Polícia
“Eu estraguei tudo”: nora mata sogra a pauladas em desespero para não ser abandonada pelo marido
Confissão de mulher de 29 anos revela drama familiar que terminou em sangue; vítima foi encontrada morta dentro de casa e era avó dos filhos da suspeita
Foi assim que, em meio ao medo de perder o marido e os filhos, Alessandra do Nascimento Gonçalves, de 29 anos, acabou confessando ter matado a própria sogra, Maria Aparecida da Silva, de 53 anos, a pauladas.
O crime aconteceu na manhã do último sábado (22), em Confresa, a 1.160 quilômetros de Cuiabá.
Maria Aparecida estava dentro de casa quando foi violentamente atacada. Minutos depois, vizinhos ouviram gritos de socorro e acionaram a Polícia Militar.
Quando os policiais chegaram, encontraram o portão trancado.
Ninguém respondia.
Os militares precisaram subir no muro para tentar descobrir o que havia acontecido.
E então encontraram uma cena chocante.
Maria Aparecida estava caída no chão, cercada por sangue.
Segundo a Polícia Civil, a vítima apresentava ferimentos provocados por um objeto contundente e estava com um fio de extensão elétrica no pescoço.
Um pedaço de madeira com sinais de sangue foi encontrado e apreendido na residência.
“Ela gritou... depois não gritou mais”
A própria Alessandra contou aos investigadores como começou a agressão.
Segundo o depoimento, ela partiu para cima da sogra.
Maria Aparecida gritou.
Depois, o silêncio tomou conta da casa.
“Quando eu fui pra cima dela, ela gritou, depois vi que ela não gritou mais. Aí eu entrei em desespero porque eu não sabia mais o que fazer”, declarou.
A frase revela o momento em que, segundo Alessandra, ela percebeu a gravidade do que havia acontecido.
Medo de ser abandonada
Segundo o depoimento, Alessandra estava vivendo uma crise no relacionamento.
O marido estaria ameaçando terminar e deixar os filhos.
Desesperada, ela teria passado a acreditar que precisava estar ao lado dele para impedir que ele fosse embora.
“Meu marido estava ameaçando me deixar e deixar as crianças e eu entrei em desespero com aquilo tudo”, afirmou.
Foi nesse contexto, segundo a versão apresentada pela própria suspeita, que ela foi até a casa da sogra.
O que aconteceu depois terminou em morte.
A “tragédia”
Após o crime, Alessandra permaneceu na residência.
Quando os policiais chegaram, ela abriu o portão e afirmou que havia acontecido uma “tragédia” com a sogra.
A mulher teria permanecido no local porque, segundo seu relato, se arrependeu e não teve coragem de simplesmente abandonar Maria Aparecida.
Ela também contou que jogou objetos da vítima, como carteira e celular, na casa de um vizinho.

“Não era uma pessoa qualquer. Era a avó deles”
Ao falar dos filhos, Alessandra voltou a demonstrar arrependimento.
“Eu preciso ver meus filhos, eles só tinham a mim e eu estraguei tudo. Não era uma pessoa qualquer, era a avó deles”, disse.
A declaração expõe a dimensão da tragédia: a mulher que morreu era justamente a avó dos filhos que Alessandra dizia temer perder.
Confissão e prisão
Segundo o delegado plantonista Daniel Moura, Alessandra foi conduzida para prestar esclarecimentos e confessou o crime durante o depoimento.
Inicialmente, conforme o delegado, ela relatou problemas familiares e afirmou que havia tido um surto.
A Polícia Civil e a Politec realizaram perícia na residência e investigam todas as circunstâncias do assassinato.
Alessandra permanece presa.
Durante o depoimento, afirmou que não possuía advogado.
Cidade em luto
Maria Aparecida era ex-servidora pública municipal de Confresa.
Após a morte, a Prefeitura decretou três dias de luto oficial e destacou a contribuição da ex-servidora para o município.
Uma manhã que começou como qualquer outra terminou em gritos, sangue e morte.
Uma mãe perdeu a vida. Uma família ficou destruída. Crianças perderam a avó. E uma mulher de 29 anos acabou presa, confessando um crime que, segundo seu próprio relato, nasceu do desespero de não perder o marido.
A investigação agora deverá esclarecer todos os detalhes da tragédia que chocou Confresa.