Política

ENTRE RISOS E RECADO POLÍTICO: Jayme Campos recua da “brincadeira” com Wellington Fagundes e expõe o jogo bruto dos bastidores

O que foi apresentado ao público como descontração, na verdade, carrega três mensagens políticas claras

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 30/01/2026
ENTRE RISOS E RECADO POLÍTICO: Jayme Campos recua da “brincadeira” com Wellington Fagundes e expõe o jogo bruto dos bastidores
Sem perceber, Jayme transformou uma tentativa de amenizar a fala em confissão involuntária do nível de articulação que já ocorre longe dos microfones | O Livre

A entrevista que tentou reduzir a polêmica a uma simples piada acabou, na prática, revelando muito mais do que pretendia esconder. Ao classificar como “brincadeira” a fala sobre uma possível composição eleitoral envolvendo as esposas como vices, Jayme Campos não apenas recuou do enredo anterior — escancarou a lógica real das negociações que fervem nos bastidores da sucessão ao Paiaguás.

O que foi apresentado ao público como descontração, na verdade, carrega três mensagens políticas claras.

Quando Jayme diz que foi “só uma brincadeira” após ter detalhado, dias antes, dois cenários de composição, ele confirma que o assunto foi tratado com naturalidade entre os dois senadores. Ninguém brinca com aquilo que nunca esteve na mesa.

A hipótese era objetiva: Quem estivesse melhor nas pesquisas receberia o apoio do outro; A vice sairia do núcleo familiar do aliado.

Isso não nasce do improviso. Nasce de conversa política real.

A reação pública negativa obrigou Jayme a reposicionar o discurso. Mas o estrago simbólico já estava feito: a população ouviu, da boca de um senador da República, que a vice-governadoria poderia ser tratada como moeda de composição familiar.

Ainda que dita em tom leve, a frase expôs uma prática antiga: a política tratada como arranjo doméstico entre grupos tradicionais.

Ao dizer que segue pré-candidato e que só recua se o partido decidir, Jayme envia um recado duplo: Para Wellington: a porta não está fechada; Para o próprio partido: ele não aceita ser rifado.

O “foi brincadeira” funciona como freio de danos, não como desmentido político.

Sem perceber, Jayme transformou uma tentativa de amenizar a fala em confissão involuntária do nível de articulação que já ocorre longe dos microfones.

Porque, no fim, a questão não é se foi brincadeira.

A questão é: por que essa “brincadeira” fazia tanto sentido no contexto real das negociações?

E essa pergunta ficou no ar.

Hoje, o discurso público diz que não há aliança.

Mas os bastidores, expostos pelo próprio senador, mostram que a matemática das pesquisas, os acordos de apoio e até os nomes da vice já circulam nas conversas reservadas.

Entre a piada e a política, a entrevista acabou revelando mais do que pretendia esconder.