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Deslizamento na BR-376: PRF diz que cabia à concessionária decidir sobre fechamento da rodovia
Para especialista, via deveria ter sido totalmente interditada após 1º deslizamento, ocorrido 4 horas antes da tragédia. Duas pessoas morreram, e bombeiros estimam 30 desaparecidos. g1 aguarda retorno da concessionária
O deslizamento arrastou 15 carros e seis caminhões. Duas pessoas foram encontradas mortas, e a estimativa é a de que outras 30 estejam desparecidas, segundo Corpo de Bombeiros.
"Quem tem todo um inventário da rodovia, em relação a obras, a tudo que é feito na própria pista, como galerias, para garantir a segurança, é o órgão rodoviário responsável. Nesse caso, há uma concessão pública", afirmou Antônio Paim, superintendente da PRF.
De acordo com as autoridades, que atuam nas buscas no local, por causa da chuva intensa, o resgate se torna ainda mais difícil. A Defesa Civil do Paraná informou nesta terça que o trecho da BR-376 atingido pelo deslizamento corre risco de desabar.
O g1 entrou em contato com a concessionária Arteris Litoral Sul sobre a responsabilidade mencionada pela polícia e sobre os instrumentos usados para a tomada de decisão, porém, até a última atualização da reportagem, não havia recebido retorno.
Especialista considera que BR-376 deveria estar bloqueada
O engenheiro civil e mestre em transportes pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) Sergio Ejzenberg avalia que a pista deveria ter sido interditada logo após o primeiro deslizamento registrado na tarde de segunda-feira e que não poderia mais ter sido liberada.
Ele afirma que é possível prever desastres como este, em especial, por ser um local que já havia registrado queda de barreira na data.
"Não precisa ter sinal de alerta em uma rodovia como um todo, mas sim de um trecho, de um local que havia acabado de ocorrer um deslizamento. [...] Essa situação merecia uma intervenção específica, objetiva e direta e sem garantia de segurança, não poderia ter sido liberada", afirmou o profissional.
Para Ejzenberg, o desastre merece atenção e investigação rigorosa para que os responsáveis pela liberação sejam responsabilizados por todas as perdas causadas pelo deslizamento. Ele afirma que as vidas poderiam ter sido preservadas.
“É preciso saber que a pista já estava interrompida, então, é preciso saber quem liberou ela, com ordem de quem. [...] Era necessário avaliar se havia risco de um movimento maior, se aquilo foi um prenúncio ou só um pequeno movimento", afirmou.
Na terça-feira (29) a Defesa Civil afirmou que a concessionaria sabia dos riscos de deslizamento do local.
De acordo com o coronel Fernando Raimundo Schuning, a Arteris sabia que o volume de chuva apresentava riscos para o tráfego na pista e a empresa sabia da “vulnerabilidade técnica”.
Em nota enviada também na terça, a empresa respondeu que possui "programa permanente de monitoramento de encostas". Sobre o lugar onde foi registrado o deslizamento, a concessionária afirmou que o local é monitorado de forma periódica e que "não apresentava risco".