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EUA e Irã chegam a acordo de paz e Trump diz que estreito de Ormuz vai reabrir; o que se sabe
Em um segundo post, o presidente dos EUA afirmou que a abertura do estreito aconteceria após a assinatura do acordo, prevista para próxima sexta-feira,19
O presidente americano, Donald Trump, afirmou na noite de domingo (14/06) que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para encerrar o conflito entre os dois países, que começou em 28 de fevereiro.
"O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído", escreveu Trump na rede Truth Social.
"Autorizo integralmente a abertura do estreito de Ormuz sem restrições e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos", ele acrescentou, referindo-se à passagem marítima que acabou bloqueada por conta da guerra, uma importante via de transporte para o comércio de petróleo.
"Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!"
Em um segundo post, o presidente dos EUA afirmou que a abertura do estreito aconteceria após a assinatura do acordo, prevista para próxima sexta-feira (19/06).
Trump se manifestou após declaração do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciando um acordo de paz entre americanos e iranianos.
"Ambos os lados declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano", disse em comunicado.
"A cerimônia oficial de assinatura será na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. Gostaríamos de agradecer aos Estados Unidos da América e à República Islâmica do Irã por seu compromisso em encontrar uma solução diplomática para o conflito."
Nem Sharif nem Trump deram detalhes sobre os termos do acordo. O primeiro-ministro paquistanês afirmou que "mediadores irão facilitar uma série de reuniões nesta semana", e que estas serão "discussões prévias à implementação que lançarão as bases para as negociações técnicas e a cerimônia oficial de assinatura".
Em um telefonema transmitido pela TV estatal do Irã, vice-ministro das Relações Exteriores do país, Kazem Gharibabadi, confirmou que o acordo será firmado na sexta-feira na Suíça.
"Um fim imediato e permanente à guerra e às operações militares em diferentes frentes, incluindo o Líbano, será anunciado esta noite", disse ele, acrescentando que o bloqueio naval dos EUA contra o Irã também será suspenso neste domingo.
Os mercados na Ásia reagiram com forte alta à notícia.
O índice Nikkei 225 do Japão subiu cerca de 5%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul teve alta de 4,8%.
Os mercados de ações da região têm apresentado grande volatilidade nos últimos meses, com as ações frequentemente subindo ou caindo em resposta aos desdobramentos da guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
As economias asiáticas foram fortemente afetadas pelo fechamento do estreito de Ormuz, pois dependem do Oriente Médio para o fornecimento de petróleo e gás.
O que se sabe sobre o acordo
Os detalhes do acordo não foram divulgados — mas repórteres da BBC dizem que o futuro do programa nuclear iraniano, que é um dos pontos centrais na disputa entre os EUA e o Irã, segue incerto.
O correspondente da BBC nos EUA, Anthony Zurcher, afirma que "ao que tudo indica, o futuro do programa nuclear iraniano – a razão declarada por Trump para o início da guerra – está sujeito a novas negociações".
O repórter da BBC Tom Bateman, que cobre o Departamento de Estado dos EUA, disse que a prioridade do novo acordo será estender o cessar-fogo de 8 de abril por mais 60 dias sem hostilidades, com o fim do bloqueio americano em troca pela abertura do estreito de Ormuz, enquanto ambos os lados se comprometem com negociações.
"Ainda não temos o texto completo, mas, com base na forma como o acordo estava sendo apresentado pelo governo no final da semana passada, ele não resolve de forma conclusiva as questões que aparentemente motivaram o ataque de Trump, nem aquelas que levaram à agressiva retaliação iraniana", diz Bateman.
"Para chegar a algo que ambos os lados possam apresentar como uma vitória, Trump precisa de uma proibição de longo prazo (pelo menos 20 anos) e verificável do enriquecimento nuclear por Teerã."
"O Irã precisa de um alívio abrangente das sanções e acesso a dezenas de bilhões de dólares em receitas petrolíferas congeladas. Essas questões sempre foram pontos centrais de atrito."
Bateman diz que, embora o acordo fale em "entendimentos" para futuras discussões, "até onde sabemos, ele não contempla nenhum deles de forma significativa".
O principal correspondente da BBC nos EUA, Gary O'Donoghue, disse que o acordo anunciado é, na verdade, "apenas o começo".
"Ele vai dar início a um período de 60 dias durante o qual os EUA e o Irã terão que concordar sobre como destruir e remover o material nuclear iraniano. Isso, por si só, pode facilmente fracassar", diz O'Donoghue.
"O status exato do estreito de Ormuz também é um ponto sobre o que ainda existem opiniões divergentes."
"Muitas dessas questões permanecerão sem resposta até que o texto final completo seja divulgado."
O'Donoghue destaca que nem Israel e nem o Hezbollah serão signatários do acordo — e que ainda não está claro o que acontecerá em relação ao conflito entre Israel e o Líbano.
Reações
O governo de Israel ainda não se pronunciou oficialmente sobre o acordo.
Mas o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que é um político da direita radical, criticou o acordo nesta segunda-feira (15/06).
"Não somos parceiros deste acordo que não garante nossa segurança e não nos vincula de forma alguma", disse Ben-Gvir.
Ele diz que Israel não deve se contentar com nada menos do que "o desmantelamento do Hezbollah", instando à continuidade das ações contra o grupo político armado libanês.
Ben-Gvir tem criticado frequentemente seu próprio governo e já sofreu sanções impostas pelo Reino Unido e outros países por "repetidas incitações à violência contra comunidades palestinas".
Já o Egito elogiou o anúncio de domingo. O Ministério das Relações Exteriores descreveu o acordo como uma "novidade altamente significativa" que restaurará a "segurança e a estabilidade" na região e em todo o mundo.
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E disse ainda esperar que este seja "um ponto de virada importante" na criação de "um ambiente favorável à paz" e na resolução de outras questões no Oriente Médio.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou o acordo, mas afirmou que "a prioridade agora é a sua implementação rápida e completa por todas as partes".
Von der Leyen defendeu a "reabertura imediata do estreito de Ormuz", descrevendo a liberdade de navegação como "essencial para a estabilidade regional e para a economia global".
Ela disse que o acordo abre caminho para negociações mais amplas sobre paz e segurança no Oriente Médio.
"E, claro, não pode haver paz no Oriente Médio enquanto o Líbano estiver em chamas. Mais uma vez, a Europa apela a todas as partes para que respeitem a soberania e a integridade territorial do Líbano e implementem um cessar-fogo genuíno", disse von der Leyen.
Ela lembrou que os líderes europeus que estarão reunidos em uma cúpula do G7 esta semana, na França, discutirão o assunto.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que aguarda "com expectativa o fim desta guerra cara".
O premiê britânico, Keir Starmer, disse esperar que o acordo firmado entre os EUA e o Irã "restaure a liberdade de navegação no estreito de Ormuz".