Política

Por que Alexandre de Moraes decidiu autorizar visitas de Flávio a Jair Bolsonaro após 3 meses de proibição

Moraes escreveu em sua decisão, porém, que os encontros não podem ter "finalidade político-eleitoral", incluindo a divulgação de qualquer declaração de Bolsonaro sobre a eleição, que se aproxima do segundo turno

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM BBC 12/10/2026
Por que Alexandre de Moraes decidiu autorizar visitas de Flávio a Jair Bolsonaro após 3 meses de proibição
Flávio Bolsonaro ficou impedido por 90 dias de visitar o pai, que está em prisão domiciliar, após divulgar carta escrita pelo ex-presidente | REUTERS

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) retome suas visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.

Moraes escreveu em sua decisão, porém, que os encontros não podem ter "finalidade político-eleitoral", incluindo a divulgação de qualquer declaração de Bolsonaro sobre a eleição, que se aproxima do segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro, com o enfrentamento entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A restrição a visitas havia sido imposta em julho, por 90 dias, por descumprimento de medidas cautelares, quando o ex-presidente escreveu uma carta de apoio à pré-candidatura de Flávio, violando as condições de sua prisão domiciliar.

O prazo de três meses expirou neste domingo (11/10).

"O período sancionatório de suspensão de visitas em virtude do descumprimento de condição judicial estabelecida para o cumprimento do regime domiciliar humanitário se encerrou, completando os 90 dias determinados na decisão judicial. Não houve qualquer fato superveniente que indicasse a necessidade de eventual prorrogação, como bem ressaltado em parecer da Procuradoria-Geral da República."

A carta de Bolsonaro

Na sua carta de julho, Jair Bolsonaro pediu que apoiadores deixassem de lado eventuais divergências e se empenhassem pela então pré-candidatura do filho, Flávio, à Presidência.

Ele escreveu que o senador é a melhor opção para livrar o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento, além de afirmar que confia nele para resgatar o país e conduzi-lo à paz e à prosperidade.

Bolsonaro também reforçou a necessidade de união em torno do projeto político, encerrando a mensagem com o lema "Deus, pátria, família e liberdade".

Leia a carta na íntegra abaixo:

Saudoso do contato com o povo ao qual devo lealdade. Escrevo num momento de decisão para todos nós.

O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato a presidencia, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violencia e do empobrecimento.

Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade. Um afetuoso abraço a todos na certeza de que juntos tudo faremos pela nossa pátria.

Deus, pátria, família e liberdade.

Carta aos brasileiros:

Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento.

Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade.

Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade.

Crédito,Divulgação

Legenda da foto,Carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro em julho

A condenação e a prisão de Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro e os outros ex-integrantes do seu governo foram condenados por cinco crimes relacionados a um plano de golpe de Estado para impedir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de assumir o poder após vencer as eleições de 2022.

O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, pelos crimes de: liderança de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Ele começou a cumprir sua pena no dia 22 de novembro de 2025, na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal.

Depois, foi transferido para a Papudinha, também em Brasília, até ter o benefício da chamada prisão domiciliar humanitária, decretada no dia 24 de março de 2026 por Moraes, por motivos de saúde.

Na ocasião, a Justiça determinou como medida cautelar a proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, o que teria sido descumprido no dia 13 de julho de 2026, quando foram suspensas as visitas de Flávio.