Polícia

Caiu a rota do ouro: PF prende dois em Cuiabá e mira esquema milionário que negociou 17,3 kg do minério

Operação Arcanjo investiga grupo que teria movimentado mais de R$ 5,2 milhões com ouro de origem ilícita; 22 mandados de busca são cumpridos em MT, MS e SP

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PF-MT 28/08/2026
Caiu a rota do ouro: PF prende dois em Cuiabá e mira esquema milionário que negociou 17,3 kg do minério
Batizada de Operação Arcanjo, a ofensiva mira uma estrutura que, segundo as investigações, teria negociado aproximadamente 17,3 quilos de ouro e movimentado mais de R$ 5,2 milhões | PF-MT

A Polícia Federal prendeu duas pessoas em Cuiabá na manhã desta sexta-feira (28) durante uma megaoperação contra um suposto esquema milionário de aquisição, circulação e comercialização de ouro de origem ilícita.

Batizada de Operação Arcanjo, a ofensiva mira uma estrutura que, segundo as investigações, teria negociado aproximadamente 17,3 quilos de ouro e movimentado mais de R$ 5,2 milhões em recursos relacionados às operações investigadas.

Os dois mandados de prisão preventiva, ambos cumpridos em Cuiabá, fazem parte de um conjunto de 24 ordens judiciais, sendo 22 mandados de busca e apreensão e duas prisões.

null

As buscas acontecem em Cuiabá, Várzea Grande e Poconé, em Mato Grosso, além de Campo Grande (MS) e São José do Rio Preto (SP).

A PF corrigiu uma informação divulgada inicialmente e esclareceu que não há cumprimento de mandados em Pontes e Lacerda.

Do ouro em MT ao dinheiro milionário

Segundo a Polícia Federal, a investigação revelou uma estrutura organizada que envolveria fornecedores, operadores financeiros, intermediários, transportadores e compradores do minério.

O esquema investigado teria como ponto de partida a região de Poconé, tradicional área de mineração de ouro em Mato Grosso.

null

Após a aquisição, o minério seguiria para São José do Rio Preto, no interior paulista, onde seria recebido e mantido em um estabelecimento utilizado, segundo a PF, para custódia e comercialização.

A investigação agora tenta detalhar toda a cadeia e identificar a participação de cada pessoa envolvida nas operações.

R$ 5,2 milhões na mira da PF

A análise das movimentações financeiras revelou operações superiores a R$ 5,2 milhões relacionadas ao esquema investigado.

Ao mesmo tempo, a PF conseguiu identificar a negociação de aproximadamente 17,3 quilos de ouro.

null

Os investigadores também encontraram indícios de mecanismos que teriam sido utilizados para ocultar e dissimular a movimentação dos recursos, circunstância que colocou a suspeita de lavagem de dinheiro no centro da apuração.

A operação pretende justamente seguir o caminho do ouro e do dinheiro para descobrir de onde saía o minério, quem financiava as operações, quem realizava o transporte e quem eram os destinatários finais.

Cuiabá concentra as duas prisões

Conforme atualização divulgada pela própria Polícia Federal, os dois mandados de prisão preventiva foram cumpridos em Cuiabá.

null

A distribuição das buscas ficou assim: seis em Cuiabá, duas em Várzea Grande, oito em Poconé, quatro em São José do Rio Preto e duas em Campo Grande.

As buscas continuavam em andamento após o cumprimento das duas prisões.

Operação Arcanjo

A ofensiva foi desencadeada para atingir diferentes pontos da suposta cadeia de comercialização clandestina do minério e tentar interromper tanto a circulação do ouro quanto dos recursos financeiros associados às operações.

O foco da investigação está especialmente na conexão entre Poconé e São José do Rio Preto.

Se confirmada a estrutura apontada pela PF, o caso revela uma cadeia que ultrapassava as fronteiras de Mato Grosso e alcançava pelo menos outros dois estados.

Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de usurpação de matéria-prima pertencente à União, lavagem de dinheiro e associação criminosa, sem prejuízo de outros delitos que eventualmente sejam identificados no decorrer das investigações.

null

A Operação Arcanjo continua em andamento e novas informações poderão surgir a partir da análise dos materiais apreendidos.

Os fatos estão em fase de investigação. A responsabilidade individual dos envolvidos deverá ser apurada no curso do inquérito, com garantia do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.