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A punição de Israel contra soldados que vandalizaram estátua de Jesus no Líbano
O soldado que atingiu a estátua e o que fotografou o incidente receberão 30 dias de detenção militar, informaram as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês)
Uma imagem de um soldado israelense aparentemente golpeando uma estátua de Jesus Cristo com uma marreta no sul do Líbano gerou grande revolta após se espalhar nas redes sociais.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou ter ficado "chocado e triste" com o ocorrido. Já o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, pediu desculpas "por este incidente e a todos os cristãos que se sentiram ofendidos".
O soldado que atingiu a estátua e o que fotografou o incidente receberão 30 dias de detenção militar, informaram as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês).
As IDF também disseram que os dois soldados – cujos nomes não foram divulgados – serão "afastados do serviço de combate" após uma investigação.
Outros seis soldados que estavam no local e não intervieram nem relataram o incidente serão punidos separadamente, ainda de acordo com as Forças Armadas israelenses.
Segundo moradores da região, a estátua estava em uma cruz do lado de fora de uma casa na periferia de Debel, um dos poucos vilarejos onde os residentes permaneceram durante a guerra de Israel com o Hezbollah.
O líder da congregação de Debel, o padre Fadi Flaifel, disse à BBC: "Rejeitamos totalmente a profanação da cruz, nosso símbolo sagrado, assim como de todos os símbolos religiosos".
"Isso contraria a declaração dos direitos humanos e não reflete civilidade."
Ele alegou que atos semelhantes já haviam ocorrido antes.
O exército de Israel confirmou que a imagem que circula nas redes sociais é verdadeira e disse que vê o incidente "como algo grave", destacando que a conduta do soldado é "totalmente incompatível com os valores esperados de suas tropas".
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (21/4), as IDF afirmaram que uma investigação sobre o incidente "determinou que a conduta dos soldados se desviou completamente das ordens e valores das IDF" e expressaram "profundo pesar pelo incidente".
Informaram ainda que as tropas das IDF substituíram a estátua danificada "em total coordenação com a comunidade local". O comunicado enfatizou que suas operações no Líbano eram direcionadas "exclusivamente" contra o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, "e outros grupos terroristas, e não contra civis libaneses".
Milhares de soldados israelenses continuam a ocupar uma vasta área do sul do Líbano, mesmo após um cessar-fogo entre Israel e o Líbano entrar em vigor na semana passada.
O cessar-fogo interrompeu seis semanas de combates entre as forças israelenses e o grupo armado xiita Hezbollah, embora ambos os lados se acusem mutuamente de violações.
Repercussão internacional
Logo que as notícias sobre o ataque à estátua de Jesus no Líbano saíram, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, que é pastor batista, afirmou que "medidas rápidas, severas e públicas são necessárias".
Comentaristas de direita dos EUA rapidamente se manifestaram sobre a foto do soldado israelense atacando a estátua. "Horrível", escreveu Matt Gaetz, ex-conselheiro do presidente Donald Trump e ex-parlamentar, ao republicar a foto.
A ex-parlamentar americana Marjorie Taylor Greene também compartilhou a foto e escreveu: "'Nosso maior aliado', que recebe bilhões de dólares dos nossos impostos e armas todos os anos."
Pesquisas indicam uma queda recente no apoio a Israel nos EUA, seu aliado mais importante.
Uma pesquisa do Pew Research Center, um think tank (centro de pesquisa) americano, mostrou que 60% dos adultos entrevistados nos EUA tinham uma visão desfavorável de Israel, um aumento em relação aos 53% registrados no ano anterior.
No mês passado, houve uma indignação internacional depois que a polícia israelense impediu o principal líder católico romano em Jerusalém de entrar na Igreja do Santo Sepulcro para uma missa privada no Domingo de Ramos. As autoridades israelenses argumentaram que a medida havia sido tomada por questões de segurança.
Huckabee classificou o episódio como um "excesso de poder lamentável que já está tendo grandes repercussões em todo o mundo".
Com as restrições israelenses permitindo reuniões religiosas de até 50 pessoas na época, ele disse que a decisão de negar a entrada aos líderes da Igreja era "difícil de entender ou justificar".
Um relatório de 2025 do Centro Rossing, uma organização sediada em Jerusalém que visa promover melhores relações inter-religiosas na Terra Santa, descreve um "aumento recente na animosidade declarada contra o cristianismo", atribuindo isso a "um aprofundamento contínuo da polarização e das tendências políticas ultranacionalistas".
A publicação de Benjamin Netanyahu sobre a estátua de Jesus foi escrita em inglês. Nela, ele afirmava que "a população cristã em Israel prospera, ao contrário de outras partes do Oriente Médio".
"Israel é o único país da região em que a população cristã e o padrão de vida estão crescendo. Israel é o único lugar no Oriente Médio que adere à liberdade de culto para todos", escrever Netanyahu.
O Hezbollah começou a disparar foguetes contra Israel em apoio ao Irã dois dias depois de Israel e dos EUA terem lançado uma guerra contra Teerã no final de fevereiro.
Israel iniciou uma campanha militar no Líbano em 2 de março, na qual mais de um milhão de libaneses foram deslocados e mais de 2.290 pessoas foram mortas, incluindo 177 crianças e 100 profissionais de saúde, segundo autoridades libanesas. Treze soldados israelenses e dois civis foram mortos em ataques do Hezbollah no mesmo período, afirmam autoridades israelenses.