Política
RACHOU NO PT? Candidato denuncia diferença de até 10 vezes em recursos de campanha e cobra explicações em MT
Emídio de Souza afirma ter recebido R$ 24,2 mil enquanto outras candidaturas teriam sido contempladas com até R$ 250 mil; petista questiona critérios, cobra transparência e expõe tensão interna em plena campanha eleitoral
Uma denúncia feita pelo candidato a deputado estadual Emídio de Souza ACDHAM (PT), número 13100, joga luz sobre uma possível crise interna na distribuição dos recursos destinados às candidaturas proporcionais do partido em Mato Grosso.
Emídio tornou pública sua insatisfação e questiona os critérios que, segundo ele, teriam provocado uma diferença gigantesca entre os valores destinados aos candidatos petistas.
O ponto que chama atenção é o tamanho da disparidade apontada pelo candidato.
Segundo a relação apresentada por Emídio, enquanto determinadas candidaturas teriam recebido R$ 250 mil, outras aparecem com R$ 97 mil e candidaturas femininas chegariam a R$ 126,1 mil, sua campanha teria ficado com apenas R$ 24.250.
A diferença entre R$ 24.250 e R$ 250 mil ultrapassa dez vezes.
Os R$ 24,2 mil arrecadados pela campanha de Emídio também aparecem em dados de prestação parcial de contas eleitorais consultados pela reportagem.
“Queremos tratamento justo”
Emídio não esconde a indignação e passou a cobrar publicamente explicações sobre a distribuição.
O candidato afirma não reivindicar privilégios, mas condições que considere minimamente equilibradas para enfrentar uma eleição que abrange todo o território de Mato Grosso.
Entre os questionamentos levantados estão perguntas que agora pressionam a direção partidária: quem definiu os valores? Quais critérios foram utilizados? Por que existe diferença tão expressiva entre candidatos da mesma legenda?
Emídio sustenta que a diferença financeira interfere diretamente na capacidade de produzir material, impulsionar comunicação, montar estrutura e percorrer municípios durante a campanha.
O episódio ganha ainda mais peso porque a reclamação parte de dentro do próprio PT.
Em vez de um ataque feito por adversários, trata-se de um candidato petista cobrando da própria estrutura partidária transparência e explicações sobre a divisão dos recursos eleitorais.
Candidato levanta suspeita de tratamento desigual
Ligado historicamente aos movimentos comunitários e à defesa da moradia popular, Emídio afirma que sua candidatura nasceu das bases e das comunidades e não de acordos entre lideranças partidárias.
Ao tornar a insatisfação pública, ele transforma uma discussão que normalmente permaneceria nos bastidores em um problema político para a legenda durante a campanha.
A denúncia, entretanto, não comprova por si só que tenha ocorrido irregularidade eleitoral.
Partidos políticos possuem critérios políticos e eleitorais para distribuir recursos entre suas candidaturas, e valores diferentes, isoladamente, não significam necessariamente ilegalidade. Existem ainda regras específicas para aplicação de recursos destinados a candidaturas de mulheres e pessoas negras.
A questão levantada por Emídio é outra: quais foram os critérios concretamente adotados pelo PT de Mato Grosso e como eles explicam uma diferença que, segundo os números apresentados pelo candidato, pode superar dez vezes entre determinadas campanhas?
Essa é a resposta que ele agora cobra publicamente.
PT precisa explicar critérios
Para Emídio, o episódio ultrapassa uma simples disputa por dinheiro dentro do partido. O candidato sustenta que está em jogo a própria possibilidade de competição entre os nomes apresentados pela legenda para a Assembleia Legislativa.
A manifestação pública abre uma saia-justa para o PT justamente no momento em que as campanhas começam a ganhar força nas ruas e nas redes sociais.
O Página 12 deixa espaço aberto para que a direção estadual do Partido dos Trabalhadores esclareça os critérios utilizados na distribuição dos recursos, informe os valores destinados às candidaturas proporcionais e se manifeste especificamente sobre os questionamentos apresentados por Emídio de Souza.
Até a publicação desta matéria, os valores atribuídos às demais candidaturas citados na denúncia são apresentados como informações fornecidas pelo candidato e dependem de confirmação individual nas prestações de contas eleitorais.