Política

PL escanteia Maluf, surpreende aliados e impõe Alencar Farina como vice de Wellington em reviravolta de última hora

Troca registrada em ata transforma chapa em puro-sangue do PL e provoca ruído com o Novo; decisão surpreendeu Marcelo Maluf, que havia anunciado publicamente que seria o vice

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 07/08/2026
PL escanteia Maluf, surpreende aliados e impõe Alencar Farina como vice de Wellington em reviravolta de última hora
O PL mudou os planos na reta final das convenções e colocou o médico Alencar Farina (PL) na composição | Divulgação

A sexta-feira (7) terminou com uma verdadeira reviravolta no tabuleiro eleitoral de Mato Grosso. Depois de Marcelo Maluf (Novo) ser apresentado publicamente como o nome que ocuparia a vice na chapa de Wellington Fagundes (PL), o PL mudou os planos na reta final das convenções e colocou o médico Alencar Farina (PL) na composição.

Na prática, Maluf acabou escanteado da chapa majoritária, enquanto o PL passou a controlar as duas posições mais importantes da disputa pelo Palácio Paiaguás: Wellington na cabeça de chapa e Farina como candidato a vice-governador.

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A mudança consta na ata partidária e teria surpreendido integrantes do Novo, principalmente porque, até então, Maluf vinha sendo tratado publicamente como o escolhido para a vaga.

A alteração provocou forte repercussão política ao longo desta sexta-feira e expôs um primeiro ruído dentro da aliança construída para enfrentar a eleição estadual.

Decisão na reta final

O que chama atenção é a velocidade da mudança.

Na quarta-feira (5), depois da convenção do Novo, Marcelo Maluf chegou a afirmar publicamente que sua participação como vice de Wellington estava definida. O empresário havia desistido de um projeto próprio ao Governo para integrar a composição encabeçada pelo senador.

Entretanto, na noite de quinta-feira (6), o cenário mudou.

O PL aprovou por unanimidade o nome de Alencar Farina para ocupar a vice e registrou a nova composição na documentação partidária.

Segundo informações divulgadas sobre as articulações, dirigentes do Novo não teriam participado previamente da decisão que culminou na substituição.

Diante da inesperada mudança, Wellington Fagundes, Marcelo Maluf e dirigentes das legendas teriam se reunido na manhã desta sexta-feira (7) para discutir a situação e compreender os motivos da alteração.

O episódio colocou sob tensão justamente uma aliança que vinha sendo costurada para demonstrar unidade.

Maluf passou de candidato a vice a fora da chapa

A situação ganha ainda mais peso porque Marcelo Maluf havia feito um movimento político significativo para participar do projeto de Wellington.

Inicialmente, o empresário trabalhava com a possibilidade de disputar o próprio Governo pelo Novo. Posteriormente, abriu mão da cabeça de chapa e passou a integrar as negociações para ser vice de Wellington.

Maluf chegou inclusive a reconhecer publicamente que o Novo ainda não possui a mesma estrutura eleitoral das maiores legendas.

“O Novo é um partido em construção e não tem ainda a musculatura que têm o PL e o MDB. Se o Novo realmente tivesse essa musculatura toda, não tenho dúvida de que eu sairia como candidato”, afirmou anteriormente.

A declaração demonstrava o tamanho da aposta feita pelo empresário na composição.

Mas, quando parecia que o martelo estava definitivamente batido, Maluf acabou ficando fora da chapa.

Saída do podemos abriu caminho, mas PL mudou rota

Durante boa parte das articulações, a vaga de vice permaneceu aberta porque o grupo de Wellington aguardava uma definição envolvendo o Podemos, presidido em Mato Grosso pelo deputado estadual Max Russi.

Quando o Podemos decidiu caminhar com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), a indicação de Marcelo Maluf ganhou ainda mais força.

Parecia ser o desfecho natural das negociações.

Não foi.

Na reta final, o PL mudou a estratégia e decidiu entregar a vice a um integrante da própria legenda.

Com isso, Alencar Farina saiu dos bastidores diretamente para o centro da disputa pelo Governo de Mato Grosso.

PL fica com a cabeça e a vice

A consequência política da mudança é evidente: apesar da coligação reunir PL, MDB, Novo, PRD e Democracia Cristã, os dois postos da chapa ao Governo ficaram nas mãos do Partido Liberal.

Wellington Fagundes será o candidato a governador.

Alencar Farina será o candidato a vice.

A composição, portanto, tornou-se uma chapa puro-sangue do PL, embora sustentada eleitoralmente por uma aliança com outras quatro legendas.

O movimento deverá obrigar a coordenação política de Wellington a administrar eventuais insatisfações e reconstruir pontes principalmente com o Novo, que até poucos dias atrás trabalhava com a expectativa de ocupar justamente a vice.

De peça-chave na capital a fora da majoritária

A retirada de Maluf também chama atenção pelo papel eleitoral que aliados atribuíam ao empresário.

Com atuação empresarial em Cuiabá e forte presença social na Capital, inclusive como festeiro de São Benedito, Maluf era considerado por integrantes do grupo uma alternativa para ampliar a presença da chapa no maior colégio eleitoral de Mato Grosso.

A estratégia buscava complementar a trajetória política de Wellington, historicamente muito vinculada a Rondonópolis e à região sul do Estado.

Agora, o PL aposta em Farina.

Primeiro desafio será recompor a unidade

A troca encerrou o período das convenções com um problema político que a campanha precisará administrar rapidamente.

Se até quinta-feira a preocupação era definir quem ocuparia a vice, a partir desta sexta-feira o desafio passou a ser outro: mostrar que a mudança de última hora não deixou rachaduras dentro da coligação.

A campanha de Wellington reúne partidos com trajetórias, interesses e lideranças diferentes. Manter todos acomodados no mesmo palanque já seria uma tarefa política delicada.

O episódio envolvendo Marcelo Maluf acrescentou um ingrediente inesperado justamente no momento em que a aliança precisava demonstrar força e unidade.

A campanha mal começou oficialmente e Wellington Fagundes já terá pela frente sua primeira missão interna: apagar o incêndio provocado pela surpreendente troca na vice e convencer os aliados de que, apesar da reviravolta, todos continuam tendo espaço no projeto eleitoral.