Polícia
Quem é o advogado mato-grossense que entrou na mira da PF em investigação sobre suposta venda de decisões judiciais?
Além de atuar na advocacia, Bruno Castro também construiu trajetória na área acadêmica, tendo lecionado no Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), onde ajudou a formar diversas gerações de profissionais do Direito
A Polícia Federal colocou nesta segunda-feira (8) um conhecido nome da advocacia mato-grossense no centro de uma das investigações mais explosivas em andamento no país.
O advogado Bruno Oliveira Castro foi um dos alvos da Operação Gemini, deflagrada por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa no âmbito do Poder Judiciário de Mato Grosso.
Além de atuar na advocacia, Bruno Castro também construiu trajetória na área acadêmica, tendo lecionado no Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), onde ajudou a formar diversas gerações de profissionais do Direito.
Agora, seu nome aparece ao lado de figuras de grande projeção institucional. A operação também alcançou o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL).
Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer a existência de um suposto esquema destinado a intermediar vantagens indevidas e realizar movimentações patrimoniais e financeiras que teriam servido para ocultar a origem de recursos sob apuração.
As diligências autorizadas pela Justiça incluíram mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, além da apreensão de bens de alto valor, entre eles relógios de luxo, armas e canetas sofisticadas.
De acordo com os investigadores, análises financeiras identificaram movimentações consideradas atípicas que ultrapassariam R$ 3,2 milhões em depósitos e saques em espécie. Também estão sob análise transferências realizadas por empresas ligadas ao agronegócio que possuíam processos em tramitação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
A Operação Gemini é mais um desdobramento das investigações iniciadas após a apreensão do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em Cuiabá em dezembro de 2023. O conteúdo extraído do aparelho abriu uma série de apurações que já resultaram no afastamento de magistrados e em investigações conduzidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Polícia Federal e Superior Tribunal de Justiça.
No caso de Bruno Castro, a Polícia Federal procura identificar qual teria sido sua eventual participação nas operações financeiras e negociações patrimoniais que estão sendo analisadas pelos investigadores.
Até o momento não há condenação contra os investigados. As apurações seguem em andamento e todos permanecem amparados pelo princípio constitucional da presunção de inocência.
Enquanto a investigação avança, o nome do advogado e ex-professor universitário passa a integrar um dos casos de maior repercussão já enfrentados pelo Judiciário mato-grossense nas últimas décadas.