Cotidiano

Câncer de mama aumenta entre mulheres mais jovens, alerta mastologista da Unimed Cuiabá

Mudanças no estilo de vida e aumento de fatores de risco reforçam a importância do autocuidado e da atenção aos sinais do corpo

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM UNIMED-CUIABÁ 07/10/2026
Câncer de mama aumenta entre mulheres mais jovens, alerta mastologista da Unimed Cuiabá
O câncer de mama, historicamente associado a mulheres mais velhas, também tem sido diagnosticado em pacientes abaixo dos 40 anos | Unimed Cuiabá

O câncer de mama, historicamente associado a mulheres mais velhas, também tem sido diagnosticado em pacientes abaixo dos 40 anos. A mudança no perfil, chama a atenção para a importância do autocuidado, da adoção de hábitos saudáveis e do acompanhamento médico. O alerta é da mastologista e ginecologista obstetra da Unimed Cuiabá, Tabata Natashe Vicente Machado, em entrevista ao Unicast, podcast da Cooperativa.


Segundo a especialista, estudos realizados ao longo dos últimos anos apontam uma mudança no cenário do câncer de mama, com aumento de diagnósticos em mulheres mais jovens. Na avaliação da médica, o comportamento e o estilo de vida da população feminina passaram por transformações importantes, com reflexos nos fatores de risco associados à doença.


“Você não tem apenas aquela idosinha, aquela vozinha com câncer de mama. Hoje você vê muitas mulheres precoces, ali na faixa dos 26 aos 30 e poucos anos. E isso aumentou em números absolutos numa faixa mais ou menos de 79% de aumento em mulheres mais jovens. Isso é assustador”, explica.


Entre os fatores que podem contribuir para esse cenário, a mastologista cita obesidade, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo. Tabata também destaca mudanças relacionadas à maternidade e à amamentação, já que muitas mulheres atualmente engravidam mais tarde ou optam por não ter filhos.


“A amamentação traz proteção para a mama e reduz o risco de câncer. Como o cenário hoje é de mulheres engravidando cada vez mais tarde ou optando por não ter filhos, esse fator de proteção acaba ficando de lado. Por isso, é importante reforçar outros cuidados, como manter um peso saudável, praticar atividade física e ter uma alimentação equilibrada”, explicou.


Genética não explica a maioria dos casos

Apesar de a predisposição genética ser frequentemente associada ao câncer de mama, a especialista ressalta que ela representa apenas uma parcela dos diagnósticos sendo entre 5% e 10%, o que reforça a importância de olhar também para outros aspectos que podem ser modificados ao longo da vida.


Para reduzir os fatores de risco modificáveis, a recomendação é manter uma rotina mais saudável, com atividade física regular, controle do peso e alimentação equilibrada, além de reduzir o consumo de álcool e evitar o tabagismo. Tabata também chama atenção para a redução do consumo de alimentos ultraprocessados.


“Você tem que ensinar desde pequena. A criança tem que ser ativa, ela não pode ser obesa, ela tem que manter um hábito saudável em relação à alimentação, evitando fast food, açúcar, refrigerantes. Tem um oncologista que fala que a gente deve comer apenas o que Deus fez, como as frutas, legumes, verduras e tirar o que foi produzido pelo ser humano e isso não é só para evitar câncer de mama, mas outros problemas de saúde também”, orienta.


*Conhecer o próprio corpo também é prevenção*Outro ponto destacado pela mastologista é o autoconhecimento. Para ela, a mulher deve estar atenta às mudanças no próprio corpo e procurar avaliação médica caso perceba alguma alteração.


“A gente tem que ensinar a mulher que ela tem que ter um autoconhecimento do corpo dela. Qualquer manchinha na pele, qualquer retração de mamilo, retração da própria pele, mudança de cor ou a própria palpação, ela percebeu alguma nodulação diferente, tem que chamar. É um alerta que ela tem que procurar um atendimento médico”, orienta.


Tabata explica ainda que o diagnóstico precoce pode ocorrer de maneiras diferentes, dependendo da idade e da situação clínica da paciente. Lesões iniciais, como microcalcificações, podem ser identificadas em exames de imagem antes mesmo de serem palpáveis. Já alterações percebidas pela própria mulher devem ser avaliadas por um profissional de saúde.


Diagnóstico precoce aumenta chances de cura

O acompanhamento adequado é fundamental porque, quando o câncer de mama é identificado em estágio inicial, as possibilidades de tratamento e cura são maiores. Segundo a mastologista, nos casos diagnosticados precocemente, as chances de cura podem chegar a 95% a 100%.


A especialista ressalta ainda que não existe um único tratamento para todas as pacientes. A estratégia depende das características do tumor, da idade da mulher, da extensão da doença e de outros fatores avaliados pela equipe médica.


Tabata também destaca que os avanços no tratamento permitem hoje uma abordagem mais específica para cada tipo de tumor, com diferentes possibilidades terapêuticas, incluindo terapias-alvo e imunoterapia em situações indicadas.


Outubro Rosa como lembrete para o autocuidado

Para a mastologista, o principal papel do Outubro Rosa é justamente lembrar as mulheres de voltarem a atenção para a própria saúde. A campanha, segundo ela, funciona como um marco para incentivar consultas e exames que muitas vezes acabam sendo adiados durante o ano.


A especialista reforça que o cuidado não deve se limitar às mamas. Consultas e exames de rotina, acompanhamento ginecológico e atenção à saúde física e mental também fazem parte desse processo.


“Outubro é o momento do autocuidado da mulher em geral, não só para a mama. Eu acho que ela tem que ter um cuidado geral, além da mente. A mulher tem que cuidar dela também, cuidar da imagem. Muitas vezes elas ficam tão presas ao cuidado da casa, do marido, do filho, do emprego, que esquecem de cuidar delas mesmas”, destacou.


Homens também devem ficar atentos

Embora seja muito menos frequente, o câncer de mama também pode atingir homens. De acordo com a mastologista, aproximadamente 1% dos casos ocorre no sexo masculino. Como os homens geralmente não realizam acompanhamento específico das mamas, o diagnóstico pode ocorrer somente após o surgimento de uma alteração perceptível.


Nesses casos, a orientação é observar o próprio corpo e procurar avaliação diante de sinais como nódulos, alterações na pele ou secreção pelo mamilo.


“O homem também tem que se cuidar, tem que olhar para o próprio corpo e ver o que está diferente, o que está no habitual e o que apareceu”, alerta a especialista.


Assista completo pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=srxWNmufFEY