Política

A equação de Wellington: Bolsonaro ganhou a vice, mas quem ganha a baixada?

Depois de Maluf e Farina, Reinaldo Moraes chega à vice com o aval de Michelle Bolsonaro — mas a escolha abre uma nova pergunta: qual é o verdadeiro peso eleitoral do terceiro nome na Baixada Cuiabana?

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 13/08/2026
A equação de Wellington: Bolsonaro ganhou a vice, mas quem ganha a baixada?
A grande pergunta agora é se essa terceira escolha será apenas o ponto final de uma novela interna ou se conseguirá produzir efeito eleitoral real | Página 12

A escolha de Reinaldo Moraes para vice de Wellington Fagundes encerra a maior novela da composição majoritária do PL, mas abre uma questão eleitoral ainda mais importante.

A chapa resolveu sua equação política, mas resolveu sua equação geográfica?

O histórico da escolha ajuda a entender.

Primeiro, Wellington trabalhou com Marcelo Maluf, do Novo, nome de Cuiabá. Depois, surgiu Alencar Farina. Finalmente, chegou Reinaldo Moraes, o “Rei do Porco”.

A diferença é que Reinaldo não apareceu apenas como uma alternativa interna.

Seu nome recebeu o convite de Michelle Bolsonaro, conforme divulgado pelo próprio entorno político do empresário.

E, ao final, foi justamente ele quem ficou com a vaga.

A mensagem política é evidente.

A chapa escolheu identidade

Wellington optou por uma composição que reforça três marcas: bolsonarismo, agronegócio e interior.

É uma escolha coerente do ponto de vista político.

Reinaldo tem identidade com o setor produtivo e com o interior, enquanto a ligação com a família Bolsonaro agrega uma marca nacional à candidatura.

A questão é que uma eleição majoritária não se resume à identidade política.

Existe também a matemática territorial.

O vazio da baixada

Wellington tem sua principal trajetória política construída no Sul de Mato Grosso.

Reinaldo vem do interior e do agronegócio.

E a chapa, ao abandonar Maluf e escolher Reinaldo, deixa de utilizar a vice como instrumento de aproximação direta com Cuiabá.

Esse é o ponto.

Não significa que Reinaldo não possa ter votos na Baixada.

Significa que ele não chega à chapa como um nome cuja principal capital político esteja justamente ali.

Portanto, a vice não resolve essa necessidade.

E, numa disputa pelo Governo de Mato Grosso, isso importa.

Cuiabá e Várzea Grande não são apenas cidades importantes.

São o coração político e eleitoral da Baixada.

A decisão de Wellington

A escolha pode ser resumida assim:

Wellington precisava decidir entre um vice que ampliasse a composição territorial ou um vice que fortalecesse sua identidade política.

No final, prevaleceu a segunda opção.

Reinaldo é mais importante para a identidade bolsonarista da chapa do que para a expansão territorial dela na Baixada.

Essa é a leitura que a composição final permite fazer.

Agora Wellington terá de buscar essa ampliação por outros caminhos.

Prefeitos.

Vereadores.

Lideranças locais.

Partidos.

E alianças específicas em Cuiabá e Várzea Grande.

Porque a escolha do vice resolveu uma parte da equação.

Mas deixou outra intacta.

E essa outra atende pelo nome de Baixada Cuiabana.