Política

Jayme chora a derrota, vai ao comitê de Wellington e mira Mauro e Pivetta

Derrotado no União Brasil por 30 a 19, senador se aproxima de Wellington Fagundes e transforma Mauro Mendes e Otaviano Pivetta nos principais alvos de sua reação política

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 13/08/2026
Jayme chora a derrota, vai ao comitê de Wellington e mira Mauro e Pivetta
Depois de perder por 30 votos a 19 a disputa interna pelo direito de lançar candidatura própria ao Governo, o senador passou a frequentar o ambiente político do candidato do PL | Página 12

A derrota de Jayme Campos na convenção do União Brasil ainda está produzindo efeitos — e o mais evidente deles é sua aproximação com Wellington Fagundes.

Depois de perder por 30 votos a 19 a disputa interna pelo direito de lançar candidatura própria ao Governo, o senador passou a frequentar o ambiente político do candidato do PL, enquanto intensifica as críticas ao ex-governador Mauro Mendes e ao governador Otaviano Pivetta.

Jayme queria ser o candidato do próprio partido. Durante semanas, dizia ter a maioria dos convencionais e chegou a afirmar que contava com 35 dos 50 votos. A realidade da urna, porém, foi outra. A proposta de apoiar Pivetta venceu e levou o União Brasil para o palanque do governador.

O resultado foi uma derrota pessoal e política para Jayme. E o senador não escondeu a frustração. Após a votação, classificou o processo como “desigual e desonesto”, falou em “rolo compressor” e afirmou que, se tivesse conseguido disputar a eleição, teria certeza de que venceria.

É nesse contexto que sua presença ao lado de Wellington ganha peso. Não é apenas uma aproximação entre dois políticos. É o movimento de um senador que perdeu dentro do União e agora aparece no campo adversário do grupo que venceu a disputa interna.

E os alvos estão cada vez mais claros: Mauro Mendes e Otaviano Pivetta.

Mauro foi o principal articulador da tese derrotada por Jayme e, como presidente estadual do União Brasil, conduziu o partido para o apoio a Pivetta. O governador, por sua vez, tornou-se o beneficiário direto da decisão.

A matemática política é simples: Mauro ganhou a batalha dentro do partido, Pivetta ficou com o apoio do União e Jayme ficou sem a candidatura que pretendia disputar.

É difícil ignorar o simbolismo de, poucos dias depois dessa derrota, Jayme aparecer no comitê de Wellington.

O senador que pretendia liderar o projeto do União agora se aproxima justamente do candidato que disputa espaço com o grupo de Mauro e Pivetta. A derrota interna, portanto, começa a ganhar uma segunda etapa: a guerra política fora do partido.

Jayme já vinha confrontando Mauro antes da convenção. Criticava a decisão do ex-governador de apoiar Pivetta e reclamava que o União não havia sido consultado sobre a escolha. Em julho, afirmou que Mauro tinha direito de apoiar quem quisesse, mas que o partido não havia sido ouvido.

Depois da derrota, o tom subiu.

E agora a presença de Jayme no entorno de Wellington reforça a leitura de que o senador não pretende simplesmente aceitar o resultado e voltar para casa.

Ele perdeu o partido, mas ainda tem votos.

Essa é justamente a parte mais importante da equação.

A derrota na convenção não significa que Jayme tenha perdido sua base eleitoral. Significa que perdeu o controle da estrutura partidária que pretendia utilizar para chegar ao Palácio Paiaguás. São coisas diferentes.

E Wellington pode ser o principal beneficiário dessa diferença.

Enquanto Reinaldo Moraes aproxima Wellington do bolsonarismo, do agronegócio e do interior, Jayme representa uma possibilidade de conexão política com Várzea Grande e a Baixada Cuiabana.

É aí que a presença do senador deixa de ser apenas simbólica e passa a ter potencial eleitoral.

Wellington precisava de um vice que fortalecesse sua identidade bolsonarista. Escolheu Reinaldo. Mas a escolha deixou aberta uma questão territorial: quem ajudará a chapa a avançar na Baixada?

Jayme pode ser uma das respostas.

Não porque tenha se tornado formalmente vice ou integrante da chapa, mas porque possui uma trajetória política construída na região e uma estrutura própria que não desapareceu com a derrota no União.

Por isso, a aproximação entre Jayme e Wellington incomoda mais do que uma simples fotografia de campanha.

Ela pode significar a transferência de uma parte do capital político de Jayme para um adversário direto de Pivetta.

E é justamente isso que Mauro e Pivetta precisam observar.

Porque Mauro pode ter vencido Jayme na convenção, mas não necessariamente venceu Jayme nas urnas.

O resultado de 30 a 19 garantiu ao grupo governista o controle do União. Não garantiu automaticamente os votos do senador.

Essa será a próxima batalha.

Jayme terá de decidir se transforma sua derrota em acomodação ou em combustível político. Até agora, seus discursos e sua aproximação com Wellington apontam mais para a segunda alternativa.

A eleição começa, então, a desenhar uma nova configuração: Wellington tem Bolsonaro e o PL; Reinaldo acrescenta agronegócio e interior; Jayme pode acrescentar Baixada. Do outro lado, Mauro tem o União e Pivetta tem a candidatura governista.

O que está em disputa agora não é mais a convenção do União.

Essa batalha já terminou.

Mauro venceu. Pivetta venceu. Jayme perdeu.

A próxima batalha será pelas consequências dessa derrota.

E talvez a pergunta mais incômoda para o grupo governista seja justamente esta:

Mauro ganhou a convenção. Pivetta ganhou o União. Mas quem vai ficar com os votos de Jayme Campos?