Cotidiano
Brasil não deve ter falta de energia, mas tarifas devem continuar altas em 2021
O cenário hidrológico desfavorável no Brasil nos últimos anos, que tem mantido reservatórios abaixo da média histórica
27/01/2021
De onde vem a energia consumida no Brasil?
Como a construção de novas usinas hidrelétricas se tornou mais difícil por uma série de fatores – como a intenção do governo de privatizar a Eletrobrás e restrições ambientais e de licenciamento em terras indígenas –, o Brasil precisa diversificar a matriz energética do SIN. Nesse sentido, têm ganhado mais espaços outras fontes de energia limpa, como as usinas eólicas e solares. Essas duas fontes, no entanto, representam apenas 11,4% e 0,8%, respectivamente, da produção atual no país. De acordo com dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), órgão responsável pela coordenação e controle das instalações de geração e transmissão de energia no país, na terça-feira (26), 68% da energia gerada no país foi proveniente de fontes hidráulicas, ou seja, gerada a partir do aproveitamento do fluxo das águas em usinas. Logo depois, apareceram as usinas termelétricas, com 17,1% da geração nacional. Há ainda as usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2 que, juntas, representam 2,6% da produção energética do país.Qual o papel das bandeiras tarifárias?
Em 2015, o governo criou o sistema de bandeiras tarifárias para indicar aos consumidores quando há ou não acréscimo no valor da energia elétrica em função das condições de geração de eletricidade. Quando as condições são favoráveis, a bandeira é verde e a tarifa não sofre nenhum acréscimo. Quando passam a ser menos favoráveis, a geração entra na bandeira amarela, que acrescenta R$ 1,34 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos. Há ainda a bandeira vermelha que, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica, é acionada em “condições mais custosas de geração”. Ela tem dois patamares: no primeiro, acrescenta-se R$ 4,16 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos. No segundo, essa sobretaxa é de R$ 6,24 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) de energia. A única exceção a esse sistema é o estado de Roraima, já que ele não está integrado ao SIN. De acordo com Cortês, nos primeiros cinco anos de vigência do sistema de bandeiras tarifárias, em 28 dos 60 meses (47% do total), o país esteve sob bandeira vermelha de patamar 1 ou 2 – as faixas mais caras de energia. “Sempre que a bandeira vermelha é adotada, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indica o motivo como sendo ‘Risco Hidrológico’ ou falta de chuvas nos reservatórios – que ficam com o nível muito reduzido”, afirmou. No mesmo período, foram 11 meses na bandeira amarela (18%) e outros 21 meses (35%) na bandeira verde.Mais lidas
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