Economia e Negócios

Dólar cai a R$ 4,91 e tem menor valor em mais de dois anos, com ata do Copom e conflito no Irã

Moeda americana caiu 1,12%, cotada a R$ 4,9121. A bolsa encerrou em alta de 0,62%, aos 186.754 pontos.

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM G1 05/05/2026
Dólar cai a R$ 4,91 e tem menor valor em mais de dois anos, com ata do Copom e conflito no Irã
O dólar caiu 1,12% nesta terça-feira (5), cotado a R$ 4,9121, o menor valor desde 26 de janeiro de 2024 (R$ 4,9105) | Metrópoles

O dólar caiu 1,12% nesta terça-feira (5), cotado a R$ 4,9121, o menor valor desde 26 de janeiro de 2024 (R$ 4,9105). O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em alta de 0,62%, aos 186.754 pontos.

▶️ O Banco Central divulgou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que detalha a decisão de reduzir a taxa básica de juros de 14,75% para 14,50% ao ano. Segundo o BC, a guerra no Oriente Médio elevou as projeções de inflação para o ano, mas não deve interromper a trajetória de queda dos juros.

    ▶️ O mercado também avalia o impasse entre Estados Unidos e Irã, que mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz e pressiona os preços do petróleo. Por volta das 17h, o barril Brent (referência internacional) caía 3,74%, cotado a US$ 110,16.

    ▶️ Na bolsa, o destaque foi a Ambev, com alta de mais de 15% — segunda maior alta em um dia desde a criação da companhia em 1999. A empresa reportou lucro líquido de R$ 3,9 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a companhia, o resultado foi impulsionado pelo Carnaval no Brasil.

    Além disso, o presidente-executivo da empresa, Carlos Lisboa, afirmou que o ano deve ser positivo para o setor, impulsionado pela sequência de feriados prolongados e pela Copa do Mundo.

    Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

    💲Dólar

    • Acumulado da semana: -0,80%;
    • Acumulado do mês: -0,80%;
    • Acumulado do ano: -10,51%.

    📈Ibovespa

    • Acumulado da semana: -0,30%;
    • Acumulado do mês: -0,30%;
    • Acumulado do ano: +15,91%.

    Resultado da Ambev

    A Ambev divulgou mais cedo lucro líquido de R$ 3,89 bilhões no primeiro trimestre, além da distribuição de cerca de R$ 700 milhões em juros sobre capital próprio, a serem pagos até dezembro.

    Analistas do Itaú BBA afirmaram mais cedo que a Copa pode sustentar o momento positivo da Ambev e que a melhora dos fundamentos neste ano pode destravar o potencial de valorização das ações da companhia.

    O desempenho da companhia nos três primeiros meses de 2026 ocorre após a empresa ter citado, no fim do ano passado, problemas com o clima desfavorável ao consumo de cerveja como um dos principais fatores de preocupação.

    Lisboa afirmou nesta terça-feira, durante conferência com analistas sobre os resultados, que a companhia espera um arrefecimento de custos a partir do segundo trimestre e que está confiante no cumprimento das estimativas para as operações de cerveja no Brasil ao longo deste ano.

    A Ambev projeta crescimento do custo dos produtos vendidos por hectolitro da operação de cerveja no Brasil entre 4,5% e 7,5% em 2026, excluindo depreciação, amortização e o marketplace do grupo.

    Tensão no Oriente Médio

    A frágil trégua na guerra no Oriente Médio está ameaçada nesta terça-feira (5), um dia após Estados Unidos e Irã trocarem agressões no Golfo Pérsico, em meio à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.

    O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou em uma postagem nas redes sociais nesta terça-feira que as violações do cessar-fogo de quatro semanas pelos EUA "e seus aliados" colocaram em risco o transporte marítimo e o fluxo de energia pela hidrovia.

    Apesar da declaração, foi Teerã quem fechou o Estreito de Ormuz e atacou navios comerciais durante a guerra.

    "Sabemos bem que a continuação da situação atual é insuportável para os Estados Unidos, enquanto nós ainda nem começamos", afirmou Qalibaf.

    As Forças Armadas dos EUA informaram na segunda-feira que destruíram seis pequenos barcos iranianos, além de mísseis de cruzeiro e drones, após o presidente Donald Trump enviar a Marinha para escoltar navios-tanque retidos no estreito, em uma operação chamada de "Projeto Liberdade".

    A tensão no mar e nas declarações continuou na tarde desta terça-feira, quando Trump fez novas ameaças ao Irã e disse que o país "será varrido da face da Terra" caso ataque navios dos EUA. A fala foi dada em entrevista à emissora americana Fox News.

    O republicano também afirmou, na Truth Social, que o Irã atacou embarcações de países “não relacionados” à operação militar liderada pelos EUA no Estreito de Ormuz, incluindo um cargueiro sul-coreano.

    “Talvez seja hora de a Coreia do Sul vir e se juntar à missão”, escreveu Trump ao comentar o episódio.

    Segundo o presidente, além do navio sul-coreano, não houve danos a outras embarcações que passaram pelo estreito até o momento.

    Mercados globais

    Os mercados globais operavam alta nesta terça-feira, mesmo com o aumento das tensões no Oriente Médio.

    Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta. O Dow Jones subiu 0,73%, o S&P 500 avançou 0,81% e o Nasdaq tinha ganho de 1,03%.

    Na Europa, o movimento também foi de recuperação. O Stoxx 600 fechou em alta de 0,7%, após registrar, na véspera, sua maior queda em um mês.

    Entre as principais bolsas, o CAC 40, de Paris, avançou 1,08% e o DAX, de Frankfurt, teve alta de 1,71%, enquanto o FTSE 100, de Londres, seguiu na contramão, e fechou em queda de 1,40%.

    Na Ásia, os mercados da China, Japão e Coreia do Sul permaneceram fechados por conta de feriados locais, o que reduz o volume de negociações na região.

    Dólar opera em baixa — Foto: Freepik