Polícia

ARMADILHA MORTAL: facção teria acompanhado por vídeo execução de sargento da Marinha em Cáceres,MT

Suspeito relatou à polícia que cerca elétrica foi cortada para atrair militar para fora de casa; sete pessoas foram conduzidas e arma que teria sido usada no crime foi apreendida

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT/COM PM-MT 01/10/2026
ARMADILHA MORTAL: facção teria acompanhado por vídeo execução de sargento da Marinha em Cáceres,MT
A ofensiva ocorreu durante a Operação Força Constante e mobilizou equipes do 6º Batalhão da Polícia Militar, Força Tática, Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e Polícia Rodoviária Federal (PRF). | PM-MT

Uma verdadeira armadilha teria sido montada para assassinar o sargento da Marinha do Brasil Anderson de Alencar Batista, de 43 anos, morto a tiros na madrugada de quarta-feira (30), dentro da própria residência, no bairro Jardim Universitário, em Cáceres. Em menos de 24 horas após o homicídio, uma grande operação das forças de segurança chegou aos suspeitos de participação no crime e apreendeu a arma que, segundo a Polícia Militar, teria sido utilizada na execução.

O que mais chama atenção é a dinâmica revelada por um dos suspeitos. Segundo informações registradas pela polícia, integrantes de uma facção criminosa teriam acompanhado por chamada de vídeo os momentos que antecederam o assassinato e determinado que o atirador efetuasse os disparos contra a vítima. Ao todo, sete pessoas foram levadas à delegacia, entre adultos presos e adolescentes apreendidos. Entre os detidos está o homem apontado como possível autor dos tiros.

A ofensiva ocorreu durante a Operação Força Constante e mobilizou equipes do 6º Batalhão da Polícia Militar, Força Tática, Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e Polícia Rodoviária Federal (PRF). Conforme o boletim de ocorrência, as equipes iniciaram uma verdadeira caçada para identificar e localizar os envolvidos no assassinato.

De acordo com a versão apresentada pelo suspeito apontado como autor dos disparos, o homicídio teria sido coordenado por integrantes do Comando Vermelho conhecidos pelos apelidos de “Ninja”, “Religião do Mal” e “Monarca”. Eles teriam determinado a morte de dois homens que supostamente estariam na residência.

A sequência narrada à polícia revela como a suposta emboscada teria sido preparada. Antes do assassinato, o suspeito teria ido até a residência e cortado a cerca elétrica propositalmente, provocando o acionamento do sistema de alarme. Depois disso, teria se escondido em uma região de mata próxima ao imóvel e iniciado uma chamada de vídeo com os supostos mandantes.

Ainda segundo o relato apresentado às autoridades, os criminosos teriam acompanhado a movimentação por meio da câmera do celular. Anderson saiu de casa justamente para verificar por que o alarme havia disparado. Nesse momento, teria sido visualizado pelos supostos mandantes, que teriam determinado que os tiros fossem efetuados. O sargento foi surpreendido e atingido pelos disparos.

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Após o assassinato, as forças de segurança intensificaram as diligências e receberam informações de que pessoas suspeitas de prestar apoio logístico aos executores estariam na região da Areeira e teriam deixado o local utilizando um veículo de transporte por aplicativo.

Com o avanço das buscas, os policiais chegaram a uma residência no bairro Residencial Valter Fidelis, onde localizaram um revólver calibre 38 apontado como a possível arma utilizada no homicídio. No imóvel, uma adolescente, suspeita de ter ficado responsável pela guarda e ocultação do armamento, foi apreendida.

Na sequência, um Volkswagen Polo branco foi abordado pelas equipes. Dentro do veículo estavam dois suspeitos. Conforme a Polícia Militar, um deles foi apontado como motorista utilizado na ação criminosa e o outro como o possível autor dos disparos que mataram Anderson.

Outros adolescentes também teriam participado do esquema, segundo a polícia, prestando apoio logístico aos envolvidos, transportando e ajudando a esconder a arma e auxiliando na permanência, esconderijo e fuga dos suspeitos após o assassinato.

Durante a operação, foram apreendidos um revólver calibre 38, nove munições, cinco aparelhos celulares, um capacete rosa, um short preto e R$ 37 em dinheiro. Os celulares apreendidos deverão ser analisados no decorrer da investigação e poderão ajudar a esclarecer a dinâmica do crime e verificar o relato sobre a suposta chamada de vídeo.

Todos os envolvidos e o material apreendido foram encaminhados à 1ª Delegacia de Polícia de Cáceres para as providências cabíveis. A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer a participação individual de cada suspeito, identificar eventuais mandantes e descobrir a motivação do assassinato.

A informação de que integrantes de uma facção teriam coordenado a execução parte, até o momento, do relato atribuído ao suspeito apontado como atirador e deverá ser confrontada com os demais elementos da investigação. O assassinato, porém, ganha contornos ainda mais graves: o que inicialmente parecia um ataque ocorrido quando Anderson saiu para verificar o alarme pode ter sido uma emboscada preparada justamente para fazer o sargento deixar a segurança da residência e ficar na mira do assassino.