Política
Saiba o que pode acontecer com Gonet em sessão do Conselho Superior do MPF
Colegiado vai decidir se há elementos para abrir investigação sobre atuação do procurador-geral da República nas apurações do Banco Master
O Conselho Superior do MPF (Ministério Público Federal) se reúne nesta sexta-feira (25), às 10h, para decidir se há elementos suficientes para abrir uma investigação sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nas apurações relacionadas ao Banco Master.
O colegiado vai avaliar se deve designar um subprocurador-geral da República para investigar possível prática de crime atribuída a Gonet. A análise se concentra em sua atuação em dois procedimentos no STF (Supremo Tribunal Federal) que reúnem mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, nas quais o procurador-geral é mencionado.
O procedimento foi aberto após uma representação de parlamentares do Partido Novo, que questionaram a atuação de Gonet nas investigações envolvendo o Master. A sigla apresentou pedido para que Gonet se afaste do caso e para que a subprocuradoria da PGR atue no lugar dele.
Gonet nega manter relação de amizade com Vorcaro e afirma que não tem interesse pessoal nos processos envolvendo o ex-banqueiro. O procurador-geral também sustenta que está apto a continuar atuando nas investigações relacionadas à instituição financeira.
O que pode acontecer com Gonet?
O Conselho poderá decidir pela designação de um subprocurador-geral da República para examinar os fatos. Caberá ao integrante escolhido analisar o material e, se houver fundamento, promover eventual ação penal.
A possibilidade está prevista em uma lei complementar que dispõe sobre a organização, as atribuições e o estatuto do Ministério Público da União. Caso o colegiado entenda que não há elementos suficientes para o prosseguimento da apuração, a representação poderá ser arquivada.
A eventual designação de um subprocurador não significa que Gonet tenha cometido crime, nem representa seu afastamento do cargo de procurador-geral da República.
Os conselheiros também devem discutir se Gonet deveria se declarar suspeito ou impedido para atuar nos casos que envolvem o Master e Vorcaro.
Como será a sessão?
A sessão será presidida pelo vice-presidente do Conselho Superior do MPF, Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino, do STF. Ele substituirá Gonet, que é o presidente do colegiado, mas não participará da deliberação sobre o próprio caso.
O relator do procedimento é o subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino, responsável por apresentar o caso e seu voto aos demais integrantes.
Pelo Regimento Interno, após a apresentação do relatório, poderão ocorrer sustentações orais, caso sejam requeridas, com prazo de 15 minutos. Em seguida, o relator apresenta seu voto e os demais conselheiros votam em ordem inversa de antiguidade. Nicolao, como presidente da sessão, vota por último.
Qualquer conselheiro poderá pedir vista, ou seja, mais tempo para analisar o processo. Nesse caso, o julgamento será interrompido e deverá ser retomado na sessão ordinária seguinte, embora os demais integrantes possam antecipar seus votos.
O que motivou o procedimento?
A representação foi apresentada por parlamentares do Novo após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal.
O material aponta que o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, teria intermediado conversas entre o ex-banqueiro e Gonet entre 2024 e 2025.
Em março de 2025, Ciro encaminhou a Vorcaro uma foto ao lado do procurador-geral e afirmou que Gonet queria falar com ele. Na sequência, foram registradas chamadas telefônicas, incluindo uma ligação de três minutos e 49 segundos.

Outras mensagens encaminhadas pelo advogado a Vorcaro e atribuídas ao PGR tinham expressões como "estou na torcida por vocês" e "já com saudade de você".
Uma foto divulgada pelo jornal O Globo e confirmada à CNN pela PGR também mostra Gonet e Vorcaro durante um encontro em Londres, em abril de 2024. Na ocasião, o procurador-geral participou de um evento jurídico que contou com patrocínio do Banco Master.
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O que diz Gonet?
Em manifestação encaminhada ao Conselho Superior, Gonet negou manter relação de amizade com Vorcaro e afirmou que sua única interação presencial com o ex-banqueiro ocorreu durante o evento em Londres, na presença de outras autoridades.
O procurador-geral também classificou como breve e banal a ligação telefônica intermediada por Ciro Soares e negou que o contato tenha envolvido assuntos relacionados às suas atribuições profissionais.
Gonet sustenta que não há motivos para a abertura de um procedimento contra ele e afirma estar juridicamente apto a continuar atuando nos casos relacionados ao Banco Master.