Negligência, falta de fiscalização, estrutura deficiente e uso de pirotecnia.
Essas são algumas das hipóteses que, somadas, teriam contribuído para o fogo que ocorreu na noite de domingo, 15, no Hospital São Benedito, em Cuiabá.
Não houve mortos ou feridos, mas, os 80 pacientes que estavam no primeiro, segundo e terceiro andares foram retirados em macas e transferidos para outros hospitais públicos. Alguns pacientes inalaram fumaça preta, ocasionado pelo fogo, mas, não correm risco de morrer.
Este é o primeiro incêndio em um hospital público de Cuiabá e poderia ter sido evitado se houvesse fiscalização por parte do Corpo de Bombeiros.
O Página 12 conversou com especialistas que elencaram possíveis fatos que podem ter sido evitado, caso houvesse a fiscalização ‘in loco’ do estado, neste caso, representado pelo Corpo de Bombeiros.
Um desses casos seria a emissão do alvará contra incêndio atualizado.
Os alvarás tem prazo de validade de um ano. Além disso, o Corpo de Bombeiros teria que exigir do hospital um Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndio (PPCI), o que nunca ocorreu.
O que existe apenas são pareceres emitidos pelos próprios servidores e/ou por funcionários da Empresa Cuiabana de Saúde Pública que administra o hospital São Benedito.
O PPCI, por outro lado, é um processo pelo qual o responsável por prédios com instalações comerciais, industriais, de diversões públicas e edifícios residenciais com mais de um pavimento deve possuir.
E é papel que o Corpo de Bombeiros não faz em Cuiabá.
O documento deve ser expedido pelos Bombeiros a partir de uma inspeção.
Na vistoria, o órgão verifica se o estabelecimento cumpre as normas vigentes de acordo com a atividade exercida no local, como a existência de extintores de incêndio e saídas e iluminação de emergência.
Por outro lado, manutenção das atividades de um local com licenças vencidas aumenta o risco para os usuários quando não cumpra a risca as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Já o diretor da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Paulo Rós, afirmou que o fogo iniciou em um curto circuito de um ar condicionado do 2º andar do hospital. “O pessoal da perícia está olhando, mas os aparelhos estão com a manutenção em dia. Não podemos dizer que é normal, há manutenção preventiva, mas eles funcionam vinte e quatro horas, e não tem como prever”, disse o diretor.
Mesmo assim o Hospital deveria ter o PPCI e o Alvará contra incêndio e que caracteriza também negligência por parte da empresa administradora do hospital.
O Página 12 tentou falar(através de email e telefonemas) com o Corpo de Bombeiros pedindo informações sobre o Alvará contra Incêndio e PCCI do Hospital São Benedito mas, ele não respondeu até a publicação desta reportagem.
As vistorias que deveriam ser feitas pelo Corpo de Bombeiros ajudariam a prevenir muitos incêndios, principalmente em órgãos e públicos e comerciais privados, além de prédios residenciais.
Caso os estabelecimentos fiscalizados pelos Bombeiros não cumprirem as exigências, o Corpo de Bombeiros deve interditar o local por qualquer risco que o estabelecimento possa apresentar.