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As fraternidades universitárias dos EUA e a cultura do estupro

Quase 15.000 pessoas assinaram uma petição pelo fechamento da Phi Kappa Psi, da Universidade do Kansas, após um caso de violência sexual em setembro. A pressão social cerca os grêmios estudantis suspeitos de acobertar abusos

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM EL PAÍS 11/10/2021

O ano acadêmico norte-americano começou com força. No país que deu início ao movimento MeToo, ainda há muito por fazer. Para demolir um sistema baseado no abuso de poder, era necessário mirar as elites, e as fraternidades universitárias (clubes famosos por suas lendárias festas regadas a álcooldrogas sexo) se tornaram o próximo alvo.

Mais de 14.700 pessoas já assinaram uma petição para fechar a fraternidade Phi Kappa Psi, da Universidade do Kansas, e mais de 1.000 se manifestaram exigindo justiça após o mais recente caso de estupro envolvendo esse grêmio estudantil, em 11 de setembro. A fraternidade Phi Gamma Delta (conhecida como Fiji), da Universidade de Nebraska-Lincoln, foi suspensa temporariamente com um histórico de 13 estupros denunciados, aos quais se somariam outros casos invisibilizados. Muitas vítimas não sabem com certeza que foram estupradas porque não conseguem se lembrar. É frequente que sejam drogadas com Rohypnol, conhecido como roofie, ou a droga dos estupradores, porque é incolor e inodora e passa facilmente despercebida em qualquer bebida. (Javier Gutiérrez fala sobre isso em Um bom rapaz; editora Versus, 2014.) Em muitos casos, se tanto o agressor como a estudante beberam álcool, o estupro é desconsiderado.