Política
A equação de Wellington: Bolsonaro ganhou a vice, mas quem ganha a baixada?
Depois de Maluf e Farina, Reinaldo Moraes chega à vice com o aval de Michelle Bolsonaro — mas a escolha abre uma nova pergunta: qual é o verdadeiro peso eleitoral do terceiro nome na Baixada Cuiabana?
A escolha de Reinaldo Moraes para vice de Wellington Fagundes encerra a maior novela da composição majoritária do PL, mas abre uma questão eleitoral ainda mais importante.
A chapa resolveu sua equação política, mas resolveu sua equação geográfica?
O histórico da escolha ajuda a entender.
Primeiro, Wellington trabalhou com Marcelo Maluf, do Novo, nome de Cuiabá. Depois, surgiu Alencar Farina. Finalmente, chegou Reinaldo Moraes, o “Rei do Porco”.
A diferença é que Reinaldo não apareceu apenas como uma alternativa interna.
Seu nome recebeu o convite de Michelle Bolsonaro, conforme divulgado pelo próprio entorno político do empresário.
E, ao final, foi justamente ele quem ficou com a vaga.
A mensagem política é evidente.
A chapa escolheu identidade
Wellington optou por uma composição que reforça três marcas: bolsonarismo, agronegócio e interior.
É uma escolha coerente do ponto de vista político.
Reinaldo tem identidade com o setor produtivo e com o interior, enquanto a ligação com a família Bolsonaro agrega uma marca nacional à candidatura.
A questão é que uma eleição majoritária não se resume à identidade política.
Existe também a matemática territorial.
O vazio da baixada
Wellington tem sua principal trajetória política construída no Sul de Mato Grosso.
Reinaldo vem do interior e do agronegócio.
E a chapa, ao abandonar Maluf e escolher Reinaldo, deixa de utilizar a vice como instrumento de aproximação direta com Cuiabá.
Esse é o ponto.
Não significa que Reinaldo não possa ter votos na Baixada.
Significa que ele não chega à chapa como um nome cuja principal capital político esteja justamente ali.
Portanto, a vice não resolve essa necessidade.
E, numa disputa pelo Governo de Mato Grosso, isso importa.
Cuiabá e Várzea Grande não são apenas cidades importantes.
São o coração político e eleitoral da Baixada.
A decisão de Wellington
A escolha pode ser resumida assim:
Wellington precisava decidir entre um vice que ampliasse a composição territorial ou um vice que fortalecesse sua identidade política.
No final, prevaleceu a segunda opção.
Reinaldo é mais importante para a identidade bolsonarista da chapa do que para a expansão territorial dela na Baixada.
Essa é a leitura que a composição final permite fazer.
Agora Wellington terá de buscar essa ampliação por outros caminhos.
Prefeitos.
Vereadores.
Lideranças locais.
Partidos.
E alianças específicas em Cuiabá e Várzea Grande.
Porque a escolha do vice resolveu uma parte da equação.
Mas deixou outra intacta.
E essa outra atende pelo nome de Baixada Cuiabana.