Brasil
Casas desabam em MG e família relata trauma: "Senti que estava soterrada"
Imóveis no bairro Três Moinhos caíram após temporal na madrugada; família fala sobre dor com perdas
As chuvas intensas que atingem o município de Juiz de Fora, em Minas Gerais, desde o início da semana agravaram a situação dos moradores que já sofriam com os temporais na região. Com quase 50 mortes registradas e buscas por desaparecidos em andamento, muitas famílias foram obrigadas a deixar suas casas e pertences para trás.
No bairro Três Moinhos, um dos mais afetados pela tragédia, três imóveis desabaram durante a noite de quarta-feira (25) após a chuva voltar a cair de forma intensa. As construções afetadas estavam desocupadas, porque os moradores já haviam sido orientados pela Defesa Civil para evacuar as residências por questões de segurança.
Caetano Soldati, que mora na região há mais de 40 anos, relatou que, junto da filha Michele Soldati, precisou abandonar sua casa na terça-feira. "Na minha casa caiu o barranco. Estamos morando na casa da minha neta, com a minha família. Graças a Deus, tiramos toda a nossa família", contou Caetano, visivelmente abalado.
Leia também
CHUVAS EM MG Chuva deixa 22 mortos e centenas de desabrigados em Juiz de Fora e Ubá; 45 estão desaparecidos CHUVAS EM MG Mortos e desaparecidos: o que sabemos sobre chuva que devastou MG CHUVAS EM MG Chuvas deixam 23 mortos em MG; há desaparecidos em Ubá e Juiz de Fora CHUVAS EM MG 'Perdemos três alunos da escola soterrados': a tragédia da chuva em Minas Gerais que matou ao menos 28 CHUVAS EM MG Chuvas em Juiz de Fora e Ubá: número de mortes chega a 30 CHUVAS EM MG 'Vi pessoas presas dentro de casa pedindo por socorro': os relatos de moradores das cidadas arrasadas pela chuva em Minas Gerais CHUVAS EM MG Idosos boiam em colchão após alagamento devastador em Ubá (MG) CHUVAS EM MG Tragédia em Juiz de Fora: buscas por vítimas seguem durante madrugadaSituação crítica nos bairros afetados
A região onde os bairros Vitorino, Três Moinhos, Santa Rita e Grajaú estão em situação crítica, com muitas casas localizadas em áreas de encosta. O acesso ao local é restrito e só é possível com escolta da Guarda Municipal.
Emocionada, Michele, revelou um dos momentos mais difíceis da evacuação: "A gente também deixou os nossos bichinhos ali, porque não teve lugar para ir. A gente fica aquele misto de sentimento, de dor, de tudo". Ela descreveu o trauma vivido durante o temporal: "Eu senti que estava sendo soterrada. O medo foi tão grande que eu agarrei minha filha e senti que eu estava sendo soterrada".
O volume de chuva que caiu durante a madrugada de hoje (26) foi superior a 80 milímetros, um volume considerado alto, que voltou a alagar ruas e avenidas. O cenário é descrito como desolador, com áreas completamente alagadas e interditadas.
Para auxiliar na mitigação dos problemas causados pelas chuvas, 10 caminhões do Exército Brasileiro, juntamente com 100 militares, devem chegar à cidade nesta quinta-feira. Enquanto isso, os moradores desabrigados buscam alternativas e aguardam orientações sobre possíveis auxílios para aluguel, já que não podem retornar para suas casas.