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“Cartum virou uma cidade fantasma”, diz brasileiro resgatado do Sudão à CNN

Esdras Lopes, da comissão técnica do Al-Merreikh, fala sobre a epopeia para fugir do país e conta que dois brasileiros tiveram de se arriscar em meio aos combates para se juntar ao grupo

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 29/04/2023
“Cartum virou uma cidade fantasma”, diz brasileiro resgatado do Sudão à CNN
Foto: Arquivo pessoal/Esdras Lopes
Os nove brasileiros resgatados do Sudão enfrentaram uma dura epopeia para retornarem ao Brasil em segurança. Integrantes do elenco e comissão técnica do Al-Merreikh, clube da cidade de Ondurman, chegaram ao Brasil na sexta-feira (28) e tiveram de passar por várias provações para fugir dos combates que assolam o país desde o último dia 15 e chegar ao Egito. À CNN, o assistente técnico e analista de desempenho do clube, Esdras Lopes, contou sobre as barreiras enfrentadas e falou sobre um dos momentos mais tensos que enfrentaram: quando dois colegas tiveram de deixar o hotel e sair às ruas de Cartum para se juntar ao resto do grupo. “Estava muito perigoso (onde eles estavam), então eles se arriscaram lá”. Esdras conta que, quando começou o conflito, o time tinha acabado de chegar ao país, após ter disputado duas competições internacionais: a Champions League africana e a Copa Árabe. “Ficamos viajando por cerca de dois meses. Tínhamos voltado alguns dias antes”. Na semana do conflito, ele conta que apenas dois dos brasileiros estavam concentrados: o fisioterapeuta Joílson Amorim e o atacante Paulo Sérgio. “Para aquele jogo a gente estava descansando os atletas, só um ia jogar”.
Por esse motivo o grupo não estava junto quando o conflito explodiu, no dia 15. “Eles ficaram presos no hotel por dois dias”, conta Lopes. No entanto, a situação precária do prédio em que se encontravam, mais o temor de que algumas das tropas invadisse o local, fizeram com que eles se arriscassem a sair pelas ruas de Cartum para se encontrar com os demais brasileiros.