Política
R$ 28 MILHÕES PELO RALO! Governo de MT caça Instituto acusado de "máfia dos kits" com sobrepreço de 80%
A canetada que autoriza o Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) foi publicada na última sexta-feira (24), colocando o Instituto de Natureza e Turismo (Pronatur) e seu ex-presidente, Wilker Weslley Arruda e Silva, no centro de um furacão
O submundo das emendas parlamentares em Mato Grosso acaba de ganhar um novo e explosivo capítulo. O Governo do Estado oficializou a ofensiva contra o Instituto Pronatur, pivô de um esquema que teria transformado dinheiro público destinado a pequenos agricultores em lucro fácil para um grupo de privilegiados.
A canetada que autoriza o Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) foi publicada na última sexta-feira (24), colocando o Instituto de Natureza e Turismo (Pronatur) e seu ex-presidente, Wilker Weslley Arruda e Silva, no centro de um furacão jurídico. A acusação é de arrepiar: um desvio milionário de R$ 28 milhões através de kits agrícolas faturados com preços astronômicos.
Relatórios devastadores da Controladoria Geral do Estado (CGE) revelam que o esquema não tinha limites. Equipamentos básicos como roçadeiras, motocultivadores e perfuradores de solo — que deveriam ajudar quem mais precisa no campo — foram adquiridos com sobrepreços de até 80%.
Na prática, a investigação aponta que para cada dez reais gastos, oito podem ter sido "inflados" para alimentar o esquema.
O nome da operação, Suserano, é uma alusão ácida à Idade Média, onde nobres distribuíam favores em troca de lealdade cega. No Mato Grosso de 2024, o "nobre" principal seria o ex-secretário de Agricultura Familiar, Luluca Ribeiro (MDB), derrubado do cargo após o início das investigações.
A lista de alvos da operação é extensa e atinge desde empresários do ramo esportivo até familiares que operavam como engrenagens do sistema: Luluca Ribeiro: O ex-secretário sob suspeita. Alessandro do Nascimento e Ana Caroline Nascimento: Donos de empresas que lucravam com as vendas e Wilker Weslley: O rosto por trás do Instituto que abocanhava as emendas.
O Rastro do Dinheiro
As suspeitas explodiram quando o governo notou um aumento bizarro e injustificado em compras feitas através de institutos e entidades, driblando licitações tradicionais. Ao todo, a CGE já identificou mais de R$ 40 milhões em emendas sob suspeita total.
Agora, o PAR aberto contra o Pronatur pode resultar em multas pesadíssimas e na proibição do instituto de voltar a tocar em um único centavo de dinheiro público. A pergunta que fica no ar é: até onde ia o feudo montado dentro da Secretaria de Agricultura Familiar?