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Escândalo em VG: Polícia investiga ex-gerente de abrigo por suspeita de desvio de dinheiro de moradores de rua

Operação da Polícia Civil aponta saques indevidos, empréstimos fraudulentos e até exploração de internos em situação de extrema vulnerabilidade dentro de unidade pública

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 22/04/2026
Escândalo em VG: Polícia investiga ex-gerente de abrigo por suspeita de desvio de dinheiro de moradores de rua
O principal alvo da investigação é o ex-gerente da unidade, que ocupou o cargo até 2024 | Arquivo Página 12

Um escândalo de grandes proporções veio à tona em Várzea Grande. A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (22), a Operação Broquel, que investiga um suposto esquema de desvio de benefícios de moradores de rua dentro da Casa de Acolhimento Rogina Marques de Arruda.

O principal alvo da investigação é o ex-gerente da unidade, que ocupou o cargo até 2024 e é suspeito de praticar crimes de peculato majorado de forma continuada, segundo apuração conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor).

De acordo com as investigações, o suspeito teria se aproveitado da função pública e da relação de confiança com os acolhidos para se apropriar indevidamente de documentos pessoais, cartões bancários e benefícios assistenciais das vítimas — todas em situação de extrema vulnerabilidade social e psicológica.

Relatos colhidos pela Polícia Civil indicam que o ex-gerente realizava saques integrais dos benefícios dos internos e ainda contraía empréstimos bancários em nome deles, sem autorização.

Em um dos casos investigados, um acolhido teve um empréstimo consignado superior a R$ 16 mil formalizado em seu nome, com indícios de fraude.

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As vítimas, em sua maioria, são pessoas em situação de rua, muitas delas analfabetas, com dificuldades de comunicação, dependência química ou transtornos psiquiátricos — fatores que ampliam a condição de vulnerabilidade.

Além dos possíveis desvios financeiros, a investigação também apura denúncias de que internos teriam sido utilizados como mão de obra não remunerada em propriedade particular do suspeito.

Há ainda relatos de que ele utilizava intimidação e coação psicológica para manter o controle sobre os valores e evitar que o esquema fosse denunciado.

Por determinação da Justiça, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão domiciliar e quebra de sigilo de dados eletrônicos.

O investigado também foi afastado de suas funções públicas — ele atualmente ocupava outro cargo na Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande — e está proibido de manter contato com vítimas e testemunhas, além de não poder acessar unidades da assistência social do município.

A Casa de Acolhimento Rogina Marques de Arruda é um equipamento público destinado ao acolhimento de homens adultos em situação de rua, funcionando em regime integral.