Política
Abílio vira “noiva da eleição” em MT e se torna peça-chave na disputa entre Pivetta e Wellington pelo Governo
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), passou a ocupar uma posição estratégica no tabuleiro político de Mato Grosso para as eleições gerais de outubro
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), passou a ocupar uma posição estratégica no tabuleiro político de Mato Grosso para as eleições gerais de outubro. Com forte presença eleitoral na capital e influência crescente entre o eleitorado conservador, o gestor é hoje tratado nos bastidores como a “noiva da eleição”, disputado por diferentes grupos políticos que buscam consolidar alianças para a corrida ao Governo do Estado e ao Senado.
No centro dessa disputa estão dois nomes de peso da política mato-grossense: o senador Wellington Fagundes (PL) e o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), ambos apontados como pré-candidatos ao Governo do Estado.
A equação política ganha ainda mais relevância porque o atual governador Mauro Mendes (União) deve deixar o comando do Executivo estadual a partir de abril para disputar uma vaga ao Senado. Com isso, Pivetta assumirá definitivamente o Palácio Paiaguás, o que pode fortalecer seu projeto político para a sucessão estadual.
Neutralidade estratégica
Mesmo sendo do mesmo partido de Wellington Fagundes, Abílio tem adotado uma postura cautelosa diante do cenário eleitoral. O prefeito afirma manter amizade tanto com o senador quanto com o vice-governador, o que dificulta uma definição antecipada de apoio.
“Eu tenho uma grande amizade com o Pivetta, de muito tempo. Eu torço muito pelo sucesso dele, assim como torço pelo Wellington, que também é do meu partido. Estou em uma situação difícil porque gosto dos dois e não tenho como tomar partido”, afirmou o prefeito em entrevista coletiva.
A declaração ocorreu após agenda política em Brasília, onde Abílio esteve ao lado de Wellington Fagundes e do senador Flavio Bolsonaro (PL), durante reuniões políticas envolvendo lideranças da direita nacional.
Nos bastidores, no entanto, a avaliação é de que a postura de neutralidade do prefeito não está ligada apenas a questões pessoais, mas também a fatores administrativos. A Prefeitura de Cuiabá depende de parcerias com o Governo do Estado para obras, investimentos e programas públicos, o que exige uma relação institucional equilibrada com quem estiver no comando do Palácio Paiaguás.
Cuiabá no centro da disputa
Cuiabá concentra um dos maiores colégios eleitorais de Mato Grosso e exerce forte influência no resultado das eleições estaduais. Por esse motivo, o apoio do prefeito da capital passou a ser considerado um ativo político importante para qualquer candidatura competitiva ao governo.
Nos últimos meses, Pivetta tem intensificado a aproximação com lideranças da capital e prefeitos ligados ao PL. Um exemplo disso ocorreu recentemente, quando o vice-governador cumpriu agenda conjunta com Abílio no bairro Pedra 90, em Cuiabá.
Na ocasião, ambos participaram de compromissos institucionais relacionados à instalação de serviços do programa Ganha Tempo e realizaram vistoria técnica na Policlínica da região.
Além disso, os dois também estiveram juntos em uma visita institucional ao governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos), um dos principais nomes da direita nacional.
O fator Janaína Riva
Apesar da afinidade partidária entre Abílio e Wellington Fagundes, um fator político pode gerar desconforto dentro desse campo: a possível candidatura da deputada estadual Janaina Riva (MDB) ao Senado.
Janaína é nora de Wellington e seu nome é cogitado para disputar uma vaga na Câmara Alta dentro de uma eventual composição política do grupo do senador.
O problema é que o MDB mantém alinhamento com o governo do presidente Luiz Inacio Lula da Silva, o que gera resistência entre setores da direita e do eleitorado bolsonarista — base política que ajudou a impulsionar a eleição de Abílio à Prefeitura de Cuiabá.
Além disso, pesa no debate político a figura do pai da deputada, o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso Jose Geraldo Riva, personagem historicamente associado a escândalos de corrupção no Estado.
Para parte do eleitorado conservador, a eventual associação política com esse grupo poderia gerar desgaste eleitoral.
Bastidores da disputa
Nos bastidores da política mato-grossense, analistas avaliam que o apoio de Abílio é especialmente estratégico para o grupo político de Mauro Mendes e Otaviano Pivetta.
Isso porque, embora tenha forte presença no interior do Estado, o grupo governista ainda busca ampliar sua base eleitoral em Cuiabá, maior colégio eleitoral do Estado.
Nesse cenário, o prefeito da capital surge como um aliado capaz de transferir influência política e fortalecer a presença do grupo governista na região metropolitana.
Por outro lado, Wellington Fagundes possui uma estrutura partidária consolidada no interior de Mato Grosso e uma trajetória política de décadas, o que reduz sua dependência direta do apoio do prefeito de Cuiabá.
Mesmo assim, garantir o respaldo político de Abílio poderia representar um impulso importante para sua candidatura na disputa pelo governo.
Peça central do tabuleiro político
Diante desse cenário, a tendência é que Abílio mantenha uma postura cautelosa nos próximos meses, evitando antecipar posicionamentos eleitorais e preservando diálogo com diferentes grupos políticos.
A estratégia permite ao prefeito preservar sua base eleitoral, manter relações institucionais com o Governo do Estado e continuar exercendo influência na formação das alianças políticas que antecedem as eleições.
Enquanto os pré-candidatos intensificam articulações e negociações partidárias, Abílio permanece no centro do tabuleiro político de Mato Grosso.
Por ora, mantém o papel de “noiva da eleição” — cortejado por diferentes grupos e com potencial para influenciar diretamente os rumos da disputa pelo Governo do Estado e pelo Senado nas eleições de outubro.