Política

TSUNAMI POLÍTICO: Cláudio rompe com PL por Pivetta, fica na mira da expulsão e impõe baque a Wellington

Prefeito de Rondonópolis desafia orientação partidária, perde comando municipal da legenda e fica sob ameaça de expulsão; apoio pode fortalecer Pivetta justamente em um dos maiores colégios eleitorais de Mato Grosso

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 28/08/2026
TSUNAMI POLÍTICO: Cláudio rompe com PL por Pivetta, fica na mira da expulsão e impõe baque a Wellington
A declaração pública de apoio do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) abriu uma crise dentro do partido | Assessoria

O que parecia ser apenas mais uma divergência dentro do PL se transformou em um tsunami político com potencial para mexer no tabuleiro eleitoral de Mato Grosso.

A declaração pública de apoio do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) abriu uma crise dentro do partido, provocou reação imediata da direção estadual e atingiu diretamente a candidatura do senador Wellington Fagundes ao Governo.

Cláudio não é um filiado qualquer.

É prefeito de Rondonópolis, uma das maiores e mais importantes cidades de Mato Grosso, administra um poderoso colégio eleitoral e conquistou protagonismo dentro da direita mato-grossense.

Por isso, sua decisão de subir no palanque de Pivetta enquanto o próprio PL possui candidato ao Governo ganha dimensão muito maior do que uma simples manifestação individual.

É uma ruptura política pública.

E Cláudio sabia disso.

“Meu candidato a governador é Otaviano Pivetta. E eu sei, meus amigos, que eu vou pagar um preço porque ele não faz parte do meu partido”, declarou.

O preço começou a chegar poucas horas depois.

PL parte para cima

A resposta da direção estadual foi fulminante.

O presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, anunciou a destituição de Cláudio Ferreira da presidência do diretório municipal de Rondonópolis e afirmou que exigirá sua desfiliação.

Caso o prefeito não deixe voluntariamente a legenda, a direção partidária promete instaurar procedimento disciplinar que poderá resultar em sua expulsão.

Ananias elevou ainda mais a temperatura ao chamar Cláudio de “traidor do partido”.

“Não vou conversar com traidor do partido”, disparou.

A guerra, portanto, deixou os bastidores.

Virou pública.

Pivetta ganha muito mais que um apoio

Para Otaviano Pivetta, o movimento representa uma conquista política de enorme valor simbólico.

Pivetta não recebeu apenas a adesão de mais um prefeito. Conseguiu arrancar para seu palanque o prefeito de Rondonópolis justamente do partido de seu principal adversário na disputa pelo Governo.

E existe uma diferença fundamental entre conquistar o apoio de um prefeito neutro e receber a adesão pública de uma liderança que precisa desafiar o próprio partido para fazer essa escolha.

Cláudio colocou seu cargo partidário e sua permanência no PL em risco para declarar que considera Pivetta o melhor nome para governar Mato Grosso.

Politicamente, a campanha de Pivetta ganha uma narrativa poderosa: a de que sua candidatura estaria conseguindo romper fronteiras partidárias e atrair lideranças até mesmo dentro das fileiras adversárias.

E isso acontece em Rondonópolis.

O peso eleitoral do município transforma a adesão em um ativo que poderá ser explorado intensamente pela campanha governista.

Wellington recebe o golpe dentro de casa

Se Pivetta comemora, Wellington Fagundes enfrenta um problema que vai muito além da perda de um apoio.

O senador precisa impedir que o episódio produza um efeito dominó.

O maior risco político para o PL não é somente Cláudio Ferreira deixar o partido. É a possibilidade de outros prefeitos, vereadores, candidatos e lideranças municipais que simpatizam com Pivetta começarem a questionar até onde precisam obedecer à verticalização eleitoral determinada pela direção.

É justamente por isso que a reação partidária foi tão dura.

Punir Cláudio significa também mandar um recado para dentro do próprio PL:

quem pedir voto para Pivetta poderá enfrentar consequências.

A direção tenta fechar rapidamente a porta antes que a rebelião se espalhe.

Expulsar Cláudio também tem preço

Existe, porém, um paradoxo.

O PL pode punir Cláudio Ferreira por infidelidade às decisões partidárias, mas uma eventual expulsão também possui custo político.

O partido estaria perdendo um prefeito de uma das cidades mais estratégicas do estado justamente durante uma campanha eleitoral.

E Cláudio poderá transformar uma eventual expulsão em discurso político.

Ele já antecipou a narrativa ao dizer que “os partidos existem para as pessoas e não as pessoas para os partidos”.

Caso seja efetivamente expulso, poderá apresentar-se ao eleitorado como alguém que preferiu “pagar o preço” de uma decisão pessoal a obedecer à imposição partidária.

Se essa narrativa funcionará ou não eleitoralmente, somente as urnas poderão mostrar.

Mas politicamente ela é poderosa.

Rondonópolis vira campo de batalha

A consequência imediata é transformar Rondonópolis em um dos principais campos de batalha da eleição estadual.

De um lado estará Wellington Fagundes, senador pelo PL e candidato oficial do partido.

Do outro, Pivetta poderá contar com o apoio declarado do prefeito da cidade.

A campanha dentro do município tende, portanto, a ganhar contornos ainda mais intensos.

Cláudio possui a máquina política construída em torno de sua administração, relacionamento com vereadores, secretários, lideranças comunitárias e setores organizados da sociedade.

Isso não significa transferência automática de votos.

Nenhum prefeito controla sozinho o eleitorado de uma cidade.

Mas significa estrutura, presença política e capacidade de mobilização, elementos preciosos em uma disputa apertada.

O “vou pagar o preço” virou realidade

Cláudio Ferreira praticamente antecipou o próprio destino político quando subiu ao palanque.

“Eu vou pagar um preço”, disse.

Poucas horas depois, perdeu o comando municipal do partido e passou a enfrentar a ameaça de expulsão.

A frase que poderia ter sido apenas retórica ganhou enorme dimensão política.

E talvez esteja exatamente aí o maior trunfo de Pivetta no episódio.

Quanto mais dura for a reação do PL, maior poderá ser a repercussão da adesão.

Cláudio deixa de ser simplesmente um prefeito que declarou apoio e passa a ser o prefeito que enfrentou o próprio partido para apoiar Pivetta.

Um Tsunami que pode não parar em Rondonópolis

O episódio expõe uma ferida que o PL precisará administrar rapidamente.

A pergunta que passa a circular nos bastidores não é apenas o que acontecerá com Cláudio Ferreira.

É se existem outros “Cláudios” dentro do PL.

Outros prefeitos seguirão a orientação partidária? Vereadores e lideranças locais permanecerão integralmente no palanque de Wellington? Ou a candidatura de Pivetta conseguirá novas adesões silenciosas ou públicas entre filiados de partidos adversários?

É esse possível efeito cascata que transforma a crise de Rondonópolis em algo potencialmente muito maior.

Para Wellington, o desafio agora é reafirmar autoridade sobre sua base e impedir novas deserções.

Para Pivetta, a missão será transformar o apoio de Cláudio em votos e usar o episódio para demonstrar força política fora de sua própria coligação.

E para Cláudio Ferreira, aparentemente, a ponte com a atual direção estadual do PL está praticamente incendiada.

A expulsão, entretanto, não deve ser tratada juridicamente como consumada enquanto não houver conclusão formal do procedimento partidário cabível.

Politicamente, porém, a ruptura já aconteceu.

E aconteceu em alto volume.

Cláudio Ferreira escolheu Pivetta, desafiou o próprio partido e colocou Rondonópolis no epicentro de uma guerra que pode redesenhar alianças na corrida pelo Palácio Paiaguás. O tsunami começou. Agora, a grande dúvida é saber até onde essa onda vai chegar.