Política

Na mira do MP: buscas atingem ex-prefeito e contratos de R$ 5,78 milhões em MT

Alcino Barcelos, candidato a deputado estadual, está entre os alvos de operação em Pontes e Lacerda; investigadores apuram suspeitas em licitações e analisam até uma negociação envolvendo 100 cabeças de gado

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM MP-MT 25/09/2026
Na mira do MP: buscas atingem ex-prefeito e contratos de R$ 5,78 milhões em MT
O Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) investiga suspeitas de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa relacionadas a contratos da prefeitura | Divulgação

A residência do ex-prefeito de Pontes e Lacerda Alcino Barcelos (PL) entrou na mira de uma operação do Ministério Público de Mato Grosso nesta sexta-feira (25). 

O Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) investiga suspeitas de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa relacionadas a contratos da prefeitura firmados entre 2017 e 2024. Alcino é candidato a deputado estadual.

As equipes cumprem 12 ordens judiciais no município. Parte da investigação se concentra na relação da administração municipal com a Concretubos Pré-Moldados Ltda.: foram identificados sete contratos com a empresa. Cinco deles, firmados entre 2022 e 2023, somaram cerca de R$ 4,7 milhões à época. Corrigido monetariamente, esse conjunto chega a aproximadamente R$ 5,78 milhões. O MP apura se houve favorecimento nas contratações.

A apuração também examina possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e particulares ligados aos contratos. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontaram movimentações consideradas suspeitas, que agora integram a investigação.

Cem cabeças de gado na negociação de uma propriedade rural são outro ponto sob análise. Segundo os investigadores, a compra da Estância Rancho Fundo I por Alcino previa o pagamento com animais da raça Nelore, mas não foram encontrados registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação. O MP busca esclarecer as circunstâncias do negócio.

Além das buscas, a Justiça autorizou acesso a dados telemáticos, quebra de sigilos bancário, fiscal e financeiro e indisponibilidade de bens, direitos e valores dos investigados. A operação conta com apoio da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado.

Procurado pela imprensa, Alcino informou que estava fora de Pontes e Lacerda e que se manifestaria após conhecer a investigação. As suspeitas ainda estão sendo apuradas; a operação não representa condenação dos investigados.