Polícia

Júri de Carlinhos Bezerra implode após defesa abandonar plenário e Justiça adia julgamento de caso que chocou Mato Grosso

Abandono dos advogados provoca suspensão da sessão, acirra embate com o Ministério Público e adia, mais uma vez, o desfecho de um dos crimes de maior repercussão da história recente do Estado

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 21/07/2026
Júri de Carlinhos Bezerra implode após defesa abandonar plenário e Justiça adia julgamento de caso que chocou Mato Grosso
A Justiça de Mato Grosso manteve para a próxima terça-feira (21) o julgamento do ex-deputado federal Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, acusado de homicídio qualificado | Arquivo Página 12

O que prometia ser o dia do acerto de contas entre a Justiça e um dos crimes que mais abalaram Mato Grosso terminou em um cenário de tensão, acusações e uma reviravolta inesperada. O Tribunal do Júri de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado de matar a ex-companheira Thays Machado e o namorado dela, Willian Cesar Moreno, foi interrompido nesta terça-feira (21) após a defesa abandonar o plenário e alegar que não possuía condições mínimas para realizar o julgamento.

A sessão, cercada de expectativa e acompanhada com atenção pela sociedade, transformou-se em um intenso confronto jurídico. Em vez do início da análise das provas e dos depoimentos, o plenário foi palco de um duro embate entre defesa, Ministério Público e magistrada, culminando na suspensão do júri.

Os advogados afirmaram que receberam mais de mil páginas de documentos apenas na última sexta-feira (17) e que tiveram acesso a somente parte dos volumes do processo. Segundo eles, essa situação comprometeu a preparação da defesa e violou o princípio constitucional da ampla defesa. Também sustentaram haver supostas falhas na cadeia de custódia de provas digitais utilizadas pela acusação.

Após apresentar as alegações, a defesa renunciou ao mandato ainda durante a sessão e deixou o plenário. O Ministério Público reagiu imediatamente, questionando a postura dos advogados e defendendo a regularidade do processo.

Diante do impasse, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira suspendeu o julgamento e redesignou a sessão para o próximo 31 de julho, às 9 horas. Ela também determinou que, caso o réu não constitua novos advogados até a nova data, a Defensoria Pública assumirá sua defesa para garantir a continuidade do julgamento.

A interrupção ocorreu antes mesmo de o Conselho de Sentença iniciar a análise do mérito da acusação. Nenhuma prova foi submetida aos jurados, nenhuma testemunha foi efetivamente confrontada e nenhuma tese de acusação ou de defesa chegou a ser apreciada.

Na prática, o julgamento foi interrompido antes de seu momento decisivo, prolongando a espera por uma resposta da Justiça em um caso que, desde o início, mobiliza a opinião pública e desperta forte comoção.

Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, Carlos Alberto Gomes Bezerra é réu confesso e responde pelos assassinatos de Thays Machado e Willian Cesar Moreno.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, Thays foi morta por motivação relacionada à inconformidade do acusado com o fim do relacionamento. A acusação afirma que os disparos ocorreram em plena luz do dia, utilizando uma pistola semiautomática, em uma via urbana movimentada, colocando em risco outras pessoas.

Quanto à morte de Willian Cesar Moreno, o Ministério Público sustenta que o homicídio foi premeditado e praticado de forma a impedir qualquer possibilidade de defesa da vítima.

Com a suspensão do júri, o processo ganha mais um capítulo de grande repercussão. O episódio evidencia o permanente conflito entre dois princípios fundamentais do processo penal: o direito à ampla defesa e a necessidade de uma prestação jurisdicional célere.

Agora, todas as atenções se voltam para o dia 31 de julho, quando o Tribunal do Júri deverá ser retomado. Se não houver novos incidentes processuais, caberá aos jurados decidir se acolhem ou rejeitam a denúncia do Ministério Público, colocando um ponto final em um dos julgamentos mais aguardados e emblemáticos da história recente de Mato Grosso.