Polícia
“Sarinha da Toyota” se entrega à polícia; vendedora é apontada como peça central de esquema de R$ 50 milhões em MT
Investigação aponta que Vitória Sara teria movimentado R$ 8 milhões em conta pessoal em apenas um ano; prejuízo já chega a R$ 2 milhões e até 20 possíveis vítimas foram identificadas
Conhecida como “Sarinha da Toyota”, a vendedora Vitória Sara Bezerra Lupatini se entregou à Polícia Civil na tarde de quinta-feira (27), em Sorriso (420 km de Cuiabá), após ser alvo da Operação Pátio Paralelo, que investiga um suposto esquema milionário envolvendo o desvio de veículos entregues por clientes a uma concessionária.
A dimensão financeira do caso impressiona. Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 50 milhões no período de um ano. Somente Vitória teria registrado movimentação de aproximadamente R$ 8 milhões em uma conta bancária pessoal, conforme os dados levantados pelos investigadores.
A jovem é apontada pela Polícia Civil como “peça central” do suposto esquema e estava acompanhada de advogado quando se apresentou às autoridades.
Vitória é investigada pelos crimes de furto qualificado e associação criminosa. A defesa informou que pretende ingressar com habeas corpus e que a investigada deverá permanecer em silêncio durante o interrogatório previsto para esta sexta-feira (28).
De vendedora a alvo central da investigação
De acordo com as investigações, Vitória trabalhava como vendedora de uma concessionária e teria desempenhado papel estratégico nas operações sob suspeita.
Ela seria responsável por captar clientes, conduzir negociações, receber veículos usados, indicar contas bancárias para pagamentos e movimentar recursos relacionados às transações investigadas.
A Polícia Civil agora tenta reconstruir o caminho do dinheiro e descobrir o destino dos veículos.
Celulares apreendidos durante a operação e informações obtidas por meio de medidas judiciais de acesso a dados bancários deverão ajudar os investigadores a aprofundar o caso.
Outros investigados já foram interrogados e negaram participação nos crimes.
Clientes entregavam carros e veículos teriam outro destino
Segundo a investigação, o suposto esquema teria se aproveitado da estrutura e da credibilidade de uma concessionária de Sorriso para atrair clientes durante aproximadamente um ano.
A própria concessionária é apontada pela investigação como principal vítima do esquema.
O mecanismo investigado funcionaria da seguinte maneira: clientes entregavam seus veículos usados como parte do pagamento na aquisição de automóveis novos.
Esses carros, porém, em vez de seguirem o fluxo comercial normal da concessionária e terem seus valores contabilizados nas negociações, teriam sido encaminhados para outras garagens relacionadas aos investigados.
A polícia apura ainda a suspeita de que pagamentos realizados por clientes tenham sido direcionados para contas de pessoas físicas e empresas ligadas ao grupo, fora do procedimento regular da concessionária.
Algumas empresas também teriam sido utilizadas, segundo a investigação, para movimentar recursos e conferir aparência de legalidade às operações.
Prejuízo pode crescer
Até o momento, o prejuízo atribuído aos fatos investigados é estimado em aproximadamente R$ 2 milhões, mas esse número ainda pode aumentar.
Entre 15 e 20 possíveis vítimas já teriam sido identificadas, e a Polícia Civil trabalha com a possibilidade de surgirem novos casos conforme a investigação ganhe repercussão.
Vitória também é investigada por suspeita de envolvimento em outros possíveis crimes ocorridos em Sorriso.

Justiça autorizou bloqueio de bens e quebra de sigilos
A Operação Pátio Paralelo envolve mais de 20 ordens judiciais, incluindo uma prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão, nove decisões relacionadas ao acesso a informações bancárias e cinco determinações de bloqueio de ativos financeiros.
Também foi autorizado o bloqueio de valores e sequestro de bens até o limite de R$ 2 milhões.
Durante as buscas, os policiais procuraram celulares, computadores, notebooks, tablets, dispositivos de armazenamento, documentos, contratos e comprovantes de pagamentos que possam ajudar a esclarecer as negociações.
Com os dados bancários, fiscais e telemáticos obtidos mediante autorização judicial, a Polícia Civil pretende identificar para onde foram os veículos e por onde passaram os milhões movimentados.
Defesa vai pedir Habeas Corpus
A defesa de Vitória Sara, representada pelo advogado Willian Puhl, informou que pretende pedir habeas corpus e acompanhar o andamento da investigação.
Segundo o advogado, como a defesa ainda não teve acesso à integralidade dos elementos produzidos na investigação, Vitória deverá exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio durante o interrogatório.
A Polícia Civil continua as diligências para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a extensão das operações financeiras e comerciais investigadas.
Vitória Sara é investigada e não há, até o momento, condenação pelos fatos narrados. As acusações deverão ser submetidas ao contraditório e à ampla defesa, e eventual responsabilidade criminal será definida pelo Poder Judiciário.