Política
CÂMARA À VENDA? GAECO MIRA 15 VEREADORES DE CUIABÁ E VG, CUMPRE 30 MANDADOS E INVESTIGA SUSPEITA DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA EM MT; VEJA NOMES
Operação Cathedra Venalis mobiliza mais de 200 policiais em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães; investigação apura corrupção, vantagens indevidas e possível cooptação de parlamentares em disputa pelo comando do Legislativo
Uma operação de grandes proporções, deflagrada nas primeiras horas desta terça-feira,20, colocou 15 vereadores de Cuiabá e Várzea Grande no centro de uma investigação sobre suspeitas de corrupção, obtenção de vantagens ilegais e possível atuação de uma organização criminosa envolvendo agentes públicos. Batizada de Cathedra Venalis, expressão em latim que significa "cadeira venal" ou "cargo negociado", a ofensiva do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) mobiliza mais de 200 policiais e cumpre 30 mandados de busca e apreensão em três municípios de Mato Grosso.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) confirmou oficialmente que 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá estão entre os investigados. As diligências ocorrem simultaneamente em imóveis e veículos relacionados aos alvos, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães, mediante autorização judicial.

Embora o Ministério Público ainda não tenha divulgado a relação oficial completa dos investigados, informações publicadas por veículos de comunicação identificam nomes conhecidos dos bastidores políticos da Baixada Cuiabana.
Em Cuiabá, foram apontados os vereadores Ilde Taques (Podemos), eleito presidente da Câmara Municipal para o biênio 2027/2028, e Alex Rodrigues (PV).
Em Várzea Grande, estão entre os parlamentares mencionados nas reportagens Wanderley Cerqueira (MDB), atual presidente da Câmara Municipal, Raul Curvo (Republicanos), Gisa Barros (Podemos) e Rogerinho Dakar (PSDB).
Também foram citados nas notícias sobre as diligências a diretora financeira da Câmara de Várzea Grande, Lorineide Inhan, conhecida como Lori, e o secretário Legislativo Samir Katumata.

Os nomes foram identificados em apurações da imprensa e ainda dependem de confirmação individual pelo Gaeco quanto à condição processual e às medidas judiciais aplicadas a cada pessoa.
A dimensão da operação foi oficialmente confirmada pelo Ministério Público. Segundo o Gaeco, as investigações procuram esclarecer a suposta atuação estruturada de um grupo que teria se dedicado à obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos e práticas de corrupção com potencial impacto sobre a administração municipal.
O foco das apurações são possíveis irregularidades relacionadas à Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande.
Nos bastidores da investigação está a eleição realizada em 14 de maio deste ano, quando Wanderley Cerqueira conquistou a recondução à presidência da Câmara por 12 votos a 11, derrotando Lucas do Chapéu do Sol (PL), aliado da prefeita Flávia Moretti (PL).
A votação foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão do ministro Dias Toffoli, devido à antecipação irregular da eleição para o biênio 2027/2028. A anulação ocorreu por questão relativa ao calendário eleitoral da Mesa Diretora e não constitui, por si só, prova de compra de votos.
Reportagens publicadas nesta terça-feira apontam que a investigação também envolve suspeitas de utilização de dinheiro para garantir apoio parlamentar. Uma denúncia encaminhada anteriormente ao Ministério Público mencionou ainda que vereadores teriam permanecido hospedados em uma chácara na região da Guia, em Cuiabá, supostamente sob vigilância de seguranças armados.

Outra informação divulgada pelo portal Muvuca Popular menciona a suspeita de pagamento de uma espécie de "mesada" a vereadores em troca de silêncio. Essas alegações ainda não foram comprovadas publicamente e não constam de forma específica na nota oficial apresentada pelo MPMT nesta terça-feira.
As diligências também chegaram a endereços ligados a figuras importantes da política várzea-grandense.
O presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira, confirmou ao VG Notícias que policiais estiveram na residência de sua mãe, no bairro Ipase, para cumprir mandado de busca e apreensão.
Também foram noticiadas buscas em imóveis ligados à vereadora Gisa Barros e à diretora financeira da Câmara, Lorineide Inhan.
Aparelhos celulares foram recolhidos durante as diligências, segundo as primeiras informações divulgadas pela imprensa. A análise do material poderá ajudar os investigadores a verificar eventuais comunicações, negociações e vínculos entre os envolvidos.
A Operação Cathedra Venalis reúne uma ampla estrutura de segurança pública, composta por integrantes do Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo.
Segundo o MPMT, mais de 200 policiais participam da ofensiva, que conta com equipes do Comando Regional I, Comando Regional II, Diretoria da Agência Central de Inteligência, Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Cavalaria, Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental, RAIO e Grupos de Apoio.

Os 30 mandados autorizados pela Justiça abrangem buscas domiciliares, pessoais e veiculares. O objetivo declarado das medidas é reunir novos elementos de prova e aprofundar as investigações.
A escolha do nome Cathedra Venalis chama atenção pelo significado da expressão latina.
Traduzida como "cadeira venal" ou "cargo negociado", a denominação faz referência direta ao objeto das investigações: suspeitas de práticas ilícitas relacionadas ao exercício de funções públicas.
A apuração busca esclarecer se agentes públicos teriam sido cooptados mediante vantagens indevidas e se houve atuação organizada para interferir em atividades da administração municipal.
A gravidade das hipóteses investigadas contrasta com a função institucional dos vereadores, eleitos para representar a população, fiscalizar o Executivo e zelar pela correta aplicação dos recursos públicos.

A operação, entretanto, ainda se encontra na fase de investigação, e as suspeitas não representam conclusão de culpa dos envolvidos.
Até o momento, não há confirmação oficial de prisões na ação, tampouco divulgação completa do conteúdo dos mandados ou das responsabilidades individualizadas dos investigados.
O Página 12 acompanha a Operação Cathedra Venalis e atualizará as informações à medida que o Gaeco divulgar novos detalhes. Os investigados têm assegurados os direitos à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.
