Polícia

Foragido de MT transforma Complexo do Alemão em “bunker” do crime e comanda “exército” de fuzis a 1,5 mil km de Cuiabá

Operação Dark Route revela conexão explosiva entre Mato Grosso e Rio de Janeiro; grupo teria soldados armados, rede financeira e frota de Porsche, BMW e Audi avaliada em R$ 1,5 milhão; chefe conhecido como “Batman” continua foragido

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 25/08/2026
Foragido de MT transforma Complexo do Alemão em “bunker” do crime e comanda “exército” de fuzis a 1,5 mil km de Cuiabá
Uma espécie de “quartel-general” do crime montado a mais de 1,5 mil quilômetros de Cuiabá entrou na mira da Polícia Civil de Mato Grosso | PC-MT

Uma espécie de “quartel-general” do crime montado a mais de 1,5 mil quilômetros de Cuiabá entrou na mira da Polícia Civil de Mato Grosso.

A Operação Dark Route, deflagrada nesta terça-feira (25), revelou detalhes de uma estrutura que, segundo as investigações, teria transformado áreas dominadas por facção criminosa no Rio de Janeiro — incluindo o Complexo do Alemão — em refúgio para criminosos procurados pela Justiça de Mato Grosso e base para articulação de atividades criminosas.

No centro da investigação aparece um personagem conhecido no submundo do crime pelo apelido de “Batman”.

Apontado pela Polícia Civil como principal alvo da operação, ele teria fugido de Mato Grosso em 2025, após obter progressão de regime e romper a tornozeleira eletrônica.

Mas a mudança para o Rio, segundo os investigadores, não significou aposentadoria do mundo do crime.

Muito pelo contrário.

A Polícia Civil sustenta que o investigado teria continuado articulando ações mesmo refugiado em território fluminense, cercado por uma estrutura formada por foragidos, operadores financeiros, integrantes responsáveis pela logística e os chamados “soldados armados”.

A investigação identificou inclusive um grupo denominado “Tropa do Batman”.

Complexo do Alemão vira peça central da investigação

O que inicialmente poderia parecer apenas uma rota de fuga ganhou dimensão muito maior durante as investigações.

Segundo a Polícia Civil, o Rio de Janeiro não estaria sendo utilizado somente como esconderijo.

A estrutura instalada em território fluminense funcionaria como uma verdadeira base de proteção, comando e articulação, concentrando criminosos procurados pela Justiça de Mato Grosso e pessoas responsáveis por dar suporte à liderança.

Parte dos integrantes estava instalada no Complexo do Alemão.

De lá, conforme a investigação, seriam mantidas conexões com atividades desenvolvidas em Mato Grosso.

Era uma ponte criminosa entre dois estados.

De um lado, o esconderijo em áreas sob influência de facção no Rio.

Do outro, os braços financeiros, operacionais, logísticos e patrimoniais mantidos em Mato Grosso.

“Soldados” com fuzis entram no radar

Outro capítulo da Dark Route chama ainda mais atenção.

A investigação encontrou elementos indicando que integrantes ligados ao grupo possuíam forte capacidade bélica.

Segundo a Polícia Civil, foram identificados suspeitos portando e até efetuando disparos com fuzis de uso restrito.

Também surgiram registros relacionados à guarda, circulação e remanejamento de armas e munições.

Imagens e levantamentos realizados durante a investigação mostrariam os chamados “soldados” armados em territórios dominados pela facção, inclusive com referências ao grupo criminoso e ao apelido da liderança investigada.

A estrutura, portanto, segundo a investigação, não dependeria apenas de dinheiro e esconderijos.

Havia também homens armados.

Braço direito caiu quando saiu para academia

Um episódio ocorrido antes da deflagração da operação dá uma dimensão de como alguns dos investigados viviam escondidos no Rio.

Um homem apontado como um dos auxiliares da liderança foi localizado e preso no último dia 20.

O momento da captura chama atenção: ele havia acabado de deixar o Complexo do Alemão para frequentar uma academia.

A prisão foi realizada com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Nesta terça-feira, durante a fase ostensiva da Dark Route, outros dois alvos foram presos em Várzea Grande, onde também houve cumprimento de busca e apreensão contra outro investigado.

Batman escapa — e ganha novo mandado de prisão

O principal alvo, entretanto, não foi capturado.

Conhecido como “Batman”, ele continua foragido e, conforme a Polícia Civil, estaria escondido no Rio de Janeiro.

A Dark Route acrescentou um novo problema à situação judicial do investigado: mais um mandado de prisão preventiva foi expedido contra ele em razão dos fatos apurados nesta investigação.

Segundo os elementos reunidos pela polícia, mesmo distante de Mato Grosso, ele teria continuado mantendo contato com operadores financeiros, integrantes armados, familiares e outras pessoas apontadas como responsáveis por dar suporte à estrutura.

A polícia tenta agora fechar o cerco.

Porsche, BMW e Audi: frota milionária entra na mira

E a investigação encontrou outra face da suposta estrutura: luxo e ostentação.

A Polícia Civil identificou uma frota de veículos de alto padrão que circulava entre pessoas ligadas ao grupo no eixo Mato Grosso–Rio de Janeiro.

Alguns automóveis, conforme a investigação, estavam formalmente registrados em nome de terceiros, apesar de serem utilizados por pessoas próximas à liderança.

A Justiça determinou o sequestro de cinco veículos: 1 Porsche Boxster GTS, 2 BMWs, 1 Audi A3 e 1 Volkswagen T-Cross

O valor conjunto é estimado em aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Segundo a investigação, os veículos teriam sido utilizados para deslocamento, logística, ostentação e possível ocultação patrimonial.

O bloqueio da frota faz parte de uma estratégia para atingir não somente as pessoas investigadas, mas também a capacidade financeira e logística atribuída ao grupo.

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Polícia tenta cortar dinheiro, armas, carros e esconderijos

A ofensiva é ampla.

Ao todo, a Dark Route envolve nove mandados de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e cinco ordens de sequestro de veículos de luxo.

As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá, a partir das investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).

O objetivo é atingir simultaneamente os diferentes braços da estrutura investigada: liderança, soldados, operadores financeiros, logística e patrimônio.

A estratégia também procura atingir aqueles que teriam auxiliado criminosos procurados pela Justiça a permanecer escondidos fora de Mato Grosso.

Uma “Dark Route” entre Cuiabá e Rio

O próprio nome da operação traduz o caminho que a polícia tenta desmontar.

Dark Route — “rota sombria” — faz referência à conexão estabelecida entre Mato Grosso e Rio de Janeiro, utilizada, segundo a investigação, para circulação de integrantes, recursos financeiros, apoio logístico e veículos de luxo.

No Rio, áreas dominadas pela facção ofereceriam proteção aos foragidos.

Em Mato Grosso, braços financeiros, operacionais e patrimoniais ajudariam a sustentar a estrutura.

A Polícia Civil tenta agora desmontar essa ponte nas duas extremidades.

E enquanto Porsche, BMWs e Audi entram na mira da Justiça e integrantes da suposta estrutura são presos, a caçada continua atrás daquele que dá nome ao grupo investigado:

“Batman” permanece foragido

Os fatos narrados decorrem de investigação em andamento. Os investigados têm assegurados a presunção de inocência, o contraditório e a ampla defesa, e as responsabilidades individuais ainda deverão ser estabelecidas no curso do procedimento.