Economia e Negócios

Dólar cai e fecha a R$ 4,97 em meio a incertezas sobre acordo entre EUA e Irã; Ibovespa avança

A moeda americana recuou 0,17%, a R$ 4,9746 — menor valor desde março de 2024. O principal índice da bolsa de valores subiu 0,20%, aos 196.132 pontos

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM G1 20/04/2026
Dólar cai e fecha a R$ 4,97 em meio a incertezas sobre acordo entre EUA e Irã; Ibovespa avança
O dólar fechou em queda de 0,17% nesta segunda-feira (20), cotado a R$ 4,9746 — menor valor em mais de dois anos | Arquivo Página 12

O dólar fechou em queda de 0,17% nesta segunda-feira (20), cotado a R$ 4,9746 — menor valor em mais de dois anos. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,20%, aos 196.132 pontos.

O movimento ocorre em meio a sinais contraditórios sobre os rumos da guerra no Oriente Médio. De um lado, o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, afirmou que um acordo com o Irã deve acontecer “relativamente rápido”. De outro, o país disse ver dificuldades nas negociações diplomáticas.

    ▶️ A dois dias do fim do frágil cessar-fogo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que “contínuas violações”, além de “comportamentos ilegais e posições contraditórias” dos EUA, representam um “grande obstáculo” à continuidade do processo diplomático.

    ▶️ No domingo, os EUA interceptaram e atacaram um navio cargueiro iranianoSegundo Donald Trump, a embarcação tentou furar um bloqueio naval americano no Golfo de Omã.

    ▶️ Em meio à escalada das tensões, Teerã prometeu retaliar e colocou em dúvida a participação na nova rodada de negociações de paz, prevista para começar nesta segunda-feira. Poucas horas depois, o Paquistão disse à Reuters que recebeu sinal positivo do Irã sobre participação nas tratativas.

    ▶️ Trump negou estar sob pressão para fechar um acordo com o Irã, mas indicou avanço nas negociações. “Não estou sob pressão alguma, embora tudo vá acontecer relativamente rápido”, escreveu em rede social.

    ▶️ Segundo fontes do canal Al Jazeera, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, deve desembarcar no Paquistão nesta terça-feira (21) para participar de negociações relacionadas ao conflito.

    • Diante de sinais contraditórios sobre a guerra — especialmente em relação aos bloqueios no Estreito de Ormuz, principal rota global do petróleo —, o preço do tipo Brent, referência internacional, avançava 5,32% por volta das 16h, cotado a US$ 95,19 o barril.

    ▶️ No Brasil, agentes do mercado financeiro elevaram as projeções de inflação e de juros para 2026, em meio à intensificação da guerra no Oriente Médio.

    Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

    💲Dólar

    • Acumulado da semana: -0,17%;
    • Acumulado do mês: -3,94%;
    • Acumulado do ano: -9,37%.

    📈Ibovespa

    • Acumulado da semana: +0,20%;
    • Acumulado do mês: +4,63%;
    • Acumulado do ano: +21,73%.

    De olho nas negociações

    O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira que não está sob pressão para fechar um acordo com o Irã, mas indicou que as negociações devem avançar em breve.

    "Li na imprensa fake news que estou sob “pressão” para fazer um acordo. ISSO NÃO É VERDADE! Não estou sob pressão alguma, embora tudo vá acontecer relativamente rápido", afirmou em uma publicação na rede social Truth Social.

    Segundo ele, “o tempo não é meu adversário” e é preciso corrigir “a bagunça” deixada por governos anteriores na condução das relações com o Irã.

    O republicano também afirmou que o acordo que pretende firmar será “muito melhor” do que o JCPOA, conhecido como acordo nuclear iraniano, fechado durante os governos de Barack Obama e Joe Biden.

    Do lado do Irã, o Paquistão afirmou estar confiante de que conseguirá fazer com que o país participe de negociações com os EUA, disse à Reuters nesta segunda-feira (20) uma autoridade sênior do governo paquistanês.

    “Recebemos um sinal positivo do Irã. A situação é dinâmica, mas estamos trabalhando para que eles estejam aqui quando iniciarmos as conversas amanhã ou no dia seguinte”, afirmou a fonte, sob condição de anonimato.

    Impactos na inflação

    Com a intensificação da guerra no Oriente Médio, analistas do mercado financeiro elevaram novamente a projeção para a inflação em 2026 e passaram a prever juros mais altos.

    De acordo com a pesquisa do BC, o mercado passou a projetar que a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 4,80% neste ano, contra a projeção anterior de 4,71%.

    As expectativas fazem parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.

    Se confirmada a projeção, o IPCA ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%.

    • ➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 3,91% para 3,99%;
    • ➡️ Para 2028, a previsão permaneceu em 3,60%.
    • ➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%.

    Corte dos juros

    Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros. Contudo, comparativamente à semana passada, a queda projetada foi menor.

    Atualmente, a taxa está em 14,75% ao ano — após o primeiro corte em quase dois anos (autorizado na semana passada pelo BC).

    • Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a taxa Selic passou de 12,50% para 13% ao ano na última semana.
    • Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado passou para 11% ao ano.
    • Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano.

    Mercados globais

    Os mercados globais tiveram desempenho misto nesta segunda-feira. Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em queda.

    O Dow Jones recuou 0,01%, aos 49.442,69 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,22%, aos 7.110,22 pontos, e o Nasdaq teve perda de 0,26%, aos 24.404,39 pontos.

    Na Europa, as bolsas também fecharam no vermelho. O índice pan-europeu STOXX 600 terminou o dia com queda de 0,8%.

    Entre os principais mercados da região, as perdas foram mais fortes na França e na Alemanha, onde os índices CAC e DAX recuaram cerca de 1,1%. Em Londres, o FTSE registrou baixa de 0,55%.

    Na Ásia o cenário foi diferente, com a maioria dos mercados encerrando o pregão em alta. Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,77%, enquanto em Xangai o SSEC avançou 0,76%.

    Nikkei, em Tóquio, ganhou 0,6%, e o Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 0,44%.