Polícia
DERROTA NO STJ: Carlinhos Bezerra perde recurso e será julgado em Cuiabá por mortes de ex-companheira e empresário
Defesa tentou retirar o Tribunal do Júri da capital alegando “pré-julgamento”, pressão popular e forte repercussão do caso, mas ministros rejeitaram os argumentos por unanimidade
A última tentativa da defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o “Carlinhos Bezerra”, de retirar de Cuiabá o julgamento pelas mortes de sua ex-companheira, Thays Machado, e do empresário Willian César Moreno sofreu uma dura derrota no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Por unanimidade, a 6ª Turma negou o agravo regimental apresentado pelos advogados e manteve o Tribunal do Júri na capital mato-grossense. O julgamento virtual foi encerrado na quarta-feira (2).
Com a decisão, Carlinhos Bezerra deverá enfrentar os jurados de Cuiabá pelos crimes ocorridos em janeiro de 2023. Ele responde pelo feminicídio de Thays e pelo homicídio de Willian.
Defesa alegou “pré-julgamento”
Os advogados tentavam transferir o Júri para outra comarca do interior ou até mesmo para outro Estado. A principal alegação era de que a enorme repercussão do caso, a intensa cobertura da imprensa e as manifestações nas redes sociais teriam criado um ambiente de hostilidade e “pré-julgamento” contra o réu.
A defesa também mencionou iniciativas institucionais do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), entre elas a criação de um núcleo de enfrentamento à violência doméstica com o nome de Thays Machado.
Para os advogados, esses fatos colocariam em dúvida a imparcialidade dos jurados que forem convocados para decidir o destino de Carlinhos Bezerra.
STJ derruba tese da defesa
Relator do processo, o ministro Og Fernandes rejeitou os argumentos e destacou que a comoção social e a ampla repercussão jornalística são consequências comuns em crimes graves, mas não bastam para retirar o julgamento de seu local de origem.
Segundo o ministro, seria necessária uma demonstração concreta de que os jurados de Cuiabá não teriam condições de analisar o caso com imparcialidade — prova que, no entendimento do STJ, não foi apresentada.
Og Fernandes também ressaltou que Cuiabá possui população superior a 650 mil habitantes e uma sociedade plural, cuja opinião não pode ser presumida somente a partir de reportagens ou comentários publicados nas redes sociais.
A tentativa de levar o Júri para outro Estado também foi considerada juridicamente inviável, pois violaria as regras de competência e a própria organização da Justiça Estadual.
Homenagem à vítima não prova parcialidade
O relator afastou ainda a alegação de que as ações promovidas pelo TJMT em memória de Thays Machado representariam um posicionamento antecipado sobre a responsabilidade criminal do acusado.
Na avaliação do ministro, essas iniciativas integram políticas institucionais de combate à violência doméstica e ao feminicídio, sem constituir julgamento prévio sobre a culpabilidade de Carlinhos Bezerra.
Leia também
Fazenda em que, Carlinhos Bezerra, se escondeu após matança em Cuiabá é leiloada pela justiça SEM BANHO DE SOL Sem Policiais Penais, feminicidas, entre eles Carlinhos Bezerra, só tomam ‘banho de sol’ uma vez por mês em presídio de MT HOMICÍDIO TRIPLAMENTE QUALIFICADO Justiça nega pedido da defesa e mantém júri de Carlinhos Bezerra na próxima terça-feira,21 DUPLO HOMICÍDIO QUALIFICADO Júri de Carlinhos Bezerra implode após defesa abandonar plenário e Justiça adia julgamento de caso que chocou Mato Grosso CONDENADO A 36 ANOS 36 anos depois da obsessão virar sentença: Justiça enterra a tese da "tragédia" e condena Carlinhos Bezerra por execução da ex e do namoradoAs supostas ameaças sofridas pelo réu no cárcere também não convenceram o STJ. Conforme a decisão, as alegações foram apresentadas de maneira genérica e sem provas suficientes.
Eventuais riscos durante o julgamento poderão ser enfrentados com reforço policial, escolta, segurança armada e controle rigoroso de acesso ao fórum — e não com a retirada do processo de Cuiabá.
Cerco jurídico se fecha e júri se aproxima
O voto de Og Fernandes foi acompanhado integralmente pelos ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Carlos Pires Brandão, além da desembargadora convocada Nilsoni de Freitas.
Com a derrota unânime da defesa no STJ, fica mantido o julgamento na Comarca de Cuiabá. Agora, o processo deverá avançar para a definição da data da sessão que colocará Carlinhos Bezerra diante do Conselho de Sentença.
Caberá aos jurados decidir se ele é culpado ou inocente pelas duas mortes. Até o julgamento definitivo, permanece assegurada ao acusado a presunção de inocência e o direito à ampla defesa.