Mundo

Departamento de Estado dos EUA nega ter um plano para impedir reeleição de Lula

Ao g1, fontes do governo Trump disseram ainda que os EUA respeitarão 'qualquer governo que os brasileiros escolherem por meio de eleições livres e justas'. Equipe de Lula avalia que secretário Marco Rubio tem estratégia contra petista

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM G1 13/08/2026
Departamento de Estado dos EUA nega ter um plano para impedir reeleição de Lula
O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou ao g1 nesta quinta-feira (13) ter um plano para impedir a reeleição do presidente Lula | Kevin Lamarque/Reuters; Adriano Machado/Reuters

O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou ao g1 nesta quinta-feira (13) ter um plano para impedir a reeleição do presidente Lula, e afirmou que respeitará "qualquer governo" que for eleito em outubro.

Segundo o blog do Valdo Cruz, a equipe de Lula acredita que o secretário Marco Rubio quer evitar a reeleição do presidente brasileiro. Questionado pelo g1 sobre o tema, uma fonte do órgão norte-americano afirmou que a avaliação do Planalto não corresponde à realidade.

“Damos grande importância à relação com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente, por meio de eleições livres e justas no Brasil. E nós [EUA] temos respeitado e mantido relações com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou a autoridade, sem mencionar explicitamente o nome de Rubio.

Apesar da negativa, a menção a "eleições livres e justas" já foi usada em declarações anteriores do governo Trump para questionar pleitos em outros países. O sistema eleitoral brasileiro, por sua vez, é comprovadamente livre e as urnas eletrônicas são seguras, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo assessores de Lula, a sensação de que Rubio teria um plano dessa natureza foi reforçada após o governo Trump divulgar um vídeo dizendo que o domínio dos EUA em toda a América "nunca mais será questionado" (veja vídeo no início da reportagem).

Marco Rubio e Lula — Foto: Kevin Lamarque/Reuters; Adriano Machado/Reuters

Marco Rubio e Lula — Foto: Kevin Lamarque/Reuters; Adriano Machado/Reuters

O Brasil e os Estados Unidos enfrentam uma fase de crise diplomática em meio à aproximação das eleições presidenciais, marcadas para o primeiro e terceiro finais de semana de outubro. Entre os fatores que estremeceram as relações entre os dois países nas últimas semanas estão:

Rubio é tido como uma das principais autoridades do segundo mandato de Donald Trump e a mente por trás da nova etapa da Doutrina Monroe que os EUA buscam aplicar no Hemisfério Ocidental para dominar a América Latina —sob ameaça de uso de militar para quem não coopere. Ele também seria o pivô da crise com o Brasil, segundo especialistas ouvidos pelo podcast O Assunto.

Em alguns momentos, o secretário de Estado também tem adotado um posicionamento mais inflamatório, como quando trocou farpas com Lula.

O governo Trump tem um projeto para colocar os países latino-americanos à disposição de seus interesses e de "expulsar" a influência da Rússia e da China no continente. Em meio a essa investida, diversos países da região elegeram —ou foram impostos, no caso da Venezuela— governos alinhados ideologicamente ao presidente norte-americano, como no PeruColômbiaChileBolívia e na Argentina de Milei. Com isso, o Brasil se tornou o país mais relevante com um governo de esquerda.