Política
Pivetta aposta tudo em 45 dias e desafia as urnas: “Vai dar tempo”
Em coletiva de mais de duas horas no Palácio Paiaguás, governador minimiza desvantagem para Wellington, aposta na exposição da campanha e reafirma confiança no grupo político atingido pelo caso dos R$ 308 milhões da Oi
Otaviano Pivetta resolveu colocar todas as fichas nos próximos 45 dias.
Em uma coletiva com a imprensa, realizada no Palácio Paiaguás e que durou mais de duas horas, o governador foi confrontado pelo Página 12 sobre um dos maiores problemas de sua candidatura à reeleição: como transformar a aprovação de seu governo em votos, diante de um cenário em que ainda aparece atrás de seu principal adversário, o senador Wellington Fagundes (PL).
A resposta de Pivetta foi de confiança.
“Vai dar tempo.”
O governador aposta que os 45 dias de campanha serão suficientes para que o eleitor conheça melhor seu nome, sua trajetória, sua administração e suas propostas — e, a partir daí, mude o atual cenário eleitoral.
É uma aposta alta.
E o relógio já está correndo.
Oito pontos atrás
A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta semana mostra Wellington Fagundes com 34% das intenções de voto, contra 26% de Pivetta. Natasha Slhessarenko aparece com 13%. A diferença entre os dois principais candidatos é de oito pontos percentuais.
Pivetta, é verdade, reduziu significativamente a distância que existia anteriormente. Mas ainda não chegou à liderança.
E é justamente aí que está o desafio apresentado ao governador pelo Página 12.
Se o governo tem uma avaliação positiva, por que essa aprovação ainda não se transformou, na mesma proporção, em intenção de voto?
A explicação apresentada por Pivetta é que falta ao eleitor conhecer melhor o candidato.
Ou seja: o governador aposta que o problema não está necessariamente no governo, mas na falta de conhecimento sobre quem pretende comandá-lo por mais quatro anos.
Agora, terá apenas 45 dias para provar que está certo.
“Vai dar tempo”
A confiança demonstrada pelo governador impressiona pelo tamanho da aposta.
Pivetta acredita que a campanha eleitoral será capaz de produzir, em pouco mais de um mês, aquilo que sua pré-campanha ainda não conseguiu alcançar completamente: transformar exposição em voto.
O problema é que Wellington já parte de uma posição de liderança.
E a eleição não começa do zero.
O senador aparece à frente, enquanto Pivetta precisa avançar sobre um eleitorado que já demonstra preferência por outro nome.
Por isso, os próximos 45 dias não serão apenas uma oportunidade de apresentação.
Serão uma corrida contra o relógio.
Pivetta terá de convencer o eleitor de que existe uma diferença entre conhecer o governador e escolher o governador.
A confiança que não diminuiu
Se na disputa eleitoral Pivetta demonstrou confiança de que conseguirá virar os números, na política também decidiu manter uma posição de firmeza.
Durante a coletiva, o governador reafirmou sua confiança no grupo político que o acompanha e citou sua relação com Mauro Mendes, Fábio Garcia e Mauro Carvalho.
A declaração ocorre em um momento particularmente delicado para esse grupo.
O acordo de aproximadamente R$ 308 milhões envolvendo o Governo de Mato Grosso e créditos relacionados à Oi vem sendo alvo de questionamentos judiciais e políticos. Em julho, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou a intimação de 19 réus em uma ação popular que questiona o pagamento de R$ 308,1 milhões efetuado pelo Estado à Oi e a cessionários de seus créditos.
Há também acusações e questionamentos públicos sobre o caminho percorrido pelos recursos e possíveis relações com familiares e aliados políticos de integrantes do grupo. Essas alegações são objeto de disputa e investigação, e não equivalem, por si só, a uma conclusão de responsabilidade criminal.
Mesmo diante desse ambiente, Pivetta não adotou o discurso de rompimento.
Ao contrário.
Reafirmou confiança.
A conta política
É aí que a candidatura de Pivetta começa a enfrentar uma equação mais complicada.
De um lado, o governador apresenta sua administração como uma gestão aprovada e aposta que os resultados do governo serão reconhecidos pelo eleitor quando a campanha ganhar as ruas.
De outro, os números eleitorais ainda não refletem essa confiança.
E existe um terceiro componente: o grupo político ao qual Pivetta está associado atravessa um período de forte desgaste.
A operação e os questionamentos em torno do caso dos R$ 308 milhões aumentaram a pressão sobre antigos aliados e colocaram a candidatura governista diante da necessidade de explicar não apenas o futuro, mas também o passado recente.
Pivetta, entretanto, escolheu não fugir da associação.
Preferiu defender a confiança no grupo.
A aposta é de Pivetta. A resposta será das urnas.
O governador parece ter definido sua estratégia.
Não pretende tratar os 26% registrados na pesquisa como um teto.
Ao contrário: considera que existe espaço para crescimento e que a campanha será o momento de apresentar ao eleitor aquilo que, segundo sua própria avaliação, ainda não foi suficientemente conhecido.
Os números dão alguma margem para esse argumento. A diferença para Wellington caiu ao longo da série histórica do instituto. Mas, neste momento, o senador continua liderando por oito pontos.
Pivetta agora terá de transformar essa redução da distância em ultrapassagem.
E terá pouco tempo.
Quarenta e cinco dias
Foi esse o prazo no qual o governador depositou sua confiança diante da imprensa.
“Vai dar tempo”, disse Pivetta.
Agora resta saber se o eleitor concordará com ele.
Porque pesquisa pode mudar, campanha pode acelerar e candidato pode crescer.
Mas, no fim, é a urna que transforma confiança em voto.