Polícia

“Sou coronel”: comandante da PM é detido após acusação de importunar mulheres em esquenta de Carnaval em Cuiabá

Oficial teria passado a mão nas pernas e partes íntimas de jovens, resistido à abordagem policial e ameaçado colegas de farda no Posto Serafas, ao lado da Praça 8 de Abril

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PM-MT/COM PC-MT/COM GAZETA DIGITAL 25/01/2026
“Sou coronel”: comandante da PM é detido após acusação de importunar mulheres em esquenta de Carnaval em Cuiabá
O caso é investigado como importunação sexual, desacato e ameaça | Rafael Trindade

O que era para ser apenas um esquenta de Carnaval na região central de Cuiabá terminou em ocorrência policial envolvendo um dos mais altos postos da Polícia Militar no interior do estado.

O tenente-coronel Welington Rodrigues Mendonça, 44 anos, comandante da PM em Peixoto de Azevedo e integrante da corporação desde o ano 2000, foi detido na madrugada deste domingo (25) após ser acusado por mulheres de importunação sexual em um posto de combustíveis no bairro Popular, ao lado da Praça 8 de Abril.

Segundo relatos das vítimas, o oficial se aproximou de uma roda de amigos e, sem qualquer consentimento, passou a mão na coxa de uma das jovens que estava sentada. Ao tentar se afastar, ela teria sido empurrada por ele. A amiga da vítima trocou de lugar e afirmou que as duas namoravam, numa tentativa de afastá-lo. Mesmo assim, o militar apertou o braço de uma delas com força e afirmou em tom intimidatório: “eu sou coronel”.

Testemunhas relataram que o mesmo homem já teria praticado condutas semelhantes minutos antes, durante o esquenta de Carnaval na própria Praça 8 de Abril, onde blocos ensaiavam. Ele teria passado a mão nas partes íntimas de outras mulheres no local.

Diante da insistência e da situação constrangedora, a vítima tentou reagir com um soco, mas teve o braço contido pelo oficial, que continuou no local incomodando o grupo.

A PM foi acionada via Ciosp para conter a confusão no Posto Serafas (Emboava). Ao chegar, os policiais pediram a identificação funcional do suspeito, que foi apresentada.

Mesmo na presença da guarnição, segundo o boletim, o tenente-coronel voltou a avançar contra uma das vítimas, segurando seu braço enquanto questionava o que ela dizia aos policiais.

Por questão de segurança, foi solicitado que ele entregasse sua arma de fogo. O oficial se recusou, passou a proferir ameaças e xingamentos contra os próprios colegas de farda, com frases como:

“Vou lembrar disso”,
“Vocês estão fundidos”,
além de chamar um cabo da PM de “merda”.

A situação foi registrada pelos policiais e pelo oficial de área.

Ainda conforme os relatos, durante a abordagem às jovens, o militar afirmou que era casado e tentou constrangê-las a não registrarem a ocorrência.

O tenente-coronel negou as acusações, alegando que apenas tentou conhecer as mulheres e se afastou após a negativa. No entanto, diante dos relatos das vítimas e testemunhas, ele foi conduzido à delegacia.

A Corregedoria da Polícia Militar foi comunicada sobre a conduta do oficial e deverá instaurar procedimento interno para apuração dos fatos.

O caso é investigado como importunação sexual, desacato e ameaça.