Mundo
Suspeito de vazar documentos do Pentágono é preso
O suspeito é Jack Teixeira, de 21 anos, integrante da Guarda Aérea Nacional de Massachusetts. Ele havia sido identificado pelo The New York Times antes de sua prisão
13/04/2023
Análise cuidadosa
O Departamento de Defesa ainda está analisando o assunto e tomou medidas para restringir o fluxo de tais documentos altamente confidenciais. O Pentágono fez um “esforço interagências” para avaliar o impacto do vazamento, mas autoridades dos EUA e aliados próximos já temem que as revelações possam colocar em risco fontes sensíveis e comprometer importantes relações estrangeiras. Os legisladores do Congresso também expressaram preocupação sobre o aparente escopo do vazamento e a sensibilidade dos documentos publicados online, mas permanecem no escuro sobre o que ocorreu.O que está nos documentos?
A CNN revisou 53 documentos vazados, todos os quais parecem ter sido produzidos entre meados de fevereiro e início de março. Eles contêm uma ampla gama de informações altamente confidenciais – fornecendo uma rara janela de como os EUA espionam aliados e adversários. Alguns dos documentos, que as autoridades americanas dizem ser autênticos, expõem a extensão da espionagem dos EUA em aliados importantes, incluindo Coreia do Sul, Israel e Ucrânia. Outros revelam até que ponto os EUA penetraram no Ministério da Defesa russo e na organização mercenária russa Grupo Wagner, em grande parte por meio de comunicações interceptadas e fontes humanas, que agora podem ser cortadas ou colocadas em perigo. Outros ainda divulgam as principais fraquezas no armamento ucraniano, defesa aérea e tamanho e prontidão do batalhão em um ponto crítico da guerra, à medida que as forças ucranianas se preparam para lançar uma contra-ofensiva contra os russos – e assim que os EUA e a Ucrânia começaram a desenvolver um relacionamento mais mutuamente confiável sobre o compartilhamento de inteligência. Um documento revela que os EUA têm espionado o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Isso não é surpreendente, disse uma fonte próxima a Zelensky, mas as autoridades ucranianas estão profundamente frustradas com o vazamento. O relatório de inteligência dos EUA, que tem como fonte a inteligência de sinais, diz que Zelensky no final de fevereiro “sugeriu atacar locais de implantação russos no Oblast de Rostov da Rússia” usando veículos aéreos não tripulados, já que a Ucrânia não possui armas de longo alcance capazes de chegar tão longe. A inteligência de sinais inclui comunicações interceptadas e é amplamente definida pela Agência de Segurança Nacional como “inteligência derivada de sinais e sistemas eletrônicos usados por alvos estrangeiros, como sistemas de comunicações, radares e sistemas de armas”. Outro documento descreve, em detalhes notáveis, uma conversa entre dois altos funcionários da segurança nacional sul-coreana sobre as preocupações do Conselho de Segurança Nacional do país sobre um pedido de munição dos EUA. Os funcionários temiam que fornecer a munição, que os EUA enviariam para a Ucrânia, violaria a política da Coreia do Sul de não fornecer ajuda letal a países em guerra. De acordo com o documento, um dos funcionários sugeriu então uma forma de contornar a política sem realmente mudá-la – vendendo a munição para a Polônia. O documento já gerou polêmica em Seul, com autoridades sul-coreanas dizendo a repórteres que planejam levantar a questão com Washington. Um relatório de inteligência sobre Israel, entretanto, provocou indignação em Jerusalém. O relatório, produzido pela CIA e obtido da inteligência de sinais, diz que a principal agência de inteligência de Israel, o Mossad, encorajou protestos contra o novo governo do país – “incluindo vários apelos explícitos à ação”, alega o relatório.Mais lidas
1