês
"Se os Estados Unidos não pisarem no freio, mas continuarem acelerando no caminho errado, nenhuma barreira poderá impedir o descarrilamento e certamente haverá conflito e confronto”, disse Qin à margem do Congresso Nacional do Povo em Pequim. “E quem arcará com as consequências catastróficas?”, acrescentou.
No evento altamente roteirizado, Qin deu o tom da política externa da China para o próximo ano e além, repreendendo os EUA pelo aumento das tensões bilaterais e defendendo a estreita parceria de Pequim com Moscou.
Os laços entre as duas maiores economias do mundo estão em seu pior nível em décadas, e as tensões aumentaram ainda mais no mês passado, depois que um suposto balão espião chinês flutuou sobre a América do Norte e foi abatido por caças americanos.
Nesta terça-feira, Qin acusou os EUA de exagerar em sua resposta, que ele disse ter criado “uma crise diplomática que poderia ter sido evitada”.
O incidente, disse Qin, mostra que “a percepção e as visões dos EUA sobre a China estão seriamente distorcidas. Ela considera a China como seu principal rival e o maior desafio geopolítico”.
“Os EUA afirmam que buscam competir com a China, mas não buscam conflito. Mas, na realidade, a chamada ‘competição’ dos EUA é contenção e repressão total, um jogo de soma zero de vida e morte”, disse ele.
“A contenção e a repressão não tornarão a América grande, e os EUA não impedirão o rejuvenescimento da China”, disse Qin.