Polícia

OPERAÇÃO “GORJETA” EXPLODE NA CÂMARA DE CUIABÁ: Chico 2000 é afastado, Chiroli e servidores viram alvo por desvio de emendas

Ação da Deccor cumpriu 75 ordens judiciais, bloqueou R$ 676 mil, sequestrou veículos e imóveis, afastou o vereador Chico 2000 e dois servidores, e colocou o empresário João Nery Chiroli no centro de um esquema em que parte das emendas “voltava”

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 27/01/2026
OPERAÇÃO “GORJETA” EXPLODE NA CÂMARA DE CUIABÁ: Chico 2000 é afastado, Chiroli e servidores viram alvo por desvio de emendas
Cuiabá amanheceu nesta terça-feira,27, com polícia dentro da Câmara Municipal | PC-MT/Câmara de Cuiabá

Cuiabá amanheceu nesta terça-feira,27, com polícia dentro da Câmara Municipal. A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) deflagrou a Operação Gorjeta e revelou um suposto esquema que, segundo as investigações, transformava emendas parlamentares em moeda de retorno clandestino.

O principal alvo é o vereador Chico 2000 (PL), ex-presidente da Casa, afastado do mandato por decisão judicial. Dois servidores do Legislativo, apontados como assessores diretos, também foram afastados. Entre os investigados está ainda o empresário João Nery Chiroli, da Chiroli Uniformes, alvo de buscas.

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A Justiça autorizou 75 ordens judiciais. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, 12 ordens de acesso a dados de celulares e dispositivos eletrônicos, além do bloqueio de R$ 676.042,32 em contas de nove pessoas físicas e jurídicas. A decisão também determinou o sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.

Mais de 40 policiais civis da Diretoria de Atividades Especiais (DAE) participaram da ação.

De acordo com a Deccor, o grupo teria se organizado para direcionar emendas a um instituto sem fins lucrativos e a uma empresa específica. O detalhe que acendeu o alerta: parte do valor repassado retornaria ao vereador responsável pela indicação.

As condutas investigadas apontam para indícios de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

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Seis investigados foram submetidos a medidas cautelares severas: Proibição de contato entre si e com testemunhas; Proibição de acesso à Câmara e à Secretaria Municipal de Esportes; Proibição de deixar a comarca e entrega de passaportes.

Além disso, Prefeitura e Câmara estão proibidas de contratar ou nomear qualquer investigado. O Município também não pode realizar pagamentos às empresas envolvidas.

A decisão judicial determinou a suspensão das atividades do instituto investigado e ordenou que a Controladoria-Geral do Município realize auditoria em todos os termos de parceria firmados com a Prefeitura.

O recado institucional é direto: o pente-fino vai além dos nomes e alcança os contratos.

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As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, o que reforça a robustez jurídica da operação e a gravidade dos indícios reunidos.

A reportagem tentou contato com a defesa do vereador Chico 2000, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

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A Operação Gorjeta não mira apenas pessoas. Ela lança luz sobre o caminho das emendas dentro da Câmara e levanta uma dúvida incômoda nos bastidores do poder: quantas emendas podem ter virado “gorjeta” antes da polícia bater à porta?

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