Política
Mendonça ainda tem baixa expectativa sobre delação premiada de Vorcaro
Ministro do STF avalia que boa-fé, não seletividade de fatos ou pessoas e fornecimento de provas são pré-requisitos para homologar qualquer colaboração
O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal), tem baixa expectativa sobre a delação de Daniel Vorcaro e ainda não viu sinais de "robustez" na entrega de fatos novos pelo ex-banqueiro.
Segundo relatos feitos à CNN, o ministro está convencido de que a PF (Polícia Federal) tem um amplo caminho para avançar nas investigações com base nos celulares e documentos já apreendidos com Vorcaro e pessoas ligadas a ele, como seu cunhado, Fabiano Zettel.
Mendonça, afirmam fontes, vê poucas sinalizações de que o ex-dono do Master tenha fatos novos e suficientemente detalhados para garantir a homologação de uma colaboração premiada.
Sua visão é de que os materiais colhidos já dão hoje, aos investigadores, um caminho promissor para "seguir o dinheiro" e comprovar indícios. Nesse sentido, uma delação só valeria a pena caso traga estruturas financeiras ou personagens ainda desconhecidos.
Leia também
BANCO MASTER As polêmicas de Toffoli no STF, da indicação por Lula às críticas no caso do Banco Master BANCO MASTER Lewandowski diz que prestou consultoria jurídica ao Banco Master BANCO MASTER Nomes ligados ao Banco Master e BRB depõem no STF nesta terça-feira,27 BANCO MASTER Banqueiro, pastor e empresários: quem são os principais alvos da PF no caso do Banco Master? BANCO MASTER Como dinheiro do contribuinte pode acabar sendo usado para cobrir parte do rombo bilionário do Banco Master BANCO MASTER Pressionado, Toffoli deixa relatoria do caso do Banco Master no STF; Mendonça é o novo relator BANCO MASTER PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, de novo; o que se sabe até agora BANCO MASTER Explicação de esposa de Moraes sobre contrato com Banco Master tem lacunas e incongruências, dizem advogados: 'Valor estratosférico' BANCO MASTER Zanin será novo relator de pedido de criação da CPI do Banco Master BANCO MASTER Ex-presidente do BRB é preso; saiba quem é ele e qual a relação com o banco MasterPessoas próximas ao ministro acreditam que a PF e a PGR (Procuradoria-Geral da República) lhe encaminhem a proposta de colaboração premiada em questão de semanas, não de dias, mas ainda antes de iniciada formalmente a campanha eleitoral -- o que dá uma medida do potencial impacto político.
Experiente em acordos empresariais de leniência, quando conduziu negociações com empresas da Lava Jato no âmbito da CGU (Controladoria-Geral da União), Mendonça tem dito que não abre mão de três pré-requisitos na colaboração premiada: boa-fé, não seletividade de pessoas ou fatos, fornecimento de provas.
Com base nisso, a convicção de interlocutores é que o ministro não faria nenhum esforço para blindar seus colegas do STF em caso de avanço da delação.
A esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, teve um contrato de R$ 129 milhões com o Master. Já o ministro Dias Toffoli e sua família venderam cotas do resort Tayayá para fundos ligados ao banco de Vorcaro.