Política

URNAS DERRUBAM PESOS-PESADOS DA ALMT E IMPÕEM DERROTAS ÀS FAMÍLIAS RIVA E CAMPOS

Botelho, Júlio Campos, Paulo Araújo, Elizeu Nascimento e Juca do Guaraná ficam sem novo mandato; Janaína Riva perde disputa pelo Senado e Jéssica Riva, mesmo com quase 26 mil votos, não consegue cadeira na Assembleia

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 04/10/2026
URNAS DERRUBAM PESOS-PESADOS DA ALMT E IMPÕEM DERROTAS ÀS FAMÍLIAS RIVA E CAMPOS
O resultado já mostrava uma eleição marcada pela derrota de parlamentares com mandato e de integrantes de famílias tradicionais da política mato-grossense | Midia News e RD News

As urnas de Mato Grosso redesenharam o mapa político do Estado neste domingo (4) e deixaram pelo caminho nomes conhecidos da Assembleia Legislativa. Com 99,99% das seções apuradas, apenas uma das 8.287 seções ainda faltava ser contabilizada no painel acompanhado pelo Página 12, e o resultado já mostrava uma eleição marcada pela derrota de parlamentares com mandato e de integrantes de famílias tradicionais da política mato-grossense.

Entre os atuais deputados estaduais que não conseguiram permanecer na Assembleia estão Eduardo Botelho (MDB), Júlio Campos (União Brasil), Paulo Araújo (Republicanos), Juca do Guaraná (PSDB) e Elizeu Nascimento (Novo). A renovação ocorre porque a eleição para deputado estadual obedece ao sistema proporcional: não basta estar entre os 24 mais votados nominalmente; o número de cadeiras conquistadas pelo partido ou federação interfere diretamente na definição dos eleitos.

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Um dos resultados mais emblemáticos é o de Botelho. Ex-presidente da Assembleia e um dos nomes mais conhecidos da política estadual, ele recebeu 37.359 votos e terminou na 15ª posição da votação nominal. Mesmo assim, ficou fora das cadeiras obtidas pelo MDB. À sua frente dentro do próprio partido aparecem Dr. João, com 55.953 votos; Léo Bortolin, com 51.023; e Thiago Silva, com 40.847.

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Outro nome de peso que não conseguiu renovar o mandato foi Júlio Campos. Ex-governador, ex-senador, ex-deputado federal e atual deputado estadual, Júlio recebeu 18.516 votos, segundo a parcial de 99,99% acompanhada pelo Página 12. O União Brasil teve Dilmar Dal Bosco, com 56.277 votos, e Sebastião Rezende, com 32.098, à frente na composição que garantiu as cadeiras da legenda.

Também ficou pelo caminho Paulo Araújo. O deputado do Republicanos somava 30.338 votos, ocupando a 22ª posição nominal. Ainda assim, não conseguiu uma das cadeiras destinadas à legenda. Elizeu Nascimento, com 17.663 votos, e Juca do Guaraná, com 17.349, também não aparecem entre os eleitos para a próxima legislatura.

Mas a noite eleitoral também atingiu diretamente a família Riva.

A deputada estadual Janaína Riva (MDB) deixou a disputa pela Assembleia para concorrer a uma das duas cadeiras de Mato Grosso no Senado. Como a eleição para senador é majoritária e são eleitos os dois candidatos mais votados, Janaína precisava terminar entre os dois primeiros para conquistar o mandato.

Ela não conseguiu a vaga.

Ao mesmo tempo, sua irmã, Jéssica Riva (MDB), tentou chegar à Assembleia Legislativa. Jéssica obteve 25.974 votos, aparecendo na 24ª colocação nominal na parcial de 99,99%. O número, entretanto, não foi suficiente para colocá-la entre os deputados estaduais eleitos, justamente em razão da distribuição proporcional das cadeiras.

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O resultado cria uma situação politicamente significativa: Janaína deixa a Assembleia para disputar o Senado e não se elege, enquanto Jéssica não consegue ocupar uma cadeira na ALMT. Assim, a família Riva sofre derrotas simultâneas nas duas disputas que travou neste domingo.

A família Campos também sai atingida das urnas. Júlio Campos, que tentava permanecer na Assembleia, ficou sem mandato apesar dos 18.516 votos registrados na parcial. O resultado interrompe sua permanência na Casa a partir da próxima legislatura.

O contraste da eleição fica ainda mais evidente quando se olha apenas para a classificação nominal. Botelho aparece em 15º lugar, Paulo Araújo em 22º e Jéssica Riva em 24º, mas nenhum deles está entre os eleitos. Isso ocorre porque as 24 cadeiras não são entregues simplesmente aos 24 candidatos individualmente mais votados. O desempenho dos partidos e federações participa do cálculo que define a composição final da Assembleia.

Do outro lado, nomes posicionados abaixo deles na classificação nominal conseguem mandato pela distribuição proporcional. É justamente essa característica que transforma a eleição para deputado em uma disputa não apenas entre candidatos, mas também entre chapas partidárias.

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Para alguns dos atuais parlamentares, portanto, a noite de domingo representou o fim da tentativa de reeleição. Botelho, Júlio Campos, Paulo Araújo, Juca do Guaraná e Elizeu Nascimento não conseguiram renovar seus mandatos, enquanto a disputa simultânea das irmãs Janaína e Jéssica Riva terminou sem cadeira no Senado para uma e sem vaga na Assembleia para a outra.

Com 99,99% das urnas apuradas e somente uma seção faltando, Mato Grosso encerra a eleição para a Assembleia com uma mensagem clara nos números: nomes tradicionais e votação individual expressiva não foram suficientes, por si só, para garantir mandato na próxima legislatura.

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