Polícia

Pastores são investigados por atuar em favor do Comando Vermelho; filha é presa e polícia aponta família como braço da facção

Segundo a Polícia Civil, casal utilizava projeto de evangelização em presídios para transmitir recados, movimentar dinheiro e prestar apoio à organização criminosa; filha é apontada como operadora do esquema

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 16/07/2026
Pastores são investigados por atuar em favor do Comando Vermelho; filha é presa e polícia aponta família como braço da facção
A missionária Rhavenna Barcelos de Almeida foi presa preventivamente nesta quinta-feira (16), durante a Operação Fariseus, enquanto seus pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Barcelos Almeida | Divulgação/PC-MT

Uma família de pastores evangélicos tornou-se alvo de uma das mais impactantes investigações da Polícia Civil de Mato Grosso sobre a infiltração do crime organizado em atividades religiosas.

A missionária Rhavenna Barcelos de Almeida foi presa preventivamente nesta quinta-feira (16), durante a Operação Fariseus, enquanto seus pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Barcelos Almeida, foram alvo de mandados de busca e apreensão.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação aponta que pai, mãe e filha integravam um esquema de apoio ao Comando Vermelho, utilizando um projeto de evangelização desenvolvido dentro de unidades prisionais para facilitar a comunicação entre líderes da facção presos e integrantes que permaneciam em liberdade.

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Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, responsável pelas investigações, não há dúvidas de que o casal participava da organização criminosa.

"Eles recebiam recados, movimentavam valores em espécie, emprestavam contas bancárias e transportavam dinheiro para outras pessoas. Fazem parte da organização criminosa, e isso será demonstrado no caderno de investigação", afirmou o delegado.

Ainda conforme a investigação, o trabalho missionário era utilizado como fachada para permitir o acesso aos presídios, transmitir mensagens entre criminosos, movimentar recursos financeiros e dar suporte às lideranças da facção.

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A Polícia Civil ressalta que a apuração não atribui qualquer responsabilidade às instituições religiosas, mas sim a pessoas que, segundo a investigação, teriam utilizado a atividade missionária para favorecer interesses da organização criminosa.

Filha seria responsável pela operação financeira

A investigação aponta que Rhavenna desempenhava papel estratégico dentro do esquema criminoso. Conforme a Polícia Civil, ela mantinha contato com integrantes da facção, distribuía valores em dinheiro, transmitia recados e prestava apoio operacional aos criminosos.

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Os investigadores afirmam ainda que ela mantinha ligação com Jonas Souza Garcia Júnior, conhecido como "Batman", apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho. A investigada, entretanto, nega ter mantido relacionamento amoroso com ele.

Durante as diligências, foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, aparelhos celulares e camisetas com referências à facção criminosa. A polícia também informou ter encontrado fotografias em que Rhavenna aparece ao lado de criminosos foragidos e segurando armas de fogo durante visitas a comunidades dominadas pela organização no Rio de Janeiro.

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Vídeo antes da prisão

Horas antes de ser presa, Rhavenna publicou em suas redes sociais um vídeo cantando um louvor religioso. A publicação chamou a atenção após a deflagração da Operação Fariseus, que revelou as suspeitas investigadas pela Polícia Civil.

Segundo os investigadores, além das movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada, a família realizava viagens frequentes ao Rio de Janeiro, algumas supostamente custeadas por integrantes da facção.

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Investigações continuam

A Operação Fariseus cumpriu 27 ordens judiciais. Rhavenna responde às investigações por supostos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção de menor e tortura.

Em relação aos pais da investigada, a Polícia Civil informou que as apurações continuam para individualizar a conduta de cada um. Até o momento, eles foram alvo de mandados de busca e apreensão, não de prisão.

As investigações prosseguem com a análise dos materiais apreendidos para identificar todos os envolvidos e esclarecer a extensão da atuação do grupo investigado.

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