Política
Pivetta sobe o tom, fala em “negociata” com prefeituras e mira senador na disputa pelo governo
Sem citar nome, governador volta a levantar suspeitas sobre atuação de adversário e promete expor casos durante a campanha
O governador Otaviano Pivetta voltou a incendiar o cenário político de Mato Grosso ao levantar, mais uma vez, suspeitas sobre supostas “negociatas” envolvendo prefeituras do interior do Estado.
A declaração foi feita nesta terça-feira (21), durante a abertura da feira agropecuária Norte Show 2026, em Sinop, e rapidamente repercutiu nos bastidores da disputa pelo governo.
“Não fazemos negócio com ninguém. Senador nenhum usa o nome do governo do Estado para propor negociata. E nós sabemos que tem prefeitura do interior que tem isso”, afirmou Pivetta, sem citar diretamente o nome de qualquer parlamentar.
Apesar disso, nos bastidores, a leitura predominante é de que o alvo das declarações seria o senador Wellington Fagundes, pré-candidato ao governo e considerado hoje um dos principais adversários do governador.
A avaliação ganha força diante do fato de que outro pré-candidato, o senador Jayme Campos, já teria sido poupado diretamente por Pivetta em conversas reservadas.
O discurso do governador não parou por aí. Em tom ainda mais duro, ele afirmou que pretende transformar o tema da corrupção em eixo central da campanha eleitoral.
“Vamos falar claramente para o povo por que esse país anda de lado. Anda de lado por causa da corrupção, da sem-vergonhice que tomou conta daquele Congresso Nacional”, disparou.
Essa não é a primeira investida. Em declarações anteriores, Pivetta já havia insinuado a existência de práticas irregulares ao mencionar, de forma indireta, a suposta exigência de retorno de recursos destinados a municípios — novamente sem apresentar nomes ou provas públicas até o momento.
Na ocasião, Wellington Fagundes reagiu dizendo que não se sentiu diretamente atingido, mas cobrou responsabilidade nas falas.
Ele desafiou o governador a comprovar qualquer acusação e ainda relembrou apoio político no passado. “Que prove se algum dia eu pedi algo de prefeitura. Sempre trabalhei levando recursos, nunca pedi retorno”, afirmou, classificando a postura de Pivetta como ingrata.
O embate, ainda sem acusações formais, eleva a temperatura da disputa eleitoral em Mato Grosso e indica que a campanha deve ser marcada por ataques, insinuações e forte polarização política.