Política
Mauro reage ao cerco da PF, fala em “sacanagem política” e dispara contra Jayme, Fávaro, Taques e Janaina
Ex-governador nega qualquer participação em suposto esquema de R$ 308 milhões, diz não ter ligação com fundos investigados e acusa adversários de transformar Operação Heritage em arma para tentar destruir sua candidatura ao Senado
A Operação Heritage incendiou de vez a disputa eleitoral em Mato Grosso.
Horas depois de a Polícia Federal avançar sobre uma investigação envolvendo o acordo de R$ 308,1 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi, o ex-governador e candidato ao Senado Mauro Mendes (União) rompeu o silêncio e partiu para um contra-ataque devastador contra seus adversários.
Mauro negou qualquer irregularidade, afirmou não possuir relação com os fundos de investimento investigados e acusou diretamente adversários políticos de utilizarem a operação como instrumento para tentar prejudicar sua candidatura.
Na linha de tiro do ex-governador entraram Jayme Campos (União), Carlos Fávaro (PSD), Pedro Taques (PSB) e Janaina Riva (MDB).
Mauro classificou o episódio como “sacanagem política” e elevou a temperatura de uma campanha que, a partir de agora, promete ser marcada não apenas pela disputa por votos, mas também pelas consequências políticas da investigação que chegou ao Supremo Tribunal Federal.
Mauro parte para o ataque
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Mauro afirmou estar convencido de que não praticou qualquer ilegalidade e sustentou que o procedimento adotado pelo Estado foi regular.
Mas não ficou apenas na defesa.
O candidato ao Senado contra-atacou e atribuiu aos adversários uma tentativa de explorar politicamente a investigação.
“Está claro que esses adversários políticos têm a clara intenção de fazer isso como instrumento político para tentar me prejudicar. Por mim pode investigar à vontade. Eu não fiz e tenho certeza de que o Estado de Mato Grosso, através da nossa Procuradoria, não fez nada de errado e ilegal”, afirmou.
A declaração transforma a Operação Heritage em um novo e explosivo componente da eleição.
Até então adversários nas urnas, os principais nomes da disputa pelo Senado passam agora a travar também uma guerra de narrativas sobre uma investigação policial de enorme repercussão.
“Velha política da sujeira”
Mauro subiu ainda mais o tom ao falar sobre seus adversários.
Sem economizar palavras, classificou seus opositores como representantes da “velha política” e afirmou que existe uma tentativa de atingir não apenas sua candidatura, mas também sua família.
“É a velha política da sujeira, da mentira, que ataca a família, que não respeita nada e faz de tudo pelo poder, com inveja do grande resultado que o nosso Governo fez por Mato Grosso”, disparou.
E terminou prometendo confronto: “Vou lutar com todas as minhas forças para que políticos malandros, medíocres e mentirosos não voltem a dominar o nosso Estado.”
A reação mostra que Mauro decidiu não assumir uma postura defensiva diante da crise.
Ao contrário: tenta deslocar o debate da investigação policial para o terreno eleitoral e apresentar-se como vítima de uma ofensiva política de seus adversários.
Passaporte recolhido
Mauro confirmou ainda que agentes da Polícia Federal estiveram em sua residência e informou que seu passaporte foi recolhido.
Segundo sua versão, essa teria sido a finalidade da diligência realizada em sua casa.
O ex-governador também negou ter recebido qualquer vantagem indevida relacionada ao acordo e sustentou que nem ele nem seus familiares possuem vínculo com os fundos que receberam os recursos.
A versão de Mauro, entretanto, será confrontada com os elementos que estão sendo reunidos pela Polícia Federal no decorrer da investigação.
“Não tem relação comigo ou com minha família”
Um dos pontos mais importantes da manifestação do ex-governador foi a negativa categórica sobre qualquer ligação familiar com os fundos investigados.
“Os fundos que receberam esses recursos não têm nenhuma relação comigo ou com minha família”, declarou.
Mauro também defendeu a legalidade do acordo.
Segundo ele, a dívida discutida chegaria a aproximadamente R$ 580 milhões, mas foi encerrada mediante pagamento de R$ 308 milhões.
O ex-governador sustenta que a negociação passou pela Procuradoria-Geral do Estado e recebeu avaliações favoráveis de órgãos de controle.
“Portanto, o pagamento feito pelo Governo do Estado foi correto e está dentro da legalidade”, afirmou.
PF investiga destino dos R$ 308 milhões
Do outro lado está uma investigação policial que tenta reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, existem indícios de que o acordo teria sido utilizado para viabilizar desvio de recursos públicos e posterior ocultação da destinação do dinheiro através de operações financeiras.
A Operação Heritage busca justamente descobrir se o acordo administrativo que encerrou a disputa foi utilizado para favorecer particulares e movimentar irregularmente recursos públicos.
A apuração ainda está em andamento e não existe, neste momento, condenação dos investigados.
Além de Mauro Mendes, aparecem entre os alvos da investigação nomes de enorme peso institucional, como o deputado federal Fábio Garcia, o desembargador Ricardo Almeida, o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça Ulisses Rabaneda e o secretário-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho.
Mauro recorda operação de 2014
Em sua manifestação, Mauro Mendes também recuperou um episódio ocorrido há mais de uma década.
Ele lembrou que, quando era prefeito de Cuiabá, sua residência foi alvo de busca e apreensão em 2014.
Segundo Mauro, a repercussão daquela operação trouxe consequências devastadoras para seus negócios.
“Eu e minha família sofremos uma grande humilhação. Os bancos cortaram o crédito das minhas empresas, perdi cartão de crédito, contratos com clientes e fornecedores, e entramos em recuperação judicial. Quase quebrei por conta disso”, declarou.
Ao recuperar o episódio, Mauro tenta construir uma narrativa de repetição histórica: a de que estaria novamente sendo atingido pessoal, empresarial e politicamente antes de qualquer conclusão definitiva da Justiça.
Operação explode no meio da eleição
Independentemente do resultado final da investigação, uma consequência já parece inevitável: a Operação Heritage entrou definitivamente na campanha eleitoral de Mato Grosso.
Mauro Mendes disputa uma cadeira no Senado e alguns dos nomes que ele acusa de estarem por trás da exploração política do episódio estão justamente no mesmo tabuleiro eleitoral.
Carlos Fávaro, Pedro Taques e Janaina Riva estão entre seus adversários na corrida ao Senado, enquanto Jayme Campos protagoniza uma disputa política dentro do próprio campo partidário.
O que até agora era uma campanha marcada por alianças, convenções e articulações partidárias acaba de ganhar um ingrediente muito mais explosivo.
De um lado, a Polícia Federal aprofunda uma investigação sobre o destino de R$ 308 milhões.
Do outro, Mauro Mendes diz que não cometeu irregularidade, nega qualquer vínculo com os fundos e acusa adversários de promoverem uma ofensiva para atingir sua candidatura.
A partir de agora, a Operação Heritage deixa de produzir consequências apenas policiais e jurídicas.
Ela entra com força no coração da eleição de Mato Grosso — e a reação de Mauro Mendes deixa claro que a guerra política está apenas começando.
As suspeitas investigadas pela Polícia Federal ainda dependem de comprovação e eventual responsabilização individual. Os investigados têm assegurados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.