Polícia

Polícia bate à porta de candidato a deputado, apreende 4 Rolex e mira movimentações de mais de R$ 1 milhão

Hugo Garcia, suplente de deputado e candidato à Assembleia pelo PSDB, é investigado ao lado do ex-diretor Afrânio Migliari; operação apura suspeitas de furto qualificado, estelionato e falsidade ideológica envolvendo recursos do Imafir-MT

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 25/08/2026
Polícia bate à porta de candidato a deputado, apreende 4 Rolex e mira movimentações de mais de R$ 1 milhão
No endereço ligado a Hugo Garcia, a operação resultou na apreensão de quatro relógios Rolex, além de arma, munições, celulares e computadores | PC-MT

A campanha eleitoral ganhou um ingrediente explosivo em Mato Grosso nesta terça-feira (25). A Polícia Civil deflagrou a Operação Mandato Espúrio e cumpriu mandados contra o suplente de deputado estadual e candidato à Assembleia Legislativa Hugo Henrique Garcia (PSDB) e o ex-diretor executivo do Instituto Mato-Grossense de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigação (Imafir-MT), Afrânio Migliari.

No endereço ligado a Hugo Garcia, a operação resultou na apreensão de quatro relógios Rolex, além de arma, munições, celulares e computadores.

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Os quatro relógios teriam valor estimado, em conjunto, na casa dos R$ 700 mil, considerando avaliações atribuídas aos modelos encontrados.

A imagem dos artigos de luxo apreendidos adiciona repercussão política à operação justamente quando Hugo tenta transformar a condição de suplente em uma cadeira efetiva na Assembleia Legislativa nas eleições de 2026.

Mas é importante fazer uma distinção: até o momento, não há informação oficial apresentada de que os relógios sejam produto dos crimes investigados. Os objetos foram apreendidos durante o cumprimento das ordens judiciais e deverão integrar a análise das autoridades.

O que está formalmente sob investigação são movimentações financeiras que, segundo a Polícia Civil, ultrapassam R$ 1 milhão nas contas do Imafir-MT.

R$ 774 mil para conta pessoal e empresa

A investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá apura suspeitas de furto qualificado, estelionato e falsidade ideológica.

Segundo a Polícia Civil, aproximadamente R$ 774 mil teriam sido transferidos para uma conta pessoal e para uma empresa pertencente ao então diretor executivo do instituto.

Outra movimentação que chamou a atenção dos investigadores envolve R$ 270 mil destinados a um escritório de advocacia.

Somadas, as duas cifras passam de R$ 1,04 milhão.

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A polícia agora tenta reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro, identificar as autorizações utilizadas nas operações e estabelecer a responsabilidade individual de cada investigado.

Disputa pelo comando do instituto entrou na mira

O pano de fundo da investigação é uma intensa disputa pelo controle administrativo do Imafir-MT.

De acordo com a Polícia Civil, há suspeita de que um ex-dirigente tenha realizado movimentações financeiras irregulares mesmo diante de acordo homologado e decisão judicial que o impediriam de reassumir a presidência e praticar determinados atos em nome da entidade.

A apuração encontrou indícios relacionados a alterações estatutárias, disputa interna pela administração, acordo judicial e posteriores movimentações patrimoniais em favor de pessoas físicas e jurídicas relacionadas à gestão então exercida.

O Imafir-MT aparece como vítima na investigação e, segundo a Polícia Civil, está colaborando com as autoridades.

Justiça corta acesso às contas

A ofensiva não ficou restrita às buscas.

Por determinação do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias – Polo Cuiabá, foram determinadas medidas para impedir que os investigados continuassem utilizando mecanismos de acesso às contas bancárias da entidade.

A ordem alcança credenciais eletrônicas, tokens, certificados digitais, assinaturas eletrônicas e outros mecanismos de movimentação bancária, incluindo a chamada Chave J.

Na prática, os investigados ficaram impedidos de realizar ou autorizar, em nome da entidade, operações como Pix, transferências, pagamentos, aplicações e resgates pelos acessos alcançados pela decisão.

Também houve determinação de bloqueio de contas bancárias nos termos definidos judicialmente.

Quatro Rolex, arma e eletrônicos apreendidos

Foi durante o cumprimento das buscas que outro elemento da operação ganhou destaque.

Na residência do suplente Hugo Garcia, conforme divulgado, foram encontrados e apreendidos quatro relógios Rolex, uma arma, munições, aparelhos celulares e computadores.

Os equipamentos eletrônicos podem ganhar importância para a investigação.

Celulares, computadores, documentos e registros contábeis apreendidos serão submetidos à análise e perícia para que os investigadores tentem identificar contratações, autorizações bancárias e a destinação dos recursos movimentados.

A apreensão dos relógios, por sua vez, chama atenção pelo elevado valor atribuído aos objetos, mas não significa, por si só, comprovação de origem ilícita ou ligação dos bens com as movimentações investigadas.

Candidato declarou patrimônio milionário

Hugo Garcia não é apenas ex-presidente do Imafir-MT.

Ele é suplente de deputado estadual e candidato a uma vaga efetiva na Assembleia Legislativa pelo PSDB.

Segundo informações atribuídas à declaração apresentada à Justiça Eleitoral, Hugo declarou patrimônio de aproximadamente R$ 9,49 milhões.

A Operação Mandato Espúrio, portanto, desembarca em pleno cenário eleitoral e coloca o candidato no centro de uma investigação policial de grande repercussão.

Vídeo de oração após operação

Após a deflagração da operação, Hugo Garcia publicou em seu perfil no Instagram um vídeo de oração.

Até a publicação das informações que embasam esta reportagem, não havia sido divulgada manifestação pública detalhada do candidato rebatendo especificamente as suspeitas investigadas e as apreensões realizadas.

O espaço permanece aberto para manifestação de Hugo Garcia, Afrânio Migliari e suas respectivas defesas, inclusive para esclarecimentos sobre as movimentações financeiras e os bens apreendidos.

Investigação ainda pode avançar

A Operação Mandato Espúrio está longe de representar o encerramento do caso.

O material apreendido será analisado e periciado pela Polícia Civil. A expectativa é que celulares, computadores, documentos e registros bancários ajudem a reconstruir as movimentações realizadas durante o período investigado.

A partir daí, a Derf poderá definir a participação atribuída a cada pessoa e avaliar eventual indiciamento.

Por enquanto, Hugo Garcia e Afrânio Migliari são investigados, e não condenados, devendo ser preservadas a presunção de inocência e as garantias constitucionais do devido processo legal.

Politicamente, porém, a Operação Mandato Espúrio já colocou uma cifra difícil de ignorar no centro da disputa eleitoral: mais de R$ 1 milhão em movimentações investigadas, quatro Rolex apreendidos e um candidato à Assembleia Legislativa na mira da Polícia Civil.